Micróbios e um sistema imune mais saudável

Um estudo com camundongos, comparando animais sem germes e animais normais, com germes, mostrou diferenças nas suscetibilidades a certas doenças inflamatórias, além de alterações persistentes nos padrão de ativação de um tipo específico de células do sistema imune.

Os cientistas Dennis Kasper, Richard Blumberg, e vários colaboradores na escola de medicina de Harvard, examinado suscetibilidade a asma e a doença inflamatória intestinal (DII) utilizando camundongos criados em condições livre de germes e animais com microbiota comensal intacta, ficaram surpresos ao descobrir que os animais livres de germes eram extremamente suscetíveis a ambas as doenças, enquanto, os animais normais, isto é, colonizados por uma microbiota, eram muito mais resistentes as mesmas doenças.

Os pesquisadores tentaram reverter o fenótipo ao colonizar com micróbios os animais que antes eram livres de germes, sem obterem, entretanto, qualquer sucesso, com os camundongos permanecendo tão suscetíveis a ambas as doenças como os que permaneceram sem germes. Porém, quando o time de pesquisadores repetiu o procedimento de colonização em fêmeas grávidas, livres de germes, antes do parto, constaram que seus filhotes passaram a ser menos suscetíveis as  doenças investigadas.

Como é notório que um tipo especial de células do sistema imune, conhecidas como assassinas naturais T invraintes (iNKT) – envolvidas na detecção de moléculas antigênicas e na produção de grandes quantidades de citocinas inflamatórias – desempenha um papel em ambas as doenças, os pesquisadores contaram o número dessas células em camundongos sem germes e com germes. Os animais com germes apresentaram números muito baixos das iNKT em seus pulmões e cólon, enquanto, as sem germes possuíam um número bem elevado das mesmas nas mesmas localidades.

De novo, simplesmente colonizar animais adultos livre de germes com os micróbios não alterou este quadro, com a contagem de células iNKT nesses animais mantendo-se nas alturas, e os animais continuando com as mesmas suscetibilidades as duas doenças. O quadro só mudava quando a equipe de cientistas bloqueava, com anticorpos, ativação das células iNKT enquanto os animais sem germes ainda eram jovens, impedindo assim que essas células conseguissem alcançar uma posição de controle, o que prevenia os camundongos de contraírem as duas doenças inflamatórias nas mesmas proporções que os animais sem germes não tratados na juventude com os anticorpos, sugerindo que as altas contagens iNKT estavam na raiz de sua alta suscetibilidade.

Esses resultados dão mais gás a “hipótese da higiene”, sugerindo que nosso sistema imune pode ter sido negativamente afetado pelo modo de vida mais ‘estéril’ do mundo moderno, pelo menos em relação a algumas doenças crônicas e autoimunes. Este contato com uma maior diversidade de micróbios desde cedo ajudaria a inibir as celular iNKT, desta forma, suprimindo respostas inflamatórias mais drásticas no futuro.

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Referências:

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Crédito das figuras:

ADIE BUSH/SCIENCE PHOTO LIBRARY

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