Mulheres, cuidado! Estamos dentro dos seus cérebros!!

Não, isso não é exatamente uma metáfora. É a constatação de que DNA de células masculinas – muito provavelmente advindos de um feto gestado ou de irmãos gêmeos que compartilharam um útero – são frequentemente encontrados nos cérebros de mulheres [1]. Esta interessante descoberta foi divulgada no dia 26 de setembro, em artigo da revista PLoS ONE  [2].

Este trabalho traz o primeiro demonstração do fenômeno chamado de microquimerismo em que células do cérebro humano. O microquimerismo ocorre quando células originadas em um indivíduo integram-se aos tecidos do outro, neste caso específico no cérebro humano [1].

Essa não é a primeira vez, entretanto, que este fenômeno de microquimerismo adquirido naturalmente foi observado em nós seres humanos. Em outros tecidos e órgãos, diferentes do cérebro, isso já havia sido constatado. O microquimerismo fetal, bem como o de origem materna, havia recentemente sido relatado nos cérebros de camundongos. No estudo publicado pela revista PloS One, os cientistas conseguiram quantificar DNA masculino no cérebro humano feminino, como um marcador para microquimerismo de origem fetal, ou seja, a aquisição por parte de um mulher de DNA masculino enquanto estava gestando um feto masculino [2]

Os pesquisadores, usaram o gene específico do cromossomo Y, o DYS14, como marcador molecular e empregaram a técnica de PCR quantitativo em tempo real em amostras de cérebro autopsiados de 26 mulheres, sem evidências clínicas ou patológicas da doença neurológica,  e de 33 mulheres que tiveram a doença de Alzheimer, conseguindo assim observar que 63% dessas mulheres (i.e, 37 das 59) testadas apresentavam microquimerismo masculino no tecido cerebral, estando o marcador presente em várias regiões dos seus cérebros [2].

De acordo com os autores do trabalho, estes dados sugerem, entretanto, uma prevalência menor (p = 0,03) e também uma menor concentração (p = 0,06, ainda que neste caso as diferenças sejam estatisticamente insignificantes) do microquimerismo masculino em cérebros de mulheres com a doença de Alzheimer do que nos cérebros das mulheres sem esta patologia [2].

Os pesquisadores não têm ideia se estas correlações querem dizer algo mais. Como explica William Burlingham, da Universidade de Wisconsin, que se especializou em cirurgia de transplante estuda o microquimerismo no contexto da tolerância imunológica, e que não estava envolvido no estudo publicado no PloS One [1]:

“É uma correlação”, “Mas, como um monte de coisas no campo do microquimerismo, você não sabe exatamente o que a correlação significa ainda.” [1]

O próximo passo da pesquisa, de acordo com J. Lee Nelson, pesquisador sênior responsável pelo artigo, é avaliar o microquimerismo no cérebro fetal e investigar se as células microquiméricas estabelecem ou não células funcionais nos cérebros dos indivíduos em formação [1].

Estes resultados sugerem fortemente que este não é um fenômeno raro; na verdade, o microquimerismo masculino parece ser frequente e amplamente disseminado nos cérebros das mulheres [2].

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Referências:

  1. Mole, Beth Marie Swapping DNA in the Womb The Scientist News & Opinion September 27, 2012

  2. Chan WFN, Gurnot C, Montine TJ, Sonnen JA, Guthrie KA, et al. (2012) Male Microchimerism in the Human Female Brain. PLoS ONE 7(9): e45592. doi:10.1371/journal.pone.0045592

    Credito das Figuras:

    MARIA TEIJEIRO/SCIENCE PHOTO LIBRARY

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