Lá vamos nós de novo: As incansáveis sereias que não morrem jamais

Publicado originalmente no blog do GIQ na quarta-feira, 29 de maio de 2013
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As sereias do Discovery Channel e Animal Planet são como os proverbiais mortos-vivos. Não importa quantas vezes você os mate (ou, no caso, os  desminta), não adianta, eles continuam voltando para te assombrar.

Após o pseudo-documentário “Sereias” (“Mermaid: A body found”) que foi mais uma vez reprisado, em maio deste ano, foi  veiculado, em seguida, um outro programa, desta vez chamado, “Mermaids: New Evidence” que traz de volta o ‘Doutor Paul Robertson‘ (que, na verdade, não existe, sendo apenas um ator. Ator esse que parece estar se especializando em interpretar cientistas que se deparam com mistérios) defendendo a existência das criaturas lendárias que, na versão do AP seriam uma espécie de hominini adaptada à vida aquática que teria sido inspirada na muito especulativa e não levada a sério pela comunidade de pesquisa, ‘teoria do macaco aquático‘. Neste novo programa são apresentadas ‘evidências’ históricas e novas filmagens inéditas destas criaturas.

Muitas pessoas, ao defenderem o programa, usaram a desculpa que os desmentidos e exposição da natureza ficcional do programa eram apenas um exercício de prepotência e arrogância, já que estaríamos negando mesmo a mera possibilidade destes seres existirem, mas esta jamais foi a questão. O problema é que muitas pessoas estão realmente acreditando que o programa do AP seja um documentário real, que os ‘cientistas’, citados nele, realmente existem e que teriam tido seus trabalhos (e as evidências que eles analisaram nos mesmos) suprimidas pelos governos de seus países em uma campanha de acobertamento internacional que só não conseguiu silenciar uma rede de TV à cabo e um cientista, cujos dados biográficos, profissionais e a produção acadêmica teriam sido todos apagados do mapa.

Os artigos que eu (veja “De novo a história das sereias” e “De Dragões à Sereias“) e outros escrevemos sobre o tema em nenhuma momento negam o direito das pessoas acreditarem em lendas e nem ao menos negam a simples possibilidade lógica de que tais seres existam. Eles apenas alertam que, como antes do programa do AP, não existem evidências científicas e rigorosas que endosse a existência de tais seres vivos (nem como criaturas místicas nem como espécies desconhecidas pelas ciência de primatas aquáticos), apenas as anedotas de sempre. É preciso mais que uma mera possibilidade lógica e anedotas para que a comunidade científica passe a considerar algo como real ou pelo menos provável , especialmente quando são lendas e mitos. Esta é a grande questão.

Embora os próprios responsáveis pelo Discovery, por meio do news.discovery, reconheçam que “Sereias” não é um documentário real, mas apenas um programa feito ‘ao estilo de um documentário‘ (devendo ser visto como ficção científica, ainda que, segundo eles, baseado em alguns fatos reais e teoria científica real*), ainda assim, os produtores e responsáveis pelo programa usam de linguagem ambígua e deixam de lado os vários problemas de suas especulações e da teoria pseudocientífica que usam como base para sua proposta, bem como não deixam claro a total falta de evidências rigorosas para estes seres. Parece que eles deixam as coisas assim de propósito para disseminar as interpretações mais desvairadas possíveis.

O mesmo pode ser visto na entrevista dada pelo criador/produtor da série, Charlie Foley, ao Mother Nature Network [Veja também o artigo e o vídeo do huffigntonpost] em que ele explica o novo programa misturando ‘fatos’ e ficção de maneira ambígua, de modo a não desfazer as confusões criadas por ele próprio e pelo AP ao exibir o programa. Não tenho como não enxergar nisso uma certa irresponsabilidade, sendo mais uma mostra de que o DC e o AP cada vez mais se distanciam da educação e divulgação científica de boa qualidade e navegam em direção do puro entretenimento sensacionalista, como ocorreu com o History Channel.

Confundir telespectadores, fomentar desinformação generalizada e disseminar a ideia de conspirações governamentais e acobertamento de fatos fantásticos não me parece um objetivo digno para um canal de TV, especialmente um de que se esperaria mais seriedade.

A repercussão do primeiro programa foi tão grande que o NOAA [National Oceanic and Atmospheric Administration], a agência ambiental de pesquisa que é citada como abrigando os principais ‘cientistas’ mostrados no programa, teve que fazer um desmentido em sua página, enfatizando que não foram descobertas evidências de humanoides aquáticos. O que, na realidade, só fez por reforçar as crenças de muitos leigos, inclinados à teorias conspiratórias, pois ‘já que o governo negou, então, deve ter alguma coisa ali‘. É claro que se o governo (na figura do NOAA que, aliás, foi solicitado por vários e-mails de cidadãos a esclarecer a questão) nada tivesse dito, o silêncio desta instituição também seria usado como evidência de que as sereias existem ou de que exista algo a mais por trás desta história. Com uma mentalidade assim não tem como vencer.

Os produtores do programa chegaram a criar uma página, believeinmermaids.com, supostamente, do ‘Doutor Robertson’, na qual ele exporia as ‘evidências’ das sereias, mas que, convenientemente, teria sido bloqueada pelo FBI. O que foi só mais uma jogada de marketing, brilhante, por sinal, já que, além de sustentar a ideia de que o governo dos EUA (e não só ele, já que no programa original ‘pesquisadores’ de várias partes do mundo analisam as ‘evidências’ e atestam sua ‘veracidade’) estar abafando o caso, ao bloquear a página, os produtores impedem que as pessoas fossem mais fundo na questão e analisassem as supostas informações e evidências, fazendo perguntas ao seu ‘dono’ que poderiam expor a inconsistência da história, como por exemplo, se alguém questiona-se onde estão os artigos sobre as análises das evidências, ou por que não encontramos nenhum dos ‘cientistas’ citados e mostrados no programa nas páginas das universidades e institutos de pesquisa, de acordo com o próprio programa, nos quais eles deveriam trabalhar e seus nomes em artigos nas bases de periódicos.

Aliás, com uma conspiração dessa magnitude, que apaga do mapa pessoas de diversos países e suas carreiras, deveríamos realmente esperar que o AP conseguisse burlar todo o processo de abafamento e veicular vários programas sobre o assunto?

A própria forma como eles apresentam os supostos hominines aquáticos é bizarra. Por exemplo, as criaturas mantém feições tremendamente humanas, mesmo tendo divergido de nossa linhagem, de acordo com o programa, milhões de anos atrás antes mesmo da divergência da nossa linhagem da dos ancestrais dos Chimpanzés e Bonobos, em um incrível caso de convergência evolutiva mesmo que tenha ocorrido em ambientes completamente diferentes. Este pequeno lapso faz todo sentido do ponto de vista ficcional já que foi feito, obviamente, para manter a identificação dos telespectadores com a criatura e não desviar demais da visão puramente mítica destes seres.

O problema é que, adotando uma perspectiva comparativa mais rigorosa, passa ser muito estranho imaginar que estes animais mantivessem, por exemplo, narinas frontais e uma cabeça tipica da postura ereta – isto é, com a coluna vertebral e a posição do forame (onde ela se insere) muito semelhante a que observamos em nossa espécie e não ao observado em outros primatas e menos ainda ao observado em mamíferos aquáticos, o que não parece nem filogeneticamente correto e nem hidrodinamicamente apropriado.

Por exemplo, em outros mamíferos marinhos que se adaptaram a vida eminentemente aquática (em contraste com animais que adotam uma vida mais anfíbia, como castores, lontras etc), como as focas e sirenídeos (como os manatins), as narinas ficam mais para o topo do rostro; em cetáceos, como baleias e golfinhos, elas se fundiram e deslocaram-se bem para cima na cabeça, atrás dos olhos, como fica claro ao observarmos os orifícios respiratórios destes animais.

Outro problema é a distribuição da gordura nestas supostas criaturas, o que é uma questão importante em mamíferos aquáticos, sobretudo para aqueles que perderam os pelos, como os cetáceos, por causa da perda de calor acentuada que ocorre na água, especialmente em águas mais frias. As sereias do AP são simplesmente muito magrinhas e pouco roliças. Além do que possuem aqueles braços compridos e finos, bem humanos, que seriam outra fonte de perda de calor enorme. Em contraste, mamíferos aquáticos como sirenídeos, ‘pinipédios’ e cetáceos, todos, tiveram seus membros dianteiros evoluídos em nadadeiras, evoluindo também estratégias bem específicas, como mecanismos contracorrentes trocadores de calor, para minimizar a perda de calor por estas superfícies maiores. Embora, forçando um pouco a barra, poderiam ser arranjadas explicações adaptativas ad hoc para estas diferenças (ou os autores, simplesmente, poderiam apelar para a contingência nos processos evolutivos ou a falta de tempo dos mesmos), ainda assim, estas questões mostram como foi superficial o tratamento dado pelo programa à biologia destas criaturas imaginárias, o que desmonta a impressão que muitos leigos tiveram de que era tudo muito coerente e consistente. Não era. Algo compreensível em um exercício de ficção, mas não em um documentário verídico que se propõem ser a única exposição das supostas evidências remanescentes daquilo que certamente seria a maior descoberta do século.

O pior de tudo isso é que, caso os produtores e a emissora fossem mais sérios e responsáveis, tendo apresentado o programa como claramente ficcional (ao invés do silêncio e da ambiguidade nos desmentidos nos créditos, ao final do programa) e deixado claro que era apenas um ‘What if?’, as coisas poderiam ter sido muito mais interessantes. Por exemplo, eles poderiam ter incluído, ao final da exibição (em um programa separado ou mesmo ao final do programa) cientistas reais, especialistas em mamíferos aquáticos e em sua evolução (não envolvidos com a produção do programa), bem como antropólogos e primatologistas, para comentar as limitações, problemas e mesmo os acertos da perspectiva adotada pelo AP de como seriam as sereias caso elas existissem mesmo como animais reais e não como seres místicos e sobrenaturais. Caso tivessem feito isso, o programa seria muito mais informativo, útil e divertido.

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*O que ainda é um certo exagero, pois os eventos reais são o ‘bloop‘, os encalhamentos de baleias (que são suspeitos de terem sido causados por sonares da marinha) e a existência e evolução de mamíferos aquáticos, além da dita ‘teoria científica’ que embasaria esta ficção,  a ‘hipótese do macaco aquático’, mas que, como já disse, é uma ideia especulativa que, simplesmente, não é levada a sério por boa parte da comunidade de paleoantropólogos e biólogos evolutivos que estudam a evolução humana. Isto é, as coisas que são realmente inspiradas em fatos são muito diferentes dos fatos que as inspiraram e a ‘teoria científica’, que eles alegam usarem como base, é uma especulação vista como pseudocientífica por boa parte da comunidade científica em áreas relevantes.

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Atualização do dia 27 de janeiro de 2014:

Aos desaviados, que caíram neste post de para-quedas ou após uma procura no google motivada pela exibição de um dos programas do AP sobre sereias, gostaria de informá-lo s que existem outros posts meus sobre o tema, neste mesmo blog (sigam os links) e, principalmente, eu também escrevi um post mais recente do que este sobre o ator principal do segundo programa das sereias. Vejam “Sobre sereias, goblins de metal e jogos de Pimball/RPG: As muitas vidas do ‘Dr Paul Robertson“.

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67 Responses to Lá vamos nós de novo: As incansáveis sereias que não morrem jamais

  1. Fábio says:

    Eu li sobre a teoria dos macacos aquáticos, e a acho bem convincente.Os pontos que tratam da diferenciação entre as espécies de macaco e os homens são, sim, relevantes. Um homem pode pesar quase 500kg e isso foi documentado. Não é a sereia magrinha que a gente tem que vislumbrar, mas o fato de que pode ter acontecido uma outra via. O que você espera que foi extinto,

    Eu li a biografia do Darwin ele era extremamente religioso; quando criança era um pastorzinho. E foi também muito renegado pela ciência na sua época.Não é o fato da teoria não ser acolhida que a faz falsa, mas o fato de ela tirar as pessoas da zona de conforto,da segurança de ter aquilo registrado e inquestionável. Qualquer coisa que gere comoção e discusão é válida.

    Teoria da Evolução é teoria. A idéia de seleção natural é o que a gente adota na vida pra tudo. Darwin já foi exaustivamente estudado, publicado e referenciado.Logicamente, pra mim, o Darwin não disse que o homem evoluiu do macaco. Ter um ancestral comum é irrelevante, porque tudo que é vivo na terra teve um ancestral comum em algum ponto.

    Mas quando alguém mapeia genes do chimpanzé ou do gorila e fala que eles tem não sei quantos por cento dos genes idênticos aos do homem está apenas reforçando o que a gente já espera. Não vai sair da classificação biológica. Prova, sim, mas pode ser coincidência. Todo meio de prova é relativo.

    Niguém quer partir do zero, principalmente um especialista na área, mas é complicado lidar com fatos de o ser humano poder ficar mais tempo debaixo da água que alguns animais aquáticos, controlar respiração pra falar, ou respirar pela boca, a gordura subcutânea, o andar ereto e ser bípede, perda de pêlos, etc.Não pra você descartar isso.

    • rodveras says:

      Olá, Fábio. Bem vindo ao Calmaria&Tempestade,

      Fábio: ‘Eu li sobre a teoria dos macacos aquáticos, e a acho bem convincente.’

      Você tem todo o direito de achar o que quiser, mas sua opinião é apenas tão boa quanto os argumentos e as evidências que você traz a mesa. E mais importante do que a sua ou a minha opinião é o fato da imensa maioria dos especialistas em evolução humana, principalmente, os antropólogos e paleoantropólogos, não considerem a hipótese do macaco aquático (HMA) como convincente. Mas ainda mais importante do que isso é o fato dos especialistas assim a avaliarem por que não existem evidências que corroborem esta hipótese de maneira mínima, sendo que boa parte da defesa da HMA é feita por ataques à caricaturas das hipóteses tradicionais para a evolução morfológica dos seres humanos. Além disso, a chamada hipótese do macaco aquático é um alvo em movimento que muda sempre que alguma objeção é levantada e retorna a sua forma mais ou menos original quando voltam a defendê-la em outro contexto, com nada disso se dando com base em evidências positivas.

      Fábio: ‘Os pontos que tratam da diferenciação entre as espécies de macaco e os homens são, sim, relevantes.’
      Por exemplo?

      Fábio: ‘Um homem pode pesar quase 500kg e isso foi documentado.’

      E isso seria evidência exatamente de que? Como o fato de alguns seres humanos poderem pesar mais do que 400 kg reforçaria a ideia de que nossa linhagem de hominines tenha passado por uma fase semiaquática? Você aponta uma exceção das características médias humanas, claramente patológica, sem se quer argumentar e trazer evidências de qualquer vantagem biomecânica que ela pudesse permitir à vida na água, como se isso fosse relevante. Desculpe, mas acho que você está muito enganado e confuso sobre a questão.

      Fábio: ‘Não é a sereia magrinha que a gente tem que vislumbrar, mas o fato de que pode ter acontecido uma outra via. O que você espera que foi extinto, ‘

      Desculpe de novo, mas não consegui compreender este trecho acima e muito menos como ele se encaixaria com a frase e o parágrafo anterior. Considerar uma via alternativa de evolução não é o mesmo que fornecer evidências para a realidade da mesma. Especulações dentro das ciências só são realmente importantes quando elas permitem o desenvolvimento de programas de pesquisa científicos baseados em hipóteses testáveis. Esse certamente não é o caso dos proponentes da hipótese do macaco aquático. Qualquer atração inicial que esta hipótese possa ter (especialmente para os leigos), infelizmente, sucumbe a falta de evidências empíricas e ao estilo argumentativo suspeito de seus proponentes.

      Fábio: ‘Eu li a biografia do Darwin ele era extremamente religioso; quando criança era um pastorzinho.’

      Mais uma vez, o que isso tem a ver com a história do macaco aquático?

      Fábio: ‘E foi também muito renegado pela ciência na sua época.’

      Na realidade, aí você se equivoca. Apesar de certa oposição nos meios científicos, a ideia básica de evolução de Darwin (ancestralidade comum por descendência com modificação) foi aceita de maneira relativamente rápida por boa parte da comunidade científica. As maiores críticas, e que perduraram por mais tempo, foram em relação a teoria de Darwin sobre o mecanismo da evolução, a seleção natural, que, mesmo assim, continuou a ser investigada por certos grupos de evolucionistas, até que nas décadas de 30 e 40 foi cristalizada como o principal mecanismo da mudança evolutiva adaptativa. Diferente da hipótese do macaco aquático, a teoria evolutiva de Darwin permitiu a criação de um programa de pesquisa científico que hoje chamamos de biologia evolutiva no qual várias hipóteses testáveis foram e são investigadas. Nada assim ocorreu com a hipótese do macaco aquático. Além disso, existe um problema maior com a sua analogia. Na época de Darwin não existia ainda qualquer programa de pesquisa científico sobre a origem e mudanças das espécies, mesmo já havendo trabalhos de naturalistas como Buffon, Maupertuis e mesmo Lamarck defendendo algum tipo de evolução, mas que não haviam conseguindo alavancar e estruturar um tal programa. O que existia antes era apenas um aceite tácito de que a origem das espécies deveria apenas ser ‘explicável’ por intervenção divina, portanto, estando fora do domínio da investigação científica. No caso da hipótese do macaco aquático, ela se coloca frente a várias outras hipótese, modelos e teorias mais convencionais sobre a evolução de várias características dos seres humanos modernos, como o bipedalismo, a modificação do padrão de pelagem etc. Não existe um limbo teórico e, portanto, qualquer nova hipótese precisa, necessariamente, levar em conta as evidências existentes de maneira rigorosa e gerar um programa de pesquisa que permita encontrar novas evidências que permitam diferenciá-las de outras hipóteses.

      Fábio: ‘Não é o fato da teoria não ser acolhida que a faz falsa, mas o fato de ela tirar as pessoas da zona de conforto,da segurança de ter aquilo registrado e inquestionável.’

      Em nenhum momento eu disse que a hipótese era falsa, mas apenas que ela é considerada especulativa por ser completamente destituída de evidências empíricas independentes que a corroborem minimamente, com a maioria dos especialistas considerando a forma de argumentar de seus proponentes e de se esquivar de testes empíricos, como sendo tipicamente pseudocientífica, o que mostra que ela sofre de vários problemas conceituais e lógicos.

      Fábio: ‘Qualquer coisa que gere comoção e discusão é válida.’

      Aqui não poderia discordar mais. Discussões só são válidas se elas são substantivas, podendo serem levadas com base padrões de evidência elevados e de argumentação sólida. Caso contrário elas são inúteis, podendo até obscurecer questões realmente importantes.

      Fábio: ‘Teoria da Evolução é teoria.’

      A teoria da gravidade também é teoria, assim como é a teoria dos germes, a teoria celular e a teoria atômica. Isso não quer dizer que não hajam montanhas de evidências de que existam fenômenos como a gravidade e entidades como os germes, células e átomos e que seja por causa desta evidências que os cientistas consideram estes fenômenos e entidades como reais. O mesmo vale para a evolução dos seres vivos. O fato de existir uma ‘teoria da evolução’ que é o que explica como a evolução ocorre e que orienta a investigação neste campo do conhecimento, não quer dizer que não exista também uma montanha de evidências, advindas de múltiplas linhas de pesquisa, que convirjam e permitam-nos inferir que a evolução realmente ocorreu e ocorre, acima de qualquer dúvida razoável, sendo estas evidências que convenceram a comunidade científica da realidade deste fenômeno. Não queira comparar uma hipótese altamente especulativa, a HMA (m esmo que, a princípio, muito interessante) com um campo de estudos científico muito bem estabelecido sobre um fenômeno aceito consensualmente como real pelos cientistas por causa do enorme número e da gigantesca qualidade das evidências em seu favor.

      Fábio: ‘A idéia de seleção natural é o que a gente adota na vida pra tudo.’

      Como assim? O que você quer dizer com isso? Não entendo como isso se encaixa nesta discussão.

      Fábio: ‘Darwin já foi exaustivamente estudado, publicado e referenciado.’

      E qual é o ponto com esta afirmação?

      Fábio: ‘Logicamente, pra mim, o Darwin não disse que o homem evoluiu do macaco. Ter um ancestral comum é irrelevante, porque tudo que é vivo na terra teve um ancestral comum em algum ponto.’

      Irrelevante para o que exatamente? O fato de você considerar a ideia de ancestralidade comum universal (que, por sinal, foi originalmente proposta por Darwin) como sendo óbvia, só mostra que você vive inserido em uma cultura cuja comunidade científica, e a maioria das pessoas que tem acesso e compreendem as evidências e não tem um viés ideológico que as ceguem, considera a realidade da evolução como estabelecida acima de qualquer dúvida razoável. Mas, afinal, o que o seu comentário tem a ver com a hipótese do macaco aquático?

      Fábio: ‘Mas quando alguém mapeia genes do chimpanzé ou do gorila e fala que eles tem não sei quantos por cento dos genes idênticos aos do homem está apenas reforçando o que a gente já espera. Não vai sair da classificação biológica.’

      Como assim não vai sair da classificação biológica? Foram exatamente os estudos genéticos (especialmente os envolvendo o compartilhamento de certas sequências de origem viral com as mesmas mutações entre chimpanzés e seres humanos) que permitiram corroborar a hipótese de que nós somos mais aparentados com os chimpanzés e Bonobos em contraste com a ideia de que seríamos mais próximos dos gorilas, uma disputa que durou muitos anos e que culminou com uma classificação mais clara da tribo hominina. Realmente, estou com dificuldade de compreender sobre o que exatamente você está falando e aonde você quer chegar.

      Fábio: ‘Prova, sim, mas pode ser coincidência. Todo meio de prova é relativo.’

      Aqui devo primeiro esclarecer um ponto importante. Os cientistas, em geral, não usam o termo ‘prova’, a não ser como sinônimo de ‘evidência’ – que seria o sentido de ‘provas empíricas’. O principal problema é que o termo “prova” é mais talhado para a lógica e matemática onde prova uma vez que nestas disciplinas ele assume seu sentido de ‘prova definitiva’. Isso ocorre por que, em tese, é possível realmente provar teoremas e argumentos nestas disciplinas por causa da natureza axiomática da matemática e tautológica da lógica dedutiva. Então, sim, existe um reconhecimento por parte de cientistas e filósofos de que as evidências são, em princípio, revogáveis seja por outras evidências mais rigorosas, seja pela re-análise dos métodos que as produziram ou seja pela proposição de teorias mais precisas, abrangentes, simples e explicativas. Porém, isso não quer dizer que certas evidências não sejam tão fortes que duvidar das mesmas sem um modelo alternativo, que explique melhor o fenômeno em estudo (e evidências independentes extras que o corroborem), não seja algo desaconselhável. Duvidar de hipóteses e teorias bem corroboradas e preferir hipóteses especulativas sem corroboração independente e sem muita clareza de que tipo de evidências as confirmariam ou refutariam, é simplesmente sem sentido dentro de uma perspectiva racional. O fato das evidências serem, em um certo sentido, ‘relativas’, (por serem potencialmente revogáveis, por causa da falibilidade humana) não quer dizer que por isso devamos acreditar em tudo ou que todas as ideias se equivalham. As evidências, bem como sua quantidade e especialmente sua qualidade, importam muito e com base nelas é que devemos fazer nossos julgamentos, mesmo que estejamos abertos a reavaliá-los em um futuro caso, por exemplo, novas e mais robustas evidências surjam.

      Fábio: ‘Niguém quer partir do zero, principalmente um especialista na área, mas é complicado lidar com fatos de o ser humano poder ficar mais tempo debaixo da água que alguns animais aquáticos, controlar respiração pra falar, ou respirar pela boca, a gordura subcutânea, o andar ereto e ser bípede, perda de pêlos, etc.Não pra você descartar isso.’

      Na realidade vários animais não aquáticos possuem habilidades de controlar sua respiração e mergulhar. Mesmo cães são capazes de fazer isso e outros mamíferos e vertebrados também possuem versões do reflexo de mergulho. Segundo, para conseguirmos prender nossa respiração por muito tempo é preciso muito treino e geralmente os tempos mais extremos só são atingidos por pessoas muito especiais e que treinaram muito. De novo, você tenta usar exceções como se elas fossem evidências para a ideia da HMA. Segundo, a quantidade de gordura subcutânea humana não parece ser tão anormal assim quando devidamente estuda, além de não apresentar vantagens claras a natação, especialmente por que pode variar bastante de indivíduo para indivíduo principalmente quanto ao aporte dietário. A postura ereta é ainda mais absurda, caso pressuponhamos a HMA. Os demais mamíferos aquáticos que evoluíram a partir de animais quadrupedes não tornaram-se bípedes mas sim passaram a ser mais hidrodinâmicos e alguns evoluíram posturas ainda mais horizontalizadas por causa disso. Nós humanos seríamos a exceção ao padrão e, portanto, não seríamos bem explicados pela HMA que tenta sempre traçar paralelos entre nós e os demais mamíferos aquáticos. Por isso neste ponto, os adeptos da hipótese do macaco aquático, simplesmente, inventam uma explicação ad hoc, recuando em sua ideia original, argumentando que o ambiente aquático para o qual nós teríamos nos adaptado teria sido o de lagos rasos, com o bipedalismo tendo evoluído como uma forma de manter a cabeça dos indivíduos para fora d’água, já que não seríamos necessariamente bons nadadores. Este tipo de manobra é típica dos defensores da HMA. Não há consistência na forma como eles tentam responder as objeções aos problemas da hipótese. Eles vão e voltam de acordo com a necessidade e não indicam que tipos de evidência poderiam confirmar ou desconfirmar estas hipóteses particulares. Uma objeção parecida vale para a ideia que a perda de pelos (na verdade, modificação dos pelos corporais de terminais para velus) como adaptação ao ambiente aquático. Ela também esbarra em outro problema comparativo sério. A maioria dos mamíferos semiaquáticos, em contraste com cetáceos que são completamente aquáticos, mantém os pelos. Na realidade, além da camada de gordura, estes grupos de mamíferos evoluíram camadas múltiplas de pelo e uma maior oleosidade nos mesmos. Veja por exemplo, os leões e lobos marinhos, as lontras, castores etc. Não parece compensar muito perder pelos até que haja grandes camadas de gordura subcutânea bem distribuída, além de mecanismos adicionais de controle da perda de calor circulatórios nas extremidades.
      Os defensores da hipótese do macaco aquático usam os exemplos de outros mamíferos aquáticos apenas quando lhes convém e os deixam de lado quando não, às vezes os forçando a inventarem as mais vaiadas desculpas para explicar as inconsistências de outras características. O problema é que quando eles adotam este tipo de manobra retórica fica impossível estabelecer uma hipótese clara para investigar por que não dá para saber quais evidências novas corroborariam ou refutariam o modelo em si. Como os proponentes desta hipótese nada fazem para propor que tipo de observações poderiam confirmar ou falsear estas hipóteses secundárias, eles simplesmente imunizam sua hipótese de escrutínio empírico. É por causa disso que muitos cientistas consideram a HMA como pseudociência. Apesar de uma plausibilidade superficial preliminar, seus defensores não parecem estarem dispostos a realmente fazerem ciência com suas ideias e permitirem que elas sejam testadas. E, exatamente como a maioria dos adeptos de hipóteses pseudocientíficas, eles tentam avançar a sua ideia atacando as hipóteses convencionais das ciências e acusando seus adversários de arrogantes, ignorantes elitistas etc.

      Outro ponto importante, que eu já havia discutido antes, é que a hipótese do macaco aquático torna a evolução das várias características humanas que ela se dispõem a explicar ainda mais complicada. Isso acontece por que a maioria das características, que segundo a HMA teriam surgido em ambientes aquáticos (não bem especificados), teriam que ser mantidas, após a saída da água das populações humanas ancestrais, em ambientes terrestres por outros tipos de pressões ecológicas também não especificadas. Sem evidências empíricas em seu favor, a explicação que a HMA fornece, no final das contas, é ainda menos parcimoniosa do que as demais hipóteses mais tradicionais e para as quais podemos buscar evidências na análise dos fósseis e do seu contexto.

      E olha que nem mencionei a pressuposição ingênua de muitos dos proponentes da HMA que os ambientes aquáticos seriam mais seguros do que os terrestres, algo que ignora as ameaças constante de crocodilianos em rios, lagos e estuários, e de tubarões em mares e estuários, além de toda sorte de animais venenosos (peixes-pedra, caramujos do gênero Conus, serpentes marinhas, águas-vivas, etc) típicos de ambientes marinhos rasos e pelágicos. A HMA só, portanto, ‘convincente’ quando ela é examinada de maneira superficial e pouco informada. Eu realmente aconselho a você a página de Jim Moore que oferece uma excelente e bem completa crítica da hipótese, e o artigo, bem mais recentemente, de Brian Switek que resume várias destas críticas e avança algumas outras.
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      Switek, B. “Scuttling the Aquatic Ape Hypothesis” Laelaps, agosto, 2007.

      Grande abraço,

      Rodrigo

  2. Fábio says:

    Bom dia, Rodrigo!
    Primeiramente, obrigado por responder, pelos links, e pela paciência de ter escrito o post. Vou ler os artigos que você enviou e a sua resposta eu já salvei pra relê-la depois.

    Esta teoria dos macacos aquáticos também é embasada por cientistas. Eu chequei as referências, os pontos de discussões. Claro que tudo que eu manifesto a respeito disso é opinião, porque eu não tenho formação acadêmica pra debater sobre assunto. Eu sou advogado, não biólogo. Eu acho que uma pessoa formada na área de humanas raciocina diferente.

    Por exemplo, raciocínio empírico pra mim, é assim: a partir de estudos de fatos do passado e do presente, cria-se modelos sintéticos – situações recorrentes, que passam a ser regra a partir de agrupamentos e esquematizações para uma previsibilidade de fatos futuros, A ciência os incorpora mesmo quando há margem de incerteza. Os modelos que existem são como “verdades” a serem debatidas.

    Eu não entrei a fundo da teoria, porque eu já sei que você a conhece. O que eu acho relevante dela é o questionamento sobre a teoria da Savana e o fato de hoje, não haver informações que expliquem o porquê de homens e macacos serem tão diferentes. Como se deu isso? Em que ambiente o homem viveu que gerou tais modificações?

    Eu faço valoração.Eu analiso a técnica da argumentação e tomo as duas teorias em pé de igualdade. Eu não acho que as duas se antagonizem totalmente. Não acho que seja apenas quando é conveniente a comparação com animais aquáticos. Acho lógica dentro da proposta.

    Eu tenho visto coisas absurdas, que não têm nada a ver, no discurso dos que criticam. Por exemplo, o melhor nadador não foge do tubarão ou do crocodilo, logo, nunca o homem poderia ser aquático.O que você disse que se exige treino pra ficar 20 minutos debaixo da água. Lamark explica isso aí, do uso-desuso. Um homem ter meia tonelada foi um outro documentário que eu vi. É patológico, mas é incrível a forma como fica tanto sob a pele. Tiravam blocos de 20 kgs de gordura dele. Proporcionalmente, temos um excesso natural de gordura acumulada no corpo. Um macaco jamais engordaria na mesma proporção. Tem o fato dos bebês também, que já nascem gordinhos e nadando., etc.

    Prova pra mim, é tudo que se usa pra embasar um argumento e a ele está anexo. Fatos, testemunhas, corpos, etc. Eu não estabeleço relevância do que é apresentado,mas no que se aplica. Não sou tão cético,nem tão delirante.

    E por último. eu trate da biografia do Darwin, por uma questão ideológica.ele foi criado pra ser um religioso, mas foi um cientista brilhante, genial, e terminou agnóstico.A idéia de seleção natural soa bem no mundo competitivo que a gente vive. Como o formato humano dado às sereias ou aos ETs ou até Deus fazem isso ser popular.

    Enfim, Rodrigo, eu estou lendo bastante, dentro do que posso, sobre isso. Adorei ler sobre as referências da Elaine Morgan, Thomas Khun, sobre o Dawkins (estou até lendo um livro dele: “Deus, o delírio”).

    Grande abraço e obrigado novamente, pelas informações e parabéns pelo seu blog. Achei muito legal e bem feito.

    • É um prazer responder os comentários do blog, especialmente quando eles são feitos de forma respeitosa.

      Espero que você faça bom proveito do material, especialmente o (extremamente) bem referenciado site de Jim Moore nos qual ele analisa em detalhe as afirmações dos defensores da HMA, mostrando sua dubiedade, falta de coerência interna e abordagem frívola e tendenciosa às evidências.

      ‘Esta teoria dos macacos aquáticos também é embasada por cientistas.’

      A questão é, por quais cientistas? De que áreas? E baseado em quais evidências e em que raciocínio? Os poucos acadêmicos que apoiam esta ideias, por vezes defendem versões bem diferentes das ideias de Morgan. E a maioria deles, simplesmente, não é especializada em evolução humana, antropologia e paleoantropologia que são os campos nos quais as discussões relevantes deveriam se dar já que lidam com os tipos de evidências apropriadas. Além disso, na maioria das vezes, estes autores não publicam suas ideias em periódicos especializados, nos quais elas seriam avaliadas por especialistas que poderiam apontar os vários problemas com a hipótese e, principalmente, com a forma de conduzir a discussão sobre ela. Os poucos que publicam sobre tal teoria preferem periódicos mais especulativos de áreas diversas daquelas que seriam as relevantes, muito provavelmente, por nestes periódicos faltam especialistas habilitados e familiarizados com as evidências.

      ‘Eu chequei as referências, os pontos de discussões.’

      Mas você se aprofundou nelas? Foi ler o material mais convencional primário sobre evolução humana? Ou ficou apenas vendo se eram citados artigos sem nem saber se o conteúdo deles realmente apoiava as ideias de Morgan e de outros defensores da HMA? Caso você permaneça apenas na superfície não ficará claro o quanto a HMA é problemática.

      ‘Claro que tudo que eu manifesto a respeito disso é opinião, porque eu não tenho formação acadêmica pra debater sobre assunto. Eu sou advogado, não biólogo. Eu acho que uma pessoa formada na área de humanas raciocina diferente.’

      Creio que neste ponto você mais uma vez está enganado. O problema não é a formação em a sua si em humanidades, mas o desconhecimento sobre as bases da biologia evolutiva e da bioantropologia. Sem um conhecimento básico destas áreas (sobre seus métodos, padrões de evidência e de argumentação), tendo como base apenas a leitura exclusiva do material dos defensores da HMA [e portanto apenas a versão deles das críticas que recebem], certamente, você não estará em uma boa posição para avaliar a pertinência da hipótese. Você estará fadado a ter um visão tendenciosa e incompleta da questão.

      ‘Por exemplo, raciocínio empírico pra mim, é assim: a partir de estudos de fatos do passado e do presente, cria-se modelos sintéticos – situações recorrentes, que passam a ser regra a partir de agrupamentos e esquematizações para uma previsibilidade de fatos futuros, A ciência os incorpora mesmo quando há margem de incerteza. Os modelos que existem são como “verdades” a serem debatidas.’

      Creio que este é o problema. Para começar, ainda que parte da empreitada científica dependa de alguns pontos levantados por você, esta visão, em particular, é uma formulação ainda bem ingênua do processo de desenvolvimento e validação de teorias científicas. Mas o maior problema é que mesmo se admitirmos esta perspectiva, a HMA não é capturada por ela. Isso é assim pelo simples fato que ela não faz previsões especificas que possam ser testadas usando novos dados ou dados já disponíveis mais não usados em sua formulação. O que a HMA faz é tentar acomodar novas informações (a posteriori e de maneira ad hoc), muitas vezes, distorcendo-as e as apresentado de maneira incompleta, quando não alterando a própria formulação da hipótese, apenas temporariamente. Seus proponentes, simplesmente, tentam imunizá-la às evidências, buscando adequá-las, por quaisquer estratégias que tenham em mãos, ao que se conhece, mas sem realmente testá-las. Testes comparativos estatísticos, usando filogenias, para detectar convergência evolutiva entre mamíferos aquáticos, nós seres humanos e nossos ancestrais e parentes extintos mais próximos poderiam ser feitos, mas não o são.

      Acredito que parte do problema se deve ao fato de você concentra-se somente (ou com muita mais ênfase, pelo menos) nos aspectos retóricos da questão e não nas partes mais importantes que dependem de conhecer os métodos de estudo, bem como as evidências envolvidas no debate e como estas últimas apoiariam ou refutariam hipóteses particulares ligadas a HMA. Sinto muito, mas não é assim que discussões devem ser levadas dentro da comunidade científica e é por causa do comportamento semelhante dos proponentes da HMA que boa parte desta mesma comunidade a rejeita.

      As discussões científicas substantivas sobre a HMA já foram todas realizadas (você pode ver isso ao ler com atenção o site de Jim Moore) e os defensores desta hipótese não conseguiram responder as objeções levantadas à altura, mas, pior de tudo, estes proponentes não se organizaram de uma maneira que pudessem conduzir um programa científico de pesquisa. Tudo que eles fazem é ir e vir com as suas ideias, reinterpretando, a posteriori, novas informações, mas deixando os fatos não compatíveis e desconfortáveis de lado, jogando todo o ônus em caricaturas das hipóteses convencionais.

      ‘Eu não entrei a fundo da teoria, porque eu já sei que você a conhece. O que eu acho relevante dela é o questionamento sobre a teoria da Savana e o fato de hoje, não haver informações que expliquem o porquê de homens e macacos serem tão diferentes. Como se deu isso?’

      Este é um dos problemas de se conhecer um campo apenas por leituras dos defensores das ideias mais extremas e menos corroboradas, por que a forma mais eficiente de defenderem sua abordagem frente aos leigos é atacar as perspectivas convencionais. O problema que para fazer isso, estas pessoas distorcem e caricaturam as perspectivas convencionais.

      A versão da hipótese das savana atacada por Morgan (e por outros simpáticos a HMA) não corresponde ao que os pesquisadores postulam atualmente. Hoje temos uma visão bastante mais nuançada do tipo de mudanças na paisagem, clima e vegetação dos lugares em que as linhagens humanas ancestrais estavam inseridas durante sua evolução. Com base em evidências anatômicas, paleoclimatológicas e paleoambientais, hoje, é mais ou menos claro que os modelos tradicionais mais simplistas não se adequam bem aos dados. Por exemplo, muitos dos primeiros homininas fósseis exibiam características mistas que os habilitavam tanto a vida nas árvores como no solo, o que é corroborado por dados paleoambientais sobre o tipo de paisagem e sistemas ecológicos que existiam antes da formação de savanas. Além disso, existem evidências baseadas na análise da anatomia de populações humanas modernas que subsistem e forrageiam escalando árvores que uma dicotomia entre floresta e savana é enganosa, pelo menos, para o início da evolução do bipedalismo.

      Outros estudos sobre as articulações dos esqueletos fossilizados de homininas extintos e outros primatas fósseis também sugerem que havia bem mais diversidade de formas de bipedalismo entre nossos ancestrais e seus parentes. O que isso sugere é que é que o bipedalismo teria se originado como uma forma de locomoção arbórea, como, por exemplo, ocorre em primatas como os orangotangos que se locomovem desta maneira sobre as árvores.

      Este modelo híbrido baseia-se na ideia de exaptação que é a co-optação de determinadas características, evoluídas em certas condições ecológicas, para outras sem que houvesse a necessidade de uma adaptação a partir do zero. Mais tarde, adaptações secundárias – tanto associadas com vantagens da postura ereta para termorregulação como para o avistamento de predadores e enfrentamento de rivais – devem ter se seguido conforme os nossos ancestrais começaram realmente a viver em condições mais próximas as das savanas.

      Porém, caso você leia sobre as hipóteses mais convencionais sobre a evolução do bipedalismo nas obras que defendem a HMA irá ver apenas espantalhos da ‘teoria da savana. Você não será apresentado as perspectivas que eu comentei rapidamente e nem verá indicações de que tipo de evidências fósseis poderiam ajudar a avançar na questão, favorecendo um modelo ou outro.

      Enquanto, os cientistas vão modificando suas hipóteses e até as descartando conforme vão obtendo mais e melhores evidências, o que os proponentes da HMA fazem é, simplesmente, ir e voltar com sua hipótese, não se comprometendo com o teste da mesma. Não há uma progressão clara e não há um respeito as evidências e nem uma apreciação justa dos méritos relativos das hipóteses alternativas. O que eles fazem é apenas atacar as alternativas mais convencionais, muitas vezes, baseando-se em caricaturas das mesmas, negligenciamento os próprios problemas de consistência da HMA, assim como ignoram as evidências que vão contra ela.

      ‘Em que ambiente o homem viveu que gerou tais modificações?’

      Mas este é o maior problema com o HMA. As evidências que dispomos não mostram que nossos ancestrais e ramos colaterais dos homininas tenham vivido predominantemente e por longos períodos de tempo em ambientes aquáticos, como demanda a HMA. Esse é o ponto fundamental. Não encontramos fósseis associados a estes ambientes de maneira sistemática, mas encontramos fósseis de homininas associados com ambientes continentais e terrestres mais convencionais. Os adeptos da HMA simplesmente deixam de lado este fato, quando, simplesmente, não negam na cara de pau sua relevância, afirmando que as regiões costeiras, onde estas supostas populações semi-aquáticas deveriam ter vivido, estão atualmente debaixo do mar, ocultando ou destruindo para sempre as evidências. Não há como convencê-los de que isso é um problema sério para a hipótese e que apenas postular que a evidência não exista mais ou que não seja acessível não nos ajuda a avançar na questão. Querer explicar tanto com tão pouco e ignorar pontos embaraçosos para a hipótese não é uma marca de seriedade científica.

      ‘Eu faço valoração. Eu analiso a técnica da argumentação e tomo as duas teorias em pé de igualdade.’

      Esta pequena afirmação é bem problemática e ilustra os problemas com tal forma de pensar sobe a questão. Em primeiro lugar, um fator muito importante na avaliação inicial de hipóteses científicas é exatamente diferenciar a plausibilidade prévia das mesmas frente ao que sabemos. Não avaliamos as evidências em um limbo. Mas, além disso, caso você não vá diretamente às fontes da literatura científica convencional sobre a evolução (por exemplo, do bipedalismo), você não estará comparando nem ao mesmo as técnicas de argumentação entre os defensores da HMA e dos biólogos e antropólogos convencionais, e, assim, sua valoração será capenga.

      Você, pelo que parece, lê somente as versões filtradas pelos defensores da HMA (ou no máximo resumos encontrados em livros e artigos de divulgação científica). Porém, o maior problema é que se você ignora os pontos negativos da HMA e não parece se preocupar com as evidências que não favorecem a HMA, isso torna sua avaliação ineficiente e tendenciosa.

      ‘Eu não acho que as duas se antagonizem totalmente.’

      Esta sua impressão me parece decorrente do fato dos defensores da HMA irem e voltarem com sua hipótese sempre que alguém aponta para os problemas na lógica interna desta hipótese e/ou para questão da total falta de evidências que validem algum de seus postulados.

      ‘Não acho que seja apenas quando é conveniente a comparação com animais aquáticos. Acho lógica dentro da proposta.’

      O que você acha neste caso é irrelevante, quando eu indiquei vários dos problemas que depõem contra a suposta coerência da HMA, explicando por que as omissões de vários contraexemplos são convenientemente deixadas de lado pelos adeptos da HMA, fiz isso para mostrar como a argumentação deles é falha. Sem refutar o que eu afirmei (e expliquei), sua opinião sobre a suposta coerência da HMA é irrelevante nesta discussão.

      Mais uma vez, quero deixar claro que entendo que você tem todo o direito a sua opinião, mas sem encarar as criticas e realmente compreender as evidências, simplesmente achar que uma coisa é assim ou assado, não o levará a lugar nenhum em termos da compreensão da evolução humana.

      ‘Eu tenho visto coisas absurdas, que não têm nada a ver, no discurso dos que criticam. Por exemplo, o melhor nadador não foge do tubarão ou do crocodilo, logo, nunca o homem poderia ser aquático.

      Isso mostra bastante o seu viés em favor da HMA. Mesmo que esta formulação específica que você parafraseou seja exagerada – especialmente ao afirmar que por causa destes predadores ‘nunca o homem poderia ser aquático’ – a linha de argumentação por trás desta crítica é válida. Pior ainda. Como eu já afirmara na minha resposta anterior, esta crítica não é gratuita, mas surge como uma resposta a ideia apresentada pela própria Morgan, em seus próprios escritos, de que os ambientes aquáticos e especialmente marinhos seriam mais seguros que os terrestres. Este é o ponto. O fato é que eles não são. Isso refuta uma das razões que ela elencou originalmente para defender a maior plausibilidade da sua hipótese em relação ao modelo das savanas e a qualquer modelo defendido por especialistas da área.

      Ao invés de você reconhecer que a existência de predadores como os mencionados em ambientes aquáticos é, de fato, uma dificuldade para a HMA, portanto, a tornando menos plausível (e que deveria ser respondida de maneira séria pelo defensores desta hipótese, o que faz imperativo que sejam especificadas os tipos de evidências que poderiam resolver esta questão), você apega-se a uma formulação exagerada da crítica, como se ela fosse representativa dos tipos de críticas ‘injustas’ feitas a HMA.

      Lendo seus comentários, fico com a impressão que você parece bem encantado com a ideia de um único fator em nossa evolução, a adaptação a vida aquática, podendo esclarecer tantos ‘mistérios’. Porém, esta posição só é defensável caso sejam ignoradas as evidências disponíveis sobre a evolução humana e as objeções a HMA. O poder explanatório da HMA é superficial e ilusório, principalmente, por que, como disse antes, faz com que a evolução de várias características fenotípicas humanas tenha que ser explicada pelo menos duas vezes. Os modelos de evolução anatômica humana são bem mais diversificados e nuançados do que a HMA, refletindo o que temos descoberto sobre a anatomia dos homininas, e sobre contexto ambiental e geográfico dos fósseis nas ultimas décadas.

      Agora, note bem. As críticas a HMA não envolvem a negação pura e simples que os nossos ancestrais possam ter frequentado ambientes costeiros e lacustres e usufruído dos recursos ali disponíveis em certos momentos de sua evolução. Existem, de fato, evidências isotópicas e arqueológicas recentes que sugerem que populações humanas, há algumas dezenas de milhares de anos, viveram próximas a costa e alimentaram-se de frutos do mar e usaram outros recursos marinhos em uma época em que o contingente populacional humano havia sido muito reduzido. Algumas vezes os adeptos da HMA refugiam-se nestas evidências e esquecem-se que a hipótese deles é bem mais abrangente e ambiciosa do que isso.

      O ponto chave é que não existem quaisquer evidências de que esta habitação tenha perdurado por milhões de anos e que tenha envolvido linhagens humanas muito mais mais antigas, tendo funcionado como pressão para o tipo de características fenotípicas que a HMA se propõem a explicar – ou seja, bipedalismo, distribuição da gordura corporal, padronagem da pelagem, etc. Veja bem. Este tipo de evidência, como o caso de concentrações de certos isótopos em restos humanos, caso encontrada sistematicamente em fósseis de homininas extintos mais antigos (e caso estes fósseis fossem descobertos, sistematicamente, mais associados com ambientes marinhos e lacustres) poderiam fornecer evidências fortes favoráveis a HMA. Mas nada assim existe e os defensores da HMA não parecem procurar este tipo de evidências.

      Esse é um dos vários problemas com os proponentes desta hipótese que estou querendo ressaltar e que vão muito além do estilo retórico dos seus defensores, pois diz respeito a como estas pessoas portam-se como ‘cientistas’, não tentando, nem ao menos, estabelecer um programa de pesquisa progressista. Tudo que eles fazem é mudar a versão da HMA, quando encurralados, e reinterpretarem-na de maneira frívola e parcial as novas evidências, voltando as interpretações mais radicais quando deixados em paz por seus críticos, na frente dos leigos.

      ‘O que você disse que se exige treino pra ficar 20 minutos debaixo da água. Lamark explica isso aí, do uso-desuso.’

      Fábio, estas duas frases estão repletas de problemas. Estes problemas são típicos de quem cai quase que de para-quedas em uma discussão como esta sobre evolução humana e não tem, pelo menos, uma base em áreas como fisiologia comparativa ou mesmo fisiologia humana.

      Os 20 minutos a que você faz menção dizem respeito a um prova de apneia bem específica e bem artificial em que o tempo é contado após o indivíduo respirar O2 puro por um certo período, antes de submergir em um tanque de água, geralmente aquecido, e permanecer lá praticamente sem se mexer, gastando o mínimo possível de energia. Então, a menos que você tenha em mente que nossos ancestrais em sua suposta fase [semi]aquática dispunham de alguma fonte de O2 puro sobre pressão, este exemplo é completamente irrelevante.

      Dê um olhada na tabela de recordes da AIDA e você verá que o tempo máximo de apneia estática sem inalação de O2 em piscina foi de cerca de 11 minutos, mas quando você olhar os recordes de apneia dinâmica eles todos estão fica abaixo de distâncias de 250 metros em piscinas com temperatura controlada, e menos de 150 metros de profundidade, na categoria de mergulho livre com ajuda de cordas, com os tempos totais de duração do mergulhos sendo inferiores a 5 minutos.

      Imagine forragear, isto é, rastrear, pescar ou coletar ativamente presas sem o auxílio de cordas, nadadeiras, lastro ou máscaras de mergulho etc. Os tempos máximos são muito menores e bem menos impressionantes. Mas uma vez, é preciso um certo conhecimento prévio antes de poder avaliar a pertinência das evidências em relação as hipóteses as quias elas supostamente se relacionariam.

      É por essas e outras que a HMA mantém vivo seu atrativo superficial, principalmente, entre aqueles que não estão acostumados as informações e as formas de avaliar as evidências em seu conjunto e em mais profundidade. Por causa destes pseudomistérios e exageros é que as pessoas continuam achando que a HMA realmente explica muita coisa, quando de fato ela não o faz. Meu conselho é que você desenvolva uma abordagem e postura mais crítica com relação as supostas evidências com as quais você se depara.

      Sobre a segunda frase, além do fato destes recordes específicos serem irrelevantes para a presente discussão, não vejo como Lamarck e a menção ao uso e desuso poderiam explicá-los. A não ser que você esteja sugerindo que a estas supostas habilidades adquiridas durante a vida de um indivíduo pelo o uso ou desuso de certas estrutura (como os seus pulmões) possa ser passada às gerações futuras por algum mecanismo biológico hereditário, estas menções não fazem sentido.

      No entanto, caso você esteja sugerindo algo assim, eu pergunto: Quais as evidências? O modelo de herança de caracteres adquiridos pelo uso e desuso, apesar de certas especulações envolvendo a herança epigenética transgeracional, não é aceito pela moderna biologia como uma base crível para a evolução de organismos multicelulares como nós. Amontoar especulações umas em cima das outras não é uma maneira de responder às críticas a HMA, mas, infelizmente, é o padrão comum de resposta das pessoas que a defendem. Como alguém preocupado com educação científica é isso que mais me incomoda.

      ‘Um homem ter meia tonelada foi um outro documentário que eu vi. É patológico, mas é incrível a forma como fica tanto sob a pele.’

      E qual a relevância disso? O simples fato de existir variação humana desta magnitude (principalmente quando ela é patológica, demandando um aporte calórico extremo) não é suficiente para tornar este exemplo relevante. Você pode até se admirar com isso, mas caso você não especifique como isso reforçaria a HMA, levantar esta exemplo nem faz sentido. Apenas para lhe dar mais algumas informações sobre a questão. Não existem evidências de que nossa dieta tenha sido tão absurdamente calórica em um passado mais remoto. Só em tempos bem modernos, após a industrialização e a revolução verde na agricultura, é que começamos a ver este padrão. Isso, aliás, ajuda a explicar a atual epidemia de obesidade e sobrepeso em países desenvolvidos e emergentes.

      Na verdade, uma das hipóteses que preconiza uma certa base genética para o excesso de peso em tempos modernos, a chamada ‘hipótese do gene de economia’, defende que em tempos mais remotos por causa de escassez de alimentos ou pelo menos por causa da constante insegurança alimentar, alelos (isto é, variantes genéticas) que aumentavam a deposição de gordura tenham sido favorecidos.

      O problema da obesidade e das doenças metabólicas associadas a esta condição seria o resultado da oferta exagerada de calorias e da baixa atividade física, respectivamente, oferecida e demandada, em tempos modernos, especialmente, em sociedades desenvolvidas e mais economicamente abastadas. Esta combinação é que teria permitido que certas pessoas atingissem estes extremos de peso. Portanto, o excesso de gordura não seria uma adaptação em si, mas uma consequência de termos evoluídos em condições de insegurança alimentar e flutuação da quantidade dos recursos dietários, o que tornaria vantajoso (nestas condições) acumular o pouco de gordura mesmo frente a um consumo calórico só um pouco mais alto do que a média. Porém, em temos modernos, esta adaptação ancestral ‘voltou-se contra nossa saúde’, já que vivemos em um período que muitas sociedades têm a sua disposição muita comida a baixos preços e de alto teor calórico. Esta hipótese têm algumas evidências contra e a seu favor e é bastante debatida entre os cientistas, mas o mais importante é que ela é investigada de maneira ativa pela comunidade científica que faz isso, tanto acompanhando populações humanas que passaram recentemente de modos de subsistência e baixo aporte calórico para níveis de alimentação mais ocidentalizados (por causa de mudanças socioeconômicas e culturais), como por meio da avaliação de vários genes, e suas variantes, candidatos a ‘genes da economia’ que estariam ligados com o transporte, absorção e metabolismo de açúcares e gorduras.

      ‘Tiravam blocos de 20 kgs de gordura dele. Proporcionalmente, temos um excesso natural de gordura acumulada no corpo.’

      Que não parecem ser funcionalmente propícios a natação e que varia muito de indivíduo para indivíduo. Sem mencionar o fato que pessoas como estas, tem uma série de problemas de locomoção e gozam de péssima saúde. Não dá para justificar uma hipótese com este tipo de raciocínio por exemplificação de exceções e extremos. Contudo, existe um problema maior nossa quantidade e distribuição de gordura só é diferente das de outros primatas se eles são mantidos em dietas de cativeiros restritas. Caso contrário a distribuição é muito parecida. Mas um falso mistério que a HMA se propõem a explicar. Morgan e os adeptos da HMA fazem isso o tempo todo citam informações pela metade e fora de contexto para parecer que a substância na sua hipótese, mesmo quando não há nada de extraordinário nas características humanas em relação a de outros primatas (e mamíferos de modo geral) não aquáticos. Leia o site de Jim Moore.

      ‘Um macaco jamais engordaria na mesma proporção. Tem o fato dos bebês também, que já nascem gordinhos e nadando., etc.’

      Mesmo que isso seja verdade (e não sabemos disso, já que não fizeram este experimento específico e não temos populações tão grandes de animais deste tipo para fazê-lo, além de eu duvidar da aceitabilidade ética de um experimento como esse), isso não prova e nem ao menos indica nada em favor da HMA. Lembre-se que a adaptação a vida aquática precisa realmente ter implicações anatômicas, fisiológicas e biomecânicas que facilitem a vida na água. Então, seria preciso evidências adicionais rigorosas que mostrem que este seja o caso. Entenda bem, simplesmente citar que temos, supostamente, um pouco mais de gordura (sem comparações quantitativas abrangentes e precisas e a indicação de correlações funcionais) não é suficiente nem para começarmos a fazer a conversa andar.

      ‘Prova pra mim, é tudo que se usa pra embasar um argumento e a ele está anexo. Fatos, testemunhas, corpos, etc. ‘

      Fico com a impressão que você está com um certa dificuldade de distinguir artifícios retóricos, como o uso de certas falácias (como comparar a hipótese preferida com caricaturas das alternativa) de uma avaliação realmente cuidadosa e rigorosa das evidências empíricas. Um exame superficial e enviesado das evidências pode ser usado para embasar qualquer argumento, mesmo os mais absurdos. É por isso que precisamos avaliá-las em conjunto e em maior profundidade, pelo menos, caso desejemos mantermo-nos dentro de uma perspectiva científica mais rigorosa.

      ‘Eu não estabeleço relevância do que é apresentado, mas no que se aplica.’

      Ou seja, você fica apenas com o que se encaixa na sua visão e despreza o que não se encaixa ao mesmo tempo que demanda mais rigor nos que defendem outra ideia? Isso é um tipo de abordagem bem problemática e tendenciosa, nada adequada à avaliação de hipóteses e modelos científicos.

      Diferente do que você parece pressupor, é preciso, sim, pesar a qualidade das evidências e avaliá-las de maneira mais crítica, estabelecendo sua relevância ou não para a discussão. Caso contrário, não estamos mais lidando com ciência rigorosa, mas apenas com especulações frívolas, o que pode até alimentar uma ocasional conversa de bar, mas não serve para estabelecer uma hipótese como cogente e cientificamente produtiva.

      ‘Não sou tão cético, nem tão delirante.’

      Aqui creio que é mais um ponto em que nos distinguimos bastante. Para mim o ceticismo é uma qualidade, especialmente a forma de ceticismo adotada pela comunidade científica. Não podemos avaliar ideias sem que levemos em conta a proporcionalidade e a força das evidências e assumamos uma postura crítica frente as mesmas. Além disso, como eu havia dito antes, por causa da postura dos adeptos da HMA, esta hipótese não fornece uma perspectiva científica estimulante e que possa conduzir o desenvolvimento da pesquisa. Por isso, a imensa maioria dos cientistas, que estudam realmente as questões que ela se dispõem a explicar, rejeitam a HMA.

      ‘E por último. eu trate da biografia do Darwin, por uma questão ideológica. ele foi criado pra ser um religioso, mas foi um cientista brilhante, genial, e terminou agnóstico. A idéia de seleção natural soa bem no mundo competitivo que a gente vive. Como o formato humano dado às sereias ou aos ETs ou até Deus fazem isso ser popular.’

      A origem de Darwin e mesmo de Morgan é completamente irrelevante, embora para questões de precisão histórica é bom deixar claro que quando Darwin propôs publicamente sua teoria (que foi co-proposta de maneira independente por Alfred Russel Wallace, diga-se de passagem), ele já era um naturalista respeitado e bem conhecido. Portanto, creio que estas comparações e menções a origem religiosa dele são completamente irrelevantes para a presente discussão. Contudo, sua afirmação também choca-se contra os fatos em outros pontos. Como eu já havia explicado, as ideias de Darwin permitiram que os cientistas desenvolvessem um incrível e produtivo campo de pesquisa empiricamente orientado e muito bem desenvolvido em termos teórico-matemáticos, a despeito da ideia de seleção natural ser ou não palatável em um mundo competitivo [De fato, não parece ter sido esse o caso entre o final do século XIX e começo do século XX, como discuto em seguida]. Nada disso é equivalente a HMA.

      Porém, existe outro problema como sua comparação, como eu também havia comentado, a seleção natural, foi o ponto mais criticado na abordagem de Darwin pelos demais cientistas (em contraste com a maioria dos leigos mais religiosos que aterrorizavam-se com a perspectiva de serem parentes dos demais seres vivos, descendo de animais não humanos) tendo passado por um período de obscurecimento na comunidade científica, sendo, apenas, amplamente aceita, dentro da biologia evolutiva, a partir dos anos 30 e 40 do século XX com o advento da síntese moderna.

      Neste caso, a percepção na elite não científica da ideia de seleção natural, que levou a tolices como o Darwinismo Social, por exemplo (que realmente capitaram o imaginário competitivo deste período), esteve em franco contraste com sua avaliação pela comunidade científica que só incorporou o princípio de seleção natural, como mecanismo essencial para a evolução adaptativa dos seres vivos, somente quando modelos matemático-estatísticos dos processos evolutivos se estabeleceram. Esses modelos permitiram a unificação da tradição biometristas de herança de características quantitativas com o modelo de herança mendeliana particulada de características discretas que se deu por meio genética de populações com o trabalho de Ronald Fisher.

      Isso mostra o cuidado que precisamos ter ao diferenciar a atração superficial de certas ideias, principalmente para os leigos, da percepção e aceitação das mesmas por parte da comunidade científica e, principalmente, por parte dos especialistas na área em que estas ideias deveriam aplicar-se. O fato das ideias parecerem mais palatáveis e atrativas por que guardam alguma familiaridade superficial com nossas visões de mundo e preconceitos deveria, na verdade, nos deixar em alerta.

      ‘Enfim, Rodrigo, eu estou lendo bastante, dentro do que posso, sobre isso. Adorei ler sobre as referências da Elaine Morgan, Thomas Khun, sobre o Dawkins (estou até lendo um livro dele: “Deus, o delírio”).’

      Fico contente que você se interesse por ciência e filosofia e esteja expandindo suas leituras. Para mim é fundamental que as pessoas que não são especializadas em campos técnico-científicos, adquiram uma compreensão geral razoável de como as ciências funcionam – do que é e o que não minimamente consensual entre os cientistas e, principalmente, de como separar ciência da pseudociência ou, pelo menos, a ciência bem estabelecida e daquelas ideias mais especulativas. Porém, lendo seus comentários e sua lista de leituras, não posso deixar de me preocupar com a forma pela qual você está entrando nestes assuntos. Creio que, se você realmente está interessado em ciências, poderia fazer melhor.

      Uma das coisas que indico é começar a se informar sobre as teorias e hipóteses mais convencionais sobre evolução humana por meio de material escrito por especialistas no assunto, além de tentar familiarizar-se com a biologia evolutiva de maneira mais geral; principalmente, com seus métodos, padrões de argumentação e as evidências empíricas e analíticas que são investigadas pelos cientistas deste campo. Lendo os autores mais especulativos e menos rigorosos vai sempre lhe dar uma percepção distorcida do consenso. O problema é que, para avaliar novas ideias (principalmente as mais diferentes), é preciso ter os dois pés bem firmados no chão, caso contrário a pessoa pode ser facilmente levada pelo estilo da argumentação, deixando fatos importantes de lado. Por isso, cuidado.

      Alguns comentários sobre suas leituras. Embora Kuhn seja leitura obrigatória para os interessados em filosofia da ciência, meu conselho é que não pare de jeito nenhum nele. Existe uma tendência entre os leigos no assunto que é a de ficarem imitados aos autores canônicos, como Popper e Kuhn, apenas. Os dois, sem dúvida, são brilhantes filósofos que deram contribuições importantes para a moderna filosofia da ciência, mas cujas obras e visões estão crivadas de problemas e, no máximo, nos fornecem uma visão bem limitada e inicial da prática científica e da moderna filosofia da ciência.

      A filosofia da ciência não parou com estes autores, como parece ser a perspectiva de muitos leigos que parecem pensar que nada ocorreu depois do Círculo de Viena, Popper e Kuhn, quando muito chegando em filósofos como Feyerabend e Lakatos, mas que também não esgotaram o assunto. Felizmente, existem bons livros mais modernos introdutórios à Filosofia da Ciência que vão além destes autores, os apresentam de maneira crítica e focando-se mais em questões,problemas e soluções do que nas formulações específicas dos autores originais.

      Apenas para citar alguns dos problemas a que me refiro:

      Além da ambiguidade do termo ‘paradigma’ (que até hoje confunde muita gente) e um certo exagero não bem justificado da ideia de incomensurabilidade, a própria abordagem historiográfica de Kuhn foi bastante criticada e algumas das conclusões, inferidas por ele, podem, portanto, simplesmente, não se sustentarem. Além disso, o que é mais relevante no contexto de nossa discussão, o modelo de revoluções científicas que ele propôs não parece ser muito aplicável à biologia, especialmente a biologia evolutiva, desde Darwin até os dias de hoje. Usá-lo sem conhecer a história e as especificidades deste campo, portanto, pode levar a conclusões bem enganadoras.

      Algo semelhante pode ser dito sobre Popper em virtude das limitações do seu modelo ‘falsificacionista’ das teorias científicas. Embora ele capture um ingrediente essencial na avaliação das hipóteses, modelos e teorias científicas (ou seja, levar a sério as evidências negativas que mostram-se incompatíveis com a ideia testada, o que aliás é exatamente um dos problemas da HMA), este modelo não deve ser visto como uma descrição completa de como os cientistas agem ou mesmo de como eles deveriam agir frente a toda e qualquer discrepância.

      Sobre Dawkins, ‘Deus, é um delírio’, eu lhe adianto que, na minha opinião pessoa, este livro não traz Dawkins em seu melhor. Mesmo que este livro esteja impregnado do viés científico que caracteriza a argumentação dele, a empreitada de Dawkins neste caso específico é, claramente filosófica, mesmo que ele não se sinta muito confortável com este rótulo. Isso faz com que ele, por vezes, argumente de maneira bem simplista e misture alguns tópicos, o que não deveria acontecer em um livro tão filosófico como o dele. Este livro até pode ser encarado com uma introdução bem preliminar e bem razoável aos debates entre ateus e teístas, principalmente, por causa da prosa clara que caracteriza os escritos de Dawkins, mas creio que ele não deva ser encarado como muito mais do que isso.

      Os dois últimos livros dele sobre evolução que ele escreveu, ‘O grande espetáculo da terra’ e “A grande história da evolução” são bem mais indicados, apesar de deixarem certos temas importantes de lado, já que Dawkins é bastante focado na perspectiva ‘adaptacionista da biologia evolutiva, o que o faz interessar-se quase que exclusivamente pela seleção natural.

      ‘Grande abraço e obrigado novamente, pelas informações e parabéns pelo seu blog. Achei muito legal e bem feito.’

      Fico feliz que apesar de nossas discordâncias, você tenha achado este blog de algum valor. Realmente muito obrigado.

      Abraços,

      Rodrigo

      —————————
      Chalmers, A. F. O Que é ciência afinal? (Trad; Raul Fiker) 1ª edição, São Paulo: Brasiliense editora, 1993. 224 p.
      Chalmers, A. F. Fabricação da ciência, A (Trad: Sidou, Beatriz) 1ª edição, São Paulo: UNESP editora, 1994. 185 p.
      French, S. Steven. Ciência: conceitos-chave em filosofia. (Trad.: André Klaudat). Porto Alegre: Artmed, 2009. 196 p.
      Gewandsznajder, Fernando. O método nas ciências naturais. São Paulo: Ática, 2010. 144 p.
      Lewin, R. Evolução humana. São Paulo: Atheneu, 1999. 526 pg.
      Lewin, R., Foley, R.A., Principles of Human Evolution, 2nd Ed., Blackwell Science Ltd, 2004. 576 pg
      Meyer, Diogo; El-Hani, Charbel Nino. Evolução: o sentido da biologia. 1ª edição São Paulo: Unesp, 2005. 136 p.
      Ridley, Mark. Evolução 3ª edição Porto Alegre: Artmed, 2006. 752 p.
      Freeman, S; Herron, J. C. 2009. Análise Evolutiva. Porto Alegre: ArtMed Editora 4a. ed Porto Alegre, 2009. 831 pg
      Williams, George C. O brilho do peixe-pónei: E outras pistas sobre o plano e a finalidade na natureza, Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 168 p.
      Wood, B. Human Evolution: A Very Short Introduction.Oxford University Press, New York, 2005. 144 pg.
      Zimmer, Carl. O livro de ouro da Evolução. 1ª edição Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. 600 p.

  3. Francisco says:

    É o sensacionalismo e o uso da mídia neste programa demonstram a superficialidade da divulgação científica no mundo contemporâneo. Os eventos ficcionais apelativos transvestidos de ciência criam um sério problema, no sentido de criar uma “opinião pública”, que não consegue separar ciência de ficção, e que desconhecem as dificuldades da formulação de hipóteses científicas dentro do debate científico rigoroso feito por cientistas evolucionistas e paleo-antropólogos, de preferência com a busca de comprovação factual por exemplo, por evidências fósseis. Quanto a “hipótese” do primata aquático, Renato Bender recentemente realizou experimento, em que chimpanzés conseguem aprender a nadar e mergulhar, a exemplo dos humanos, o que não seria, então uma exclusividade do primata humano, desde que haja aprendizado e a transmissão cultural deste comportamento. Além disto, se descartam outros prováveis mecanismos evolucionários alternativos a esta hipótese anedótica, como a seleção sexual para explicar a questão da perda dos pelos, ou a busca da regulação da temperatura corpórea pela postura bípedal são simplesmente ignoradas no documentário, com o direcionamento do programa para a aceitação da existência de “sereias”. Embora o próprio Canal admita que se trata apenas de uma brincadeira, por sinal de mau gosto, por criar um ambiente de confusão, pela própria desinformação da população em relação aos mecanismos da ciência real mesmo com os limites do método positivista popperiano caracterizado pelo falsificacionismo e refutacionismo. Este cenário demonstra um analfabetismo científico que precisaria ser corrigido por políticas públicas educacionais voltadas para a educação científica. Além disto, o medo Orwerliano das forças militares totalmente legítimo em outras esferas, como no caso, de produção de evidências para invadir determinados países é trazido também como argumento de sedução do público para os supostos aspectos conspiratórios e de encobertamento das sereias por órgãos governamentais representados por cientistas também de cunho ficcional. Parece que descobriram um novo nicho para aumentar as receitas e a audiência para um publico sem embasamento científico que acredita em óvnis, espíritos, milagres, e que se empolga com a pseudo-ciência e o esoterismo supostamente capazes de comprovar, lendas, mitos e fábulas. Talvez, este seja, apenas um reflexo do mundo social e cultural contemporâneo em que a informação é veiculada como entretenimento e como material descartável que possa ser consumido na maior proporção possível sem compromisso inclusive com as verdades provisórias da ciência e do método/métodos científicos, desconsiderando toda a complexidade do campo científico, dos seus atores e de suas formulações.

  4. William Coelho says:

    Olá, Gostaria de expor meu ponto de vista: não vou citar fontes científica visto que meu comentário tem base apenas no meu raciocínio: me corrijam se estiver errado!
    Acredito que comentando sobre a anatomia e adaptação das sereias (a suposta nova espécie) não provaremos sua existência ou não .

    E Outro ponto que penso sobre os mesmos cientistas que defendem a Teoria da Evolução desaprovarem uma possível teoria de que há uma espécie que evoluiu nas águas (Teoria do Macaco Aquático). Sendo assim a própria Teoria da Evolução chegaria a seu fim, por estar negando a um fato da mesma linha de raciocínio! Dai a unica teoria que sobrará para acreditar será o (Criacionismo).

    Se existe ou não sereias, agora dum ponto de vista mais conspiratório me pergunto o seguinte! o Os governos gastam tantos bilhões em exploração espacial(evidencias de extraterrestres) e porque nunca o interesse se saber se dentro da própria terra (Oceanos e Mares) há diferentes formas de vida?…

    • rodveras says:

      Olá, William. Obrigado por ter comentado:

      “Olá, Gostaria de expor meu ponto de vista: não vou citar fontes científica visto que meu comentário tem base apenas no meu raciocínio: me corrijam se estiver errado!”
      Farei isso com todo o prazer!

      “Acredito que comentando sobre a anatomia e adaptação das sereias (a suposta nova espécie) não provaremos sua existência ou não.”

      Não, mas assim mostro que a fantasia do Animal Planet não é tão plausível como eles fazem parecer e envolve alguns equívocos e mal usos do conhecimento em biologia comparativa. Esse é o ponto. Como o AP não apresenta evidencias reais e sólidas de que as sereias existem, ele apenas envereda por um exercício de ficção para ilustrar alguns princípios científicos, é fundamental avaliar a qualidade do produto que eles ofereceram. Note bem, o AP não alega que o documentário é real, eles apenas fizeram avisos e desmentidos ambíguos para gerar mais audiência e polêmica. Os ‘cientistas’ retratados ali não existe e nem as evidencias específicas para a existência das sereias, como os vídeos de celulares e as filmagens de submersíveis. Isso tudo é a parte de ficção. Compreendeu?

      “E Outro ponto que penso sobre os mesmos cientistas que defendem a Teoria da Evolução desaprovarem uma possível teoria de que há uma espécie que evoluiu nas águas (Teoria do Macaco Aquático). Sendo assim a própria Teoria da Evolução chegaria a seu fim, por estar negando a um fato da mesma linha de raciocínio! Dai a unica teoria que sobrará para acreditar será o (Criacionismo).”

      Este seu segundo comentário não faz o menor sentido. Ele é o que os filósofos chamam de non sequitur, ou seja, suas conclusões não se seguem de suas premissas. Pense bem. Por que o fato dos cientistas rejeitarem uma hipótese especulativa específica sobre a evolução humana refutaria a teoria da evolução como um todo, apenas por que ambas teriam em comum uma origem aquática? Viu o problema desta linha de argumentação?

      Caso não tenha ficado claro: O problema com a ‘teoria do macaco aquático’ não é a origem na água em si, mas a total falta de evidências para esta fase aquática de nossos ancestrais e, principalmente, o padrão falacioso da argumentação dos proponentes desta hipótese especulativa que destoa dos ideais perseguidos na comunidade científica. Em franco contraste, a evolução biológica é apoiada por uma gigantesca gama de evidências, inclusive fósseis de organismos, sendo os mais antigos aquáticos. O que é colocado em dúvida na ‘teoria do macaco aquático’ é o COMO a evolução humana teria se dado na perspectiva de seus proponentes (e as evidências que teríamos disso) e não SE a evolução teria ocorrido (ou não), o que hoje é considerado um fato consensualmente aceito no meio científico. Entendeu?

      “Se existe ou não sereias, agora dum ponto de vista mais conspiratório me pergunto o seguinte! o Os governos gastam tantos bilhões em exploração espacial(evidencias de extraterrestres) e porque nunca o interesse se saber se dentro da própria terra (Oceanos e Mares) há diferentes formas de vida?…”

      Na verdade, os governos gastam muito dinheiro explorando os oceanos e a vida marinha e existe sim um grande interesse em encontrar novos tipos de seres vivos nos mares. A pesquisa em biologia marinha e oceanografia é tremendamente interessante e tem um papel essencial no manejo de ecossistemas e dos estoques naturais de peixes e outros organismos marinhos dos quais dependemos. Até concordo que este tipo de pesquisa mereceria ainda mais investimento. Porém, existem algumas questões de escala e de logística que a diferenciam da exploração espacial. Por exemplo, os alvos de pesquisa dos estudos sobre vida marinha não são astros ou regiões específicas, mas vastas áreas submersas muitas delas submetidas a incríveis pressões. Além do mais o tipo de informação que muito da pesquisa especial obtém com sondas espaciais e radiotelescópios etc nós obtemos dos oceanos de maneira semelhante com sistemas robóticos e por análise de sonares e imagens de satélite dos leitos marinhos. Por fim, existe uma ligação entre pesquisa em astrobiologia e biologia marinha. Muitos astrobiólogos usam como modelo de possível vida alienígena, os micróbios que habitam sistemas geotérmicos no fundo do mar e fazem parte de sua pesquisa investigando estes microrganismos e estes sistemas de fumarolas e hidrotermas batiais.

      Agora, acho que preciso lembrar que criaturas como as sereias são seres mitológicos, com muitas das lendas sendo resultado da imaginação humana e da confusão com o avistamento de animais como os manatins e dugongos e mesmo de mulheres pescadoras de pérolas que são comuns em algumas culturas. Não é preciso muito para imaginar como estas lendas podem ter surgido. O programa do AP é que tentou dar uma roupagem científica e moderna (sem sucesso) ao mito, imaginando como seria se as sereias fossem animais e não seres sobrenaturais, tendo evoluído de hominídeos que a exemplo de alguns outro mamíferos teriam ‘voltado a água’, como foi o caso dos cetáceos, pinipédios etc.

      Então, como o programa do AP é ficção e as evidências ali apresentadas não são reais, não há por que supor que as sereias existem com maior probabilidade do que era o caso antes do AP ter feito e veiculado este programa. Nenhuma nova evidência foi descoberta e as especulações com base da ‘teoria do macaco aquático’ são muito implausíveis para serem levadas a sério e, portanto, não se sustentam. Caso o AP deixasse estas coisas mais claras e não confundisse seus telespectadores da forma que fez, o programa poderia até ter tido uma função pedagógica maior ao focar mais nos exemplos reais de evolução de mamíferos aquáticos que nos mostram criaturas fantásticas e muito inteligentes.

      Abraços,

      Rodrigo

  5. Rebeca says:

    Bem… eu sou conspiracionista por natureza…
    E explico o motivo:
    Acredito e já vivenciei experiencias onde pude comprovar que existe uma grande manipulação de infirmações e das nossas vidas. E não só na mídia… mas geral…

    Eu já fiz pesquisas de campo… para ufologia… e até para paranormalidade e afirmo de boca cheia: o bom pesquisador é àquele que busca todos os tipos de respostas plausíveis.
    É justamente o que o Sr Rodrigo fez – pesquisar para desmentir… ótimo!
    Esse é o caminho.

    Mas quando se trabalha em campo… bem… as coisas mudam! Já me deparei com coisas sem explicação e até com pessoas que antes afirmavam que viram algo, meses depois negarem tudo e apresentarem sintomas pós traumáticos (aquele famoso c* na mão!).

    Já sofri censura em mídia… já ví teorias onde Kennedy foi morto por começar a falar demais (assim como Michael Jackson). E já ví pessoas piradas jurarem que ‘viram’ e estar óbvio que estavam mentindo.
    Enfim… já passei por situações e ví coisas que me fizeram concluir que o mundo não é bem como nos contaram ou como nos contam por aí. Ou como pesquisamos na internet…

    Vamos e convenhamos – mesmo que com o intuito de ‘dar ibope’: Não é muito trabalho?
    Lançar uma informação a público, que dá a entender que é real… para depois desmentir “sem estar desmentindo”?
    Lançar um site para ser bloqueado?

    Dentro da minha ótica tem algo estranho por trás disso tudo. Não desacredito… da mesma forma como não mergulho de cabeça… só creio no que pesquiso pessoalmente…

    Aí vai o meu convite… quem tem coragem de ir pra campo?
    rsrsrs

    Abraço!

    • rodveras says:

      “Vamos e convenhamos – mesmo que com o intuito de ‘dar ibope’: Não é muito trabalho?
      Lançar uma informação a público, que dá a entender que é real… para depois desmentir “sem estar desmentindo”?
      Lançar um site para ser bloqueado? ”

      Basta ver a audiência e o retorno financeiro que o AP e o DC conseguiram com estes programas. Dentro de um ótica puramente empresarial e que não tem respeito pela precisão das informações, isso é o esperado. Triste, mas nada de se espantar. Por isso a minha indignação e a de muitas outras pessoas, especialmente as que vão a campo, como os oceanógrafos e biólogos marinhos, que tem que depois destes programas desfazer essas fantasias.
      Além do mais, esta mentalidade conspiracionista é sempre auto-validatória, pois as próprias evidências que mostram a implausibilidade ou não factualidade de algo são usadas como validação de uma conspiração de acobertamento.🙂
      [ ]s

      • Rebeca says:

        Dentro da lógica dos cifrões $$$$$$$$$$$$ está correto!

        Simplesmente acho que é muito trabalho para criar dissonância do telespectador.

        Afinal de contas quem para para ter TV por assinatura, assiste entretenimento na Warner, Multishow… e por aí vai. Se um cara assiste um canais sobre documentários ele está interessado em informações certo? Pra quê uma emissora que deveria ter compromisso com a verdade, faria algo para desmentir? Queima o filme! hehehe

        Tavez o foco de denúncia não seja as sereias em sí… talvez sejam os testes com Sonar… que realmente estão prejudicando toda a vida nos oceanos.

        As sereias podem ter sido um chamariz – mas a informação em sí consiste nos testes com sonar. É uma hipótese interessante! Que achas?
        É isso que quero dizer que tem algo estranho em tudo isso….

        Tudo bem que estou especulando… Mas é uma estratégia boa, para despertar no inconsciente das pessoas um adendo para uma verdade: os testes… os acobertamentos. Não as sereias em sí… mas o cenário de algo que vêm acontecendo há décadas: acobertamento e manipulação de informações a fim de favorecer as grandes empresas – petrolíferas, etc…

        Que achas meu caro?
        Abraço

      • “Tudo bem que estou especulando… Mas é uma estratégia boa, para despertar no inconsciente das pessoas um adendo para uma verdade: os testes… os acobertamentos. Não as sereias em sí… mas o cenário de algo que vêm acontecendo há décadas: acobertamento e manipulação de informações a fim de favorecer as grandes empresas – petrolíferas, etc…”

        Eu acho que se a intenção deles era essa, o que eles fizeram nem ao menos chegou perto do efeito supostamente pretendido. A maioria das pessoas só quer saber das sereias. Eu mesmo escrevi como é triste que as pessoas percam tanto tempo com essas fantasias quando existem problemas de verdade enfrentados por animais reais sensíveis e inteligentes, como são, exatamente, o caso dos cetáceos. Para mim foi exatamente o contrário, eles usaram o encalhamento (e o bloop) para dar mais verossimilhança para a ficção deles.

        Mas aí ambos estamos especulando, pois ‘entrar na cabeça’ dos produtores e roteiristas é muito complicado.

        Grande abraço,
        Rodrigo

  6. Rebeca says:

    Já que percebi que você é bom de papo – vou abusar! hehehe
    Você já deu uma pesquisada sobre encalhes de baleias, golfinhos… ?
    Acredito que deve saber que eles se comunicam e seguem seu curso migratório por meio de um tipo sonar… certo?
    Só que esses animais magníficos, tem encalhado direto… é só pesquisar… você acha bastante coisa.
    Aí por outro lado, você vê empresas como a petrobrás assumindo publicamente interesse com o eco-sistema…auto-sustentabilidade e o escambau…
    Não é estranho? Associa os fatos, as pesquisar e informações vendidas… não batem! hehehe
    Tem algo estranho acontecendo…

    • Existem pelomenos um grande problema com isso. O aumento de casos pode ser simplesmente associada ao aumento dos relatos, ou seja, mais pessoas, mais pessoas interessadas (cientistas, conservacionistas etc) e mais cobertura de mídia. Outro ponto importante é que o maior suspeito desses supostos encalhamentos extras são os sonares militares de submarinos, muito mais potentes e muito mais sigilosos, sobre os quais as sociedades civis tem muito menos controle. Não creio que isso tenha muita relação com empresas como petrobrás, embora, sem dúvida, elas também usem sonares.

      No caso da exploração petrolífera, o maior problema são os vazamentos mesmo que destroem ecossistemas inteiros e matam vários animais de uma vez só.

      Entenda. Concordo que é uma preocupação legítima e que a possibilidade precisa ser investigada, mas ficar só na especulação não é o melhor jeito de fazer isso. Embora, no caso de nós dois, não há muito mais o que possamos fazer, além disso e de tentarmos nos informar a partir de fontes confiáveis e ter em mente outras possibilidades como forma de controle das nossas suspeitas.

      Grande abraço,

      Rodrigo

  7. Robert Jr says:

    Caraca quanta lenha esses canais puseram nos mitos.

    Bem a primeira coisa que tentei foi checa os personagens do programa, nem li o post todo para perceber que não existem. Os cargos e nomes não foram cruzados. Desculpem mas em 2005 não existia nenhum registro de imagens feita de forma digital enviada por email, nada fora do local do confisco de materiais da cidade do cabo ?

    Bom parei por aqui. Se um dia alguém trouxer evidências tangíveis e com reconhecimento por pessoas reais não terei problema nenhum em assumir que eles tinham razão e eu me enganei.

    Parabéns pelo post e pelo site, vou dar uma olhada em outros artigos e ver o que mais tem por aqui.

    • rodveras says:

      Obrigado por comentar, Robert. Seja bem vindo ao blog.🙂

      Creio que todos nós ficaríamos maravilhados e felizes em admitir que estávamos enganados, caso evidências realmente rigorosas e convincentes fossem apresentadas. É uma pena que o DC e AP tenham enveredado por este caminho. Poderiam ter feito o mesmo programa deixando claro o que é ficção e o que é fato. Os telespectadores iriam aproveitar muito mais.

      Grande abraço,

      Rodrigo

  8. Rebeca says:

    Concordo com vocês… poderiam separar o joio do trigo… o engraçado é que quando se faz pesquisa a fundo – as únicas informações que se acha – aqui na net, pelo menos, são ligadas à tudo que o AP e o DC passaram… nada mais. A única coisa relevante que encontrei (que nem é tanto assim) foi um relato de Cristóvão Colombo em seu diário de bordo… de resto… só balela…

    Abraço

  9. Pingback: De novo a história das sereias* | calmaria&tempestade's Blog

  10. Lia says:

    realmente não sei no que acreditar, eu tenho certeza de que mesmo que essa historia seja uma grande mentira, existe alguma coisa la no fundo que é verdade, é muito fácil falar que não existe já todos pensam assim,mas o ser humano com todo conhecimento que tem não pode afirmar que não existe uma vez que ele não conseguiu explorar nem 10% dos oceanos. eu tenho minha mente muito aberta e no dia que alguém conseguir explicar o que acontece no triangulo das bermudas e do dragão, por que ate hj ninguém conseguiu explicar, pelo o que eu sei também esta envolvido com os oceanos. no dia que alguém dominar esse assunto, nesse dia eu penso se devo para de acreditar que criaturas desconhecidas existem.
    não sou ninguem para mudar a maneira das pessoas pensarem, mas tenho meu pensamento formado e acredito que o homem sabe muito pouco sobre nossos oceanos, sobre o que vive e acontece lá.

    • rodveras says:

      Vamos por partes, Lia:

      “realmente não sei no que acreditar, eu tenho certeza de que mesmo que essa historia seja uma grande mentira, existe alguma coisa la no fundo que é verdade,”

      Tudo bem, vc tem todo o direito de pensar assim e ter certeza do que quiser. Porém, caso queira entrar em uma discussão mais ampla e embasada é preciso apresentar evidências e argumentos cogentes, deixando nossas ‘certezas subjetivas’ de lado.

      Então, só quero deixar claro que, como eu disse, não existem quaisquer evidências convincentes de que os programas são documentários ou entrevistas reais, muito pelo contrário, como os próprios desmentidos e entrevistas com o produtor já deveriam ter deixado isso claro. Nenhum dos supostso achados foi apresentado a comunidade científica e muito menos publicado em um periódico especializados, todos os envolvidos são atores e não cientistas de verdade e, finalmente, apesar da ambiguidade dos desmentidos, o Animal Planet não apresenta os programas como documentários de verdade, está claro que ele é todo permeado de elementos ficcionais. Esse é o ponto mais importante. O problema é que eles não dizem o quão pouca coisa é real no programa:

      1) Existe um som chamado ‘Bloop’ registrado por hidrofones espalhados a milhares de quilômetros de distância, mas ele nem de longe parece com o som apresentado no programa do AP.
      2) Baleias encalham e existem suspeitas que os sonares militares possam ser uma das causas.
      3) Vários mamíferos aquáticos evoluíram a partir de mamíferos terrestres ancestrais
      4) Existem uma hipótese chamada ‘hipótese do macaco aquático’, defendida entre outras pessoas, por Elaine Morgan, mas que não é aceita pelos especialistas em evolução humana por uma série de bons motivos, com o o fato de não existirem quaisquer evidências em favor desta ideia e por que seus defensores a apresentarem de maneira tendenciosa e pouco profissional, mudando suas alegações toda vez que são colocadas em cheque e usando informações incompletas e distorcidas para apoiar suas ideias.

      “… é muito fácil falar que não existe já todos pensam assim”

      Não, nem todos pensam assim. Muita gente caiu fácil nesta história das sereias e muitas pessoa, mesmo após os desmentidos e explicações, continuaram acreditando que o programa é sobre achados reais e passaram a acreditar que os desmentidos seriam parte da conspiração de ocultamento. Muitas dessas pessoas (inclusive em comentários neste blog) mostraram-se agressivas e indignadas com os meus posts e questionaram a minha postura cética mesmo sem ter quaisquer evidências ou argumentos bem estruturados.

      Além do mais, precisamos lembrar que as pessoas como eu que negam que os coisas apresentadas nos programas do AP sejam verdadeiras, são as pessoas que conhecem a área de pesquisa e/ou quem foi atrás das fontes e das alegações feitas nos programas e viu que elas eram ficção. Não é nada agradável receber comentários agressivos apenas por que desmentimos algo e apresentamos evidências para tanto.

      “…mas o ser humano com todo conhecimento que tem não pode afirmar que não existe uma vez que ele não conseguiu explorar nem 10% dos oceanos.”

      Aqui você inverte o ônus das evidências, pois a questão não é simplesmente afirmar que tais seres não existem ou que eles não podem existir de jeito nenhum. O que eu e outros fizemos foi afirmar e explicar que não existem evidências científicas que indiquem que estes seres existem e deixar claro que, de uma perspectiva científica, existem bons motivos para esperar que eles não existam e que os relatos sobre os mesmos sejam fruto da imaginação humana e da identificação errônea de animais e seres humanos. Além disso, uma vez que deixa-se clara a natureza ficcional dos programas do AP e das ‘evidências’ ali apresentadas, o ônus de mostrar evidências que as sereias existem é de quem acredita nelas caso este queiram ter uma conversa mais substantiva e não apenas manter seu direito a acreditar em qualquer coisa fantástica sem bons motivos para isso.

      A questão é que, sem evidências convincentes, não há qualquer motivo para esperarmos que estas criaturas realmente existam. Esse é o ponto. Não é necessário, portanto, descartar a possibilidade lógica que tais seres existam, apenas reconhecer que não existem evidências que indiquem que eles existam e nem bons argumentos que tornem sua existência, se quer, plausível.

      “… eu tenho minha mente muito aberta e no dia que alguém conseguir explicar o que acontece no triangulo das bermudas e do dragão, por que ate hj ninguém conseguiu explicar, pelo o que eu sei também esta envolvido com os oceanos. no dia que alguém dominar esse assunto, nesse dia eu penso se devo para de acreditar que criaturas desconhecidas existem.”

      O fato de não conseguirmos explicar algumas coisas não é prova de que essas coisas envolvam elementos paranormais ou sobrenaturais. Cuidado com este non sequitur. Nossa ignorância sobre certos eventos e fenômenos não nos garante necessariamente o direito de acreditarmos em tudo o que quisermos sem evidências para tanto. Na verdade, no máximo nos deixaria propensos a suspender nossos juízos.

      Porém, em muitos casos, como o do triângulo da bermudas, as histórias veiculadas pela mídia são bem distorcidas e a maioria delas não é bem sustentada por boas evidências, ou seja, o que temos é um mito perpetuado por que as pessoas não vão fundo em sua curiosidade de modo a verificarem os fatos e acontecimentos.

      http://www.skepdic.com/bermuda.html
      http://www.skeptic.com/skepticism-101/the-bermuda-triangle/
      http://www.csicop.org/sb/show/bermuda_triangle_and_the_lsquohutchinson_effectrsquo/
      http://www.livescience.com/23435-bermuda-triangle.html

      “… não sou ninguem para mudar a maneira das pessoas pensarem, mas tenho meu pensamento formado e acredito que o homem sabe muito pouco sobre nossos oceanos, sobre o que vive e acontece lá.”

      Mas uma vez, não é uma questão de ser aquela ou essa pessoa ou ter aquele ou esse diploma, mas de reconhecer que as alegações demandam evidências e bons argumentos e como alegações extraordinárias demandam evidências e argumentos extraordinários e muito rigorosos caso queiramos levá-los a sério de uma perspectiva científica e intelectualmente mais rigorosa. Só isso.

      Grande abraço e obrigado por comentar,

      Rodrigo

  11. Rodrigo, acho que vc criou o Fábio, para servir contraposto às suas afirmações! rs. Independente disso, eu estou encantada com seus argumentos lúcidos. Começo a dar meus primeiros passos na Epistemologia e assistir a esse programa das sereias foi um triste desgosto. Imaginar a quantidade de informação que esses veículos apresentam como informação científica, quando na verdade é qualquer coisa menos informação científica, é motivo de muita inquietação e alarme. Confundir o grande público dessa forma é causar retrocessos de informação muito graves, é afastar cada vez mais a comunidade científica do cidadão comum e difundir um conceito de ciência muito diferente da realidade. De forma clara: é desmoralizar a ciência – ao classificar qualquer opinião e dado como científica – e a comunidade científica, tornando-a marginalizada. Sua postura adotada, ao menos neste artigo, é admirável: é aproximar-se do público geral, trazendo informações e argumentos científicos bem definidos e claros. Acredito que falta um bocado dessa sua atitude por parte dos cientistas de maneira geral. Vou ver o que mais você postou neste espaço, mas me parece um serviço de disseminação de informação coerente. Meus parabéns e muito obrigada.

    • rodveras says:

      Obrigado, Daniela. Creio que o Fábio é sim um ser de vida independente e não uma criação da minha mente.🙂 Pelo menos, assim espero. Caso contrário vou precisar me tratar.
      Agora falando sério. Temos problemas sérios quando mesmo pessoas inteligentes e bem formadas, ainda assim, mostram-se por demais crédulas, cientificamente desinformadas e até mesmo bastante hostis às abordagens científicas ou intelectualmente mais críticas de modo mais geral.

      Fico feliz que vc tenha apreciado meus esforços e espero que encontre mais coisas interessantes neste blog.

      Grande abraço,

      Rodrigo

  12. Parabéns pelo Artigo, quando assisto esse tipo de programa fico indignado com a quantidade de bobagens e malabarismos que se usa para tentar confundir o telespectador e gerar duvidas, e para alguns tolos evidencias do impossível.
    Fiz um artigo semelhante do primeiro episódio. Se não tiver o que fazer de uma lida:
    DOCUMENTÁRIO SEREIAS DA DISCOVERY CHANNEL E AS FALÁCIAS
    http://wp.me/p20tBo-bQ
    via @wordpressdotcom
    Abraços,

  13. Beatriz says:

    Olá, Rodrigo! Gostei do seu texto muito mais dos que li em inglês, por ser um tanto mais tolerante e bem planejado. Isso sendo dito, tenho alguns pontos que gostaria de dividir contigo!
    Particularmente, também acho chateante o AP liberar um ”documentário” assim, como se fosse fato. Os que acreditam não necessariamente possuem uma mente mais ”fraca”, porém associam o canal tão fortemente a algo puramente educacional que tomam grande parte de seus programas por verdade absoluta. Não é difícil entender o quão popular o negócio acabou ficando. Na internet encontrei diversos pontos contra e a favor, na maioria me irritando tanto com a ignorância de certos crédulos quanto (e se não mais) com a intolerância da maioria dos cépticos.
    Embora, de fato, o oceano seja razoavelmente pesquisado hoje em dia, ele ainda é um tanto quando misterioso, devido às altas pressões e obscuridade de suas partes mais fundas. Além do mais, as evidências pré-históricas em relação às sereias me intrigam, admito, pois não acho tão fácil assim descobrir de onde cada um desses povos, sem conexão um com os outros, teceram exatamente o mesmo mito. Ao mesmo tempo, porém, observo que existem as mesmas menções sobre outras criaturas, como dragões, em que não consigo me levar a acreditar.
    Sobre a teoria que você mencionou, que eu conheço como a AAH, embora ela seja de fato pouco utilizada por especialistas, não pode, como a maioria, ser refutada. A verdade é que todo nosso passado é uma especulação (“se tratando da História, não existe verdade absoluta”) e eu, lendo sobre a mesma, até achei que alguns pontos eram um tanto quanto interessantes. É de fato algo diferente e, particularmente, me atrai por ser um tanto feminista. O próprio famoso paleontologista e biólogo, Henry Gee, classificou a teoria como plausível (apesar de suas próprias críticas). É um erro, porém, relacioná-la tão intimamente com as sereias sendo que em sua originalidade, sua própria precursora refutou a ideia de que humanos evoluíram na água tanto quanto baleias e mais do que hipopótamos e lontras.
    No fim, acho, pessoalmente, que possuir uma mente muito aberta e suscetível não é uma boa coisa, embora não seja tão ruim quanto ser dono de uma “mente fechada”. Se sereias existem? Não sei; creio que não. Não digo que sou mais do que uma leiga no assunto, mas me interesso muito pelo mesmo e adoraria estudar e pesquisar mais sobre tudo isso; considero certas teorias, pouco aceitas, fascinantes! E o oceano, em todo o seu mistério, talvez ainda tenha algumas surpresas prontas para nos surpreender. Se esse é o fato, espero por ele ansiosamente!🙂

    • rodveras says:

      Oi, Beatriz. Obrigada por ter comentado. Fico feliz que tenha gostado do texto.

      Sobre a ‘hipótese do macaco aquático’ só quero deixar claro que quando Gee refere-se a ela como ‘plausível’, ele está apenas afirmando que ela não advoga intervenções sobrenaturais ou pressupõem mecanismos misteriosos. Porém, isso não é suficiente para torná-la cientificamente útil e muito menos provável. Este é o ponto principal.

      Na verdade, o fato dela não ter sido refutada até hoje, no caso específico deste tipo de hipótese especulativa, é um grande indicativo de sua fraqueza. O que precisamos perceber é que que a partir dela não podem ser feitas previsões específicas, além de não haverem quaisquer evidências que a corroborem mais diretamente. Os seus defensores argumentam apenas negativamente, atacando caricaturas das hipóteses mais convencionais na paleoantropologia, exageram similaridades e constantemente vão e voltam com suas alegações de modo a se imunizar a refutação. Não há nela, portanto, nada mais do que especulações superficialmente plausíveis, mas altamente improváveis, não sendo ela suportada por evidências sólidas em detrimento de outras hipóteses mais convencionais.

      Também tenho que discordar de vc em relação ao nosso passado. Embora reconheça que as incertezas são maiores, o simples fato de não termos acesso direto a ele não faz com que tudo que podemos dizer sobre ele sejam meras especulações e portanto tudo se equivalha. Este tipo de relativismo não leva a lugar nenhum e não é uma conclusão sólida. Esta não é a mensagem apropriada que devemos tirar da constatação das dificuldades e incertezas inerentes a reconstrução do passado. Existem modelos, teorias e cenários muito mais prováveis e plausíveis do que outros e alguns fenômenos, devido a amplitude das evidências podem ser sim considerados fatos (para além de qualquer dúvida razoável), pelo menos, ao adotarmos uma postura pragmática e termos consciência da falibilidade humana, deixando o ceticismo hiperbólico de lado, mas isso pode ser dito de qualquer coisa.🙂

      Sobre as lendas das sereias, existem dois pontos importantes. O primeiro é que as semelhanças tendem a aumentar após o contato de culturas distantes, já que as histórias e mitos são constantemente contados e recontados. Segundo, mesmo que as culturas não tenham dito contato, a mente humana é a mesma e criar estas ‘quimeras’ é algo que parece bastante comum entre nós seres humanos. Nossas capacidade de imaginação e nossos sentidos e memórias imperfeitos encarregam-se disso. Então, até termos evidências realmente sólidas que estas quimeras existam para além de nossa imaginação e de artefatos de nossas faculdades cognitiva e sensoriais limitadas, não vejo razão convincente para acreditar que elas realmente exista e as lendas sobre elas sejam indicativas de algo mais.🙂 Mas devo dizer que compartilho desta admiração e expectativa por possibilidades e novidades surpreendentes.

      Grande abraço e sinta-se sempre a vontade para ler, comentar e discordar.🙂

      Rodrigo

  14. Wellington says:

    Sou biólogo e minha vida é rodeada de Doutores e Phds contemporâneos. Ciêntista adora descobertas, mas ridiculariza novidade “absurda”. Digo isto pelo fato da Engenharia Genética apontar que não importa o quanto mapeado for um indivíduo, existe uma coisa chamada “Ponto cego”, onde sempre a ciência se surpreenderá! Sugiro que jamais tiremos teorias e/ou especulações da cabeça de ninguém, afinal tudo o que é novo assusta e é repudiado até que se prove a veracidade da teoria, todos querem apenas ver a Pura Verdade, mas poucos ou minimamente tem coragem de dá a “cara à tapa” ou arriscar seu Diploma para provar uma teoria. Considero os dados do documentário são 70% convincentes.

    • rodveras says:

      Wellington, parece que ou você não leu o que escrevi ou leu e não prestou a menor atenção. Os programas do Animal Planet sobre as sereias não são documentários. Eles são totalmente ficcionais. Os ‘cientistas’ ali apresentados são apenas atores e as instituições citadas não tem nada a ver com o que é apresentado. Aliás, como deixam claro os desmentidos que infelizmente aparecem por pouco tempo e são um pouco ambíguos ao deixarem claro que as partes baseadas na realidade são triviais, como o fato dos hidrofones do NOOA terem identificado um som misterioso (mais muito mais simples do que o apresentado do programa do AP) e dos encalhamentos do baleias serem possivelmente associados ao uso de sonares militares.

      Sendo muito direto, então: Nenhuma evidência da existência de supostos humanóides aquáticos (muito menos hominis aquáticos) foi descoberta (e depois acobertada) pelos tais cientistas, que são simplesmente todos autores, como já expliquei. Tudo ali nos dois programas é fruto de um exercício de ficção (aparentemente com fins didáticos, mas que acabaram saindo de controle, como comentários como o seu deixam claro) baseado (superficialmente) na, altamente especulativa (e descreditada entre a comunidade científica), ‘hipótese do macaco aquático’, como o próprio produtor e criador dos programas deixa claro em uma entrevista citada nos artigos que escrevi e que estão disponíveis neste mesmo blog. Dê uma olhada nos posts que fiz.

      Não existem artigos em periódicos indexados e nem apresentados em anais (ou como posters) de congressos de biologia marinha, oceanografia etc sobre as tais evidências de sereias por que simplesmente essas evidências não existem, assim como os ‘cientistas’ citados nos programas não existem e, consequentemente, não tem qualquer vinculo com as instituições citadas. Isso é algo fácil de confirmar, procurando os dados bibliográficos em plataformas de artigos ou nos sites dos laboratórios e instituições de pesquisa e ensino aos quais eles estariam filiados. Portanto não existem dados ali para serem considerados convincentes, apenas especulação e fantasia, regada a efeitos especiais. Só isso!

      Rodrigo

  15. Gretha says:

    Olá Rodrigo,

    Achei muito interessante tudo o que li por aqui. Mas, como alguém que trabalha na mídia, acho importante colocar aqui o meu ponto de vista sobre esse estilo de documentário mais conhecido como mockumentary. Particularmente, eu o acho extremamente interessante, esse estilo foi criado na Inglaterra e já é realizado desde do final dos anos 70. E o que o define são quando fatos reais, ou ainda pessoas que realmente existem são atreladas a uma trama totalmente ficcional, até os Beatles já foram alvo de um mockumentary e em termos de linguagem e narrativa é um estilo bastante criativo, além de muitos outros canais de renome como a BBC, NAT Geo, etc também lançarem obras nesse estilo há décadas.
    Apesar da Discovery e do AP serem canais relacionados na maioria das vezes a temas científicos, eles ainda não um canal de TV e TV é entretenimento, portanto, não há mal algum desse tipo de conteúdo está atrelado a sua programação. Ainda mais, existe no final do programa uma frase que revela que se trata de uma obra de ficção, será que as pessoas não prestaram atenção nisso?
    Acho que obras como essa da Discovery são importantíssimas para que tenhamos senso crítico, sobre como filtramos todo o bombardeio de informações a que hoje temos acesso.

    Parabéns pelo blog e pela discussão!

    • rodveras says:

      Gretha. Infelizmente uma parte considerável das pessoas que consomem este tipo de produções não prestam atenção nestes detalhes e não gostam quando outras pessoas apontam estes desmentidos para elas. Além disso, mesmo o Discovery Channel e o Aninal Planet sendo também canais de entretenimento (no que concordo totalmente de você) e portanto terem um interesse em divertir e impressionar sua audiência, eles também apresentam-se como um canal de informação e de divulgação científica. Por causa disso, creio que eles deveriam ter sido mais explícitos com o que é e o que não é ficção nos programas que eles criam e veiculam, pois, caso contrário, o propósito didático e de divulgação de informação perde-se e só fica a parte do entretenimento e, pior, os programas acabam tornando-se agentes de desinformação.

      Para mim, teria sido muito legal se, além de desmentidos mais claros e com maior duração, eles tivessem veiculado após a exibição dos programas um ‘making of’, desconstruindo os programas e ajudando a separar o joio do trigo. Isso seria muito interessante e não sacrificaria o aspecto do entretenimento. E olha que mesmo assim creio que ainda haveriam alguns (mais muito menos) que acreditariam que os programas originais seriam de verdade e que estariam trazendo informações e evidências reais sobre a existência de sereias, mas, neste caso, creio que a responsabilidade já não seria mais dos produtores e executivos dos canais Discovery e sim da excessiva ingenuidade e afinidade por teorias conspiratórias dessas partes dos telespectadores.

      Creio que o problema é que para muita gente, canais como o DC e AP são os principais meios de informação que eles consultam sobre assuntos relacionados com ciência e tecnologia; e uma grande parte dessas pessoas não tem qualquer conhecimento mais detalhado sobre como as ciências (ou qualquer forma de investigação crítica e honesta) funcionam e não tem o ferramental mínimo para perceber a diferença destes docufições ou mockumentaries da ciência genuína. Isso é uma pena, mas é uma realidade e canais como o DC e AP deveriam ter mais consciência desta questão.

      Agradeço seus comentários e seus apontamentos sobre este gênero de produção audiovisual.

      Abraços,

      Rodrigo

  16. Marcella says:

    Aos que disseram que o homem JAMAIS chegaria à lua, JAMAIS viajaria num submarino e JAMAIS afirmaria que o formato da terra é redondo…….PARABÉNS POR ESTAREM ERRADOS!!!
    “Ah,porque com sereias seria diferente?”
    Abraços…

    • rodveras says:

      Realmente tenho dificuldade de compreender a motivação de certos tipos de comentários que chegam aqui. Infelizmente, algumas pessoas que comentam nestes posts parecem que nem ao menos os leram, preferindo fazer comentários neste estilo, apelando para caricaturas bizarras do que foi exposto aqui, ao invés de simplesmente examinar os argumentos e evidências que eu expus para daí sim, concluir algo.

      Em primeiro lugar, mesmo que seu comentário tivesse alguma relação mais forte com o que eu escrevi, ainda assim, o seu argumento (que culmina com a questão: “Ah,porque com sereias seria diferente?”) é falacioso, por que são enumerados apenas os casos de sucesso, em que alguém teria dito que algo não seria descoberto/feito/demonstrado e foi, deixando de lado às várias vezes em que não foram encontradas evidências para as outras alegações mais ou menos extraordinárias, o que pode ser o caso das sereias. Mas existe um problema maior neste comentário, em nenhum momento foi dito nestes posts que era IMPOSSÍVEL e que JAMAIS seriam descobertas evidências em favor da existência de tais seres, mesmo que eu,, pessoalmente, ache isso tão improvável que não valeria a pena perder tempo com isso. Mas o ponto é que não exclui a possibilidade de tais seres.

      Nestes posts, tudo que foi feito foi explicar que os programas sobre sereias do Animal Planet não são documentários (são fictícios) e não apresentam quaisquer evidências científicas para a existência de sereias. Além disso tentei explicar que o raciocínio por trás desta obra de ficção científica (sim, obra de ficção científica, algo que é admitido pelo produtor e criador) é profundamente problemático, assim como é a hipótese do macaco aquático que inspirou estes programas.

      Em resumo, continuamos sem quaisquer evidências científicas e minimamente convincentes para a existência desta e de outras criaturas mitológicas e temos bons motivos para acharmos que elas são … bem, apenas mitos mesmo, pelo menos até que evidências realmente sólidas e convincentes apareça.

      Portanto, o problema não é estar errado ou certo, mas as evidências e os argumentos que sustentam a posição que se defende e o trabalho intelectual e empírico que as pessoas tiveram para chegar as suas conclusões.

      Desculpe, Marcella. Espero não ter sido muito duro com você, mas é muito frustrante ler este tipo de comentário no qual fica patente que a pessoa errou completamente na avaliação do foco dos meus posts (e das minhas intenções), atribuindo a mim uma posição que não defendi.

      Atenciosamente,

      Rodrigo

      • izaias says:

        Por que voce esta certo e as outras pessoas erradas?Suas palavras não tem mais valor..que as imagens q voce diz ser falsas,

      • rodveras says:

        Vc é outro que não deve ter lido os outros posts e demais links que estão aí neste texto, não é?

        Sua objeção é ridícula e simplesmente não funciona. A resposta é simples e clara, mas você não a quer. Neste e em outros posts que escrevi sobre o tema examinei as evidências, algumas delas bem claras e óbvias, como os avisos que constam nos programas (que estão lá para todos lerem), mas também as próprias entrevistas com o criador e descrições dos programas nos sites dos canais, além de ter descoberto quem são os atores (especialmente Dave Evans que interpreta o Dr Robrtson); sem esquecer que verifiquei que os cientistas citados são todos fictícios, não possuindo registros em universidades e institutos de pesquisa alegados e nem publicações, algo que todos podem fazer.

        As pessoas que continuam acreditando que os programas são reais são aquelas que querem muito acreditar nisso, já tendo propensão a acreditar em teorias conspiratórias e que, infelizmente, nem ao menos esforçaram-se para uma verificação básica, do tipo da que eu fiz.

        Não são minhas palavras meramente que contam, portanto, mas as informações veiculadas por elas e os links com as declarações do criador, do NOOA e para os sites de alguns dos atores, por exemplo. Portanto, o problema está claramente em sua preguiça de seguir os links e referências ou fazer sua própria verificação na internet.

        Tudo que escrevi pode ser facilmente verificado. Forneço as referências e links. Faça o seu dever de casa e depois tire suas conclusões.

  17. izaias says:

    QUEM É VC RODRIGO,RESPONSÁVEL POR ESTE ARTIGO? É A FAVOR DOS TESTES DE SONARES?,É DO GOVERNO Q TENTA IMPEDIR Q SE DESCUBRA ALGUMA NOVA ESPECIE, E ASSIM SENDO É OBRIGADO A PARAR COM OS TESTES DE SONARES?…INDEPENDENTE DAS SEREIAS SEREM REAIS OU FANTASIOSAS ESTES PROGRAMAS SOBRE AS SEREIAS VÃO ALEM DE UMA NOVA ESPECIE SER OU NÃO DESCOBERTA E SIM DA PRESERVAÇÃO DAS ESPECIES JÁ CONHECIDAS…E SE ESTE DOCUMENTÁRIO FOR FALSO,EXISTE O LADO BOM…A LUTA PELA VIDA AQUÁTICA

    • rodveras says:

      Não tenho paciência com gente que ‘grita’ pela internet. Isso é simplesmente falta de educação. mas comentários como o seu só fazem por mostrar como posts como é importante alertar para este tipo de sensacionalismo e combater a disseminação dele. Tomar decisões, inclusive sobre a preservação de espécies ameaçadas, depende de boas informações e não de ficção vendida como realidade. Ao usarem deste tipo de expediente, canais como o DC e o AP mostram que estão mais interessados com a audiência e não com as informações, inclusive com aquelas que poderiam ser usadas para a preservação de espécies de cetáceos. A questão é não sabemos realmente se os sonares tenham algum efeito apreciável nos encalhamentos, algo que precisamos investigar mais afundo e para isso precisamos de programas sérios que ao levantarem este possibilidade não caiam no sensacionalismo e joguem por terra quaisquer esforços de conseguir realmente descobrir o que acontece. Precisamos informar melhor as pessoas sobre o que é real e não alimentar fantasias sem as devidas evidências.

  18. Dêssa Morais says:

    Oi…e o que pensa sobre as filmagens apresentadas neste documentário, Rodrigo?

    • rodveras says:

      Vc refere-se a qualidade do CGI, é isso? Ou a estratégia de fazer um docuficção?

      Sobre o CGI, não os achei muito impressionantes, mas sobre o docuficção, creio que o problema é que eles não deixaram bem claro, no começo e ao final do programa (ou pelo menos em um making off em seguida), a sua natureza ficcional. Caso eles tivessem sido mais claros, isso ajudaria a fomentar o senso crítico, permitindo que as pessoas separassem o joio do trigo, concentrando-se nas questões reais, como a forma como tratamos os ecossistemas aquáticos e os seres que os habitam, em especial os mamíferos marinhos, criaturas inteligentes e sociais.

      Mas, infelizmente, quando eles fazem as coisas da maneira sensacionalista e descuidada, como eles fizeram, a impressão que tenho é que o que ganha é desinformação e os mitos. A mensagem de conservação e a informação sobre os seres vivos, não fica. Ou seja, é um tiro no pé. Claro, se o propósito dos programas não for apenas entretenimento com fins de conquistar audiência e assim mais dinheiro.

      [ ]s

  19. Dêssa Morais says:

    Perdão…nessa ficção..rs

  20. postobetao says:

    Haaaaaaaaa !!!???? Vamos lá gente.Justo agora que eu peguei a pipoca… poooooooo !!!!!!!!! rsrsrsrsrsrsrrrrrrrrrsrsrsrsrsrsr

  21. Robert Junior says:

    Os nomes da Bíblia querem bichinhos de Deus ! Sapo boi azul !!!

    Desculpa galera, sai do tópico, mas desinteligência que gera ofensas gratuitas , mesmo não sendo envolvido direto, me incomodo.

    Salvem os girinos ! Que sabe uma falha genética os impede de criar pernas e viram serios ! Kkk

    Abraços aos educados.

  22. Bruno Tinoco says:

    Oi, Rodrigo, tudo bem? Eu também sou biólogo, sou mestrando em Biologia Molecular, pela Fiocruz-RJ e fui convidado a comentar o primeiro documentário “Sereias”, num evento científico, na Unirio. Você teria bons materiais que usam argumentos contra a hipótese do macaco aquático, para me arrumar? Me ajudaria bastante.
    Obrigado!

  23. Ana Nogueira says:

    Boas Rodrigo!
    Desde já tenho de lhe dar os parabéns tanto pelo post, como por todas as respostas rápidas e argumentativas. Para começar, penso que saiba, que estamos a lidar com um tipo de assunto bastante controverso e ,antes de mais, que respeito bastante a sua opinião e que a mesma me despertou bastante interesse. Contudo, achei errado estar apenas a defender o seu ponto de vista, sem analisar os outros.

    Eu não tenho especialização nenhuma no assunto, apenas tenho a opinião de que 90% dos oceanos não forma descobertos pelo homem, como também o espaço, por exemplo. Tal como já foi referido anteriormente, porque razão o homem não teria interesse em explorar o fundo do mar também? Será que, realmente, já temos assim tantos argumentos para poder negar ou afirmar a existência do que quer que seja? Não. Existe algo por aí.

    Por outro lado, será que o governo também não estará a esconder a maior parte da informação? Este tipo de assuntos “não podem”, ou não devem ser públicos, porque iria causar o “pânico” entre as pessoas. E a verdade é que conseguem esconder, mas não tudo, porque existem factos, existem provas, e fazem sentido. A verdade é que esta história das sereias já é conhecida à milhares de anos. Se já os nossos antepassados falavam sobre isso, como chegou até aos dias de hoje?

    Para terminar, acerca do documentário ser verdadeiro ou não. Porque razão iriam passar uma informação falsa? Seria mesmo necessário mentir aos expectadores? Não acha que isso iria causar revolta nas pessoas? Tenho uma mente aberta e consciência de que muitos programas televisivos são utilizados para manipular as pessoas, mas seria assunto para tal?

    Estamos a falar de mitos antigos, de “coisas” que não estão ao nosso alcance, por enquanto, e sinceramente espero que nunca estejam, pois o ser humano já fez estragos suficientes.
    Obviamente não espero que ninguém concorde com a minha opinião, apenas quis dar mais uma vertente.

    Boa noite a todos!
    Cumprimentos

    • rodveras says:

      Olá, Ana. Obrigado por comentar aqui.

      “Boas Rodrigo!
      Desde já tenho de lhe dar os parabéns tanto pelo post, como por todas as respostas rápidas e argumentativas. Para começar, penso que saiba, que estamos a lidar com um tipo de assunto bastante controverso e ,antes de mais, que respeito bastante a sua opinião e que a mesma me despertou bastante interesse. Contudo, achei errado estar apenas a defender o seu ponto de vista, sem analisar os outros.”

      Você está completamente equivocada. Além do fato ‘outros pontos de vistas’ estaremexpostos em vários dos comentários neste e em outros posts que escrevi sobre estas programas, eu os analisei e respondi a vários questionamentos muito parecidos com o seu e expliquei por que muitos deles não tem peso probatório e não são bons argumentos, além de muitos deles já serem ‘respondidos’ no próprio texto original. Leia de novo meus posts e minhas respostas e você vai perceber que está tudo lá. Boa parte da controvérsia se dá não por haverem vários pontos de vista, mas por haver muita desinformação e confusão, que foi o que inspirou estes posts.

      “Eu não tenho especialização nenhuma no assunto, apenas tenho a opinião de que 90% dos oceanos não forma descobertos pelo homem, como também o espaço, por exemplo.”

      Ana, na sentença acima tudo o que você oferece é um simples argumento de ignorância, uma conhecida falácia argumentativa. Ele não mostra nada. O fato de não termos analisado cada centímetros cúbico dos oceanos não é uma evidência de que sereias existam. Isso precisa ficar claro. Além disso, creio que você não leu direito meus posts e as minhas respostas a vários do comentário e, por causa disso, comete o mesmo erro que muitos que comentaram aqui já haviam feito e sobre o qual eu já havia reclamado.

      Repetindo: Meus posts não têm qualquer interesse em mostrar que sereias não existem ou não podem jamais existir, apenas mostrar que os dois programas do Animal Planet não são documentários, mas apenas entretenimento ficcional e que não trazem quaisquer evidências que mostrem que as tais sereias realmente existem. Além disso, quis mostrar os problemas dos argumentos sobre a forma e evolução das supostas sereias empregados pelos autores do programa que tiveram como base a especulativa hipótese do ‘macaco aquático’.

      “Tal como já foi referido anteriormente, porque razão o homem não teria interesse em explorar o fundo do mar também?”

      ELE tem e o faz. Sou um entusiasta da exploração oceânica e sempre tento seguir as descobertas da biologia marinha e oceanografia, por exemplo. Na minha graduação trabalhei com organismos marinhos e ainda sou apaixonado por esta área. Não sei de onde você tirou que não há interesse em investigar os oceanos. Esta área é de importância estratégica inclusive e se investe bastante nesta área. Talvez apenas não tando quanto gostaríamos. Muitos dos problemas de estudar os oceanos são contingente as dificuldades de varrer grandes áreas, suportar grandes pressões etc. Não é uma tarefa fácil. Não há porque a partir daí achar que os seres humanos evitam conscientemente explorar os mares para não descobrir seres fantásticos. Isso não faz qualquer sentido, se é isso que você quer dizer.

      ‘Será que, realmente, já temos assim tantos argumentos para poder negar ou afirmar a existência do que quer que seja? Não. Existe algo por aí.’

      Já expliquei por que esta objeção não têm sentido logo no começo da minha resposta. Embora, eu particularmente não acredite que existam sereias e não ache realmente que a evolução de uma criatura assim faça muito sentido, eu estou aberto às evidências. Nos meus posts, mais uma vez eu repito, eu não afirmo que elas não podem existir, apenas que os programas do AP não apresentarem qualquer evidência empírica e argumento cogente para que acreditemos que tais seres existam. Os programas são admitidamente ficcionais. Só isso. Mas muita gente não percebeu isso e outras mesmo avisadas não aceitam estes simples fatos. Este é o meu foco.

      Agora, sua afirmação de que ‘Existe algo por aí!’, esta sim, é bem problemática, pois se você está se referindo às sereias (ou a criaturas análogas), esta é uma afirmação sem evidências e implausível frente ao que sabemos sobre biologia marinha, o que a carrega de um enorme ônus. Um ônus que é todo seu (e de quem acredita nisso) que deve trazer evidências sérias, caso queira convencer alguém além de si mesmos. Caso simplesmente esta afirmação refira-se ao fato de que provavelmente iremos encontrar organismos marinhos ainda não catalogados (peixes, crustáceos, moluscos e até mamíferos aquáticos, quem sabe), apesar de eu concordar com você, esta é apenas uma afirmação trivial e que nada acrescenta. Não discordo da ideia que ainda não sabemos muita coisa sobre a vida marinha, mas isso não é um bom argumento e muito menos uma evidência para usar em prol da existência de seres como as sereias ou mesmo de sua plausibilidade. Entende?

      “Por outro lado, será que o governo também não estará a esconder a maior parte da informação? Este tipo de assuntos “não podem”, ou não devem ser públicos, porque iria causar o “pânico” entre as pessoas.”

      Ana, não me entenda mal. Você tem todo o direito de especular e acreditar na teoria conspiratória que você quiser, mas isso não é nem evidência nem argumento minimamente aceitável.

      “E a verdade é que conseguem esconder, mas não tudo, porque existem factos, existem provas, e fazem sentido. A verdade é que esta história das sereias já é conhecida à milhares de anos. ”

      Quais fatos, Ana? Sim, muitas pessoas relataram ao longo da história encontros com seres estranhos e muitas acreditam até hoje nisso. Porém, estas são apenas anedotas, testemunhos sem evidências mais fortes. Mas essa não é a questão. [A questão da confiabilidade destes relatos é aqui secundária.] O ponto é que os programas do AP não trazem quaisquer evidências ou mesmo argumentos convincentes que sustem que a crença nestes seres seja justificada e que assim eles sejam reais. Nos programas do AP, eles usam o mito da sereia e adicionando alguns fatos – apresentados de uma maneira mais fantástica do que eles realmente são (o bloop, os encalhamentos de baleias em praias e as suspeita de que foram causados por sonares militares) – criam uma narrativa completamente ficcional com atores fazendo o papel de cientistas lutando contra uma conspiração multi-governamental e usam como base da história uma hipótese altamente especulativa, preenchendo o que resta com um monte de efeito de computador e maquiagem. Eles não apresentam qualquer evidência nova.

      “Se já os nossos antepassados falavam sobre isso, como chegou até aos dias de hoje?”

      Ué, do mesmo jeito que outras lendas chegaram aos dias de hoje, por meio da tradição oral e, mais tarde, da tradição escrita.

      Para terminar, acerca do documentário ser verdadeiro ou não. Porque razão iriam passar uma informação falsa? Seria mesmo necessário mentir aos expectadores? Não acha que isso iria causar revolta nas pessoas? Tenho uma mente aberta e consciência de que muitos programas televisivos são utilizados para manipular as pessoas, mas seria assunto para tal?

      Eles já fizeram isso antes. Leia os meus posts sobre um programa semelhante sobre os dragões. Além disso, como já expliquei no próprio programa, ao final, existe um alerta (desmentido) informando sobre a natureza ficcional dos eventos ali relatados. Você realmente não leu meus textos, fale a verdade? O próprio produtor admite em entrevista que o programa é ficção científica e, além disso, ‘docuficções’ e ‘mockumentaries’ são gêneros televisivos e cinematográficos conhecidos. Por fim, a intenção deles é obter mais audiência e desta maneira dinheiro. Isso explica por que eles mesmo quando pressionados a admitirem que é tudo ficção, ainda assim, eles evitam deixar isso realmente claro nos programas, usando um linguajar ambíguo e não dizendo que os poucos fatos apresentados são bem triviais e não tem a ver com as sereias (bloop, encalhamentos etc).
      Estou realmente cansado de responder as mesmas questões que já respondi, algumas nesta mesma ‘thread’, deste mesmo post, vindas de pessoas que, como você aparentam, não terem lido (pelo menos com o mínimo de atenção) o que escrevi e nem foi atrás dos links e das referências que forneci.

      “Estamos a falar de mitos antigos, de “coisas” que não estão ao nosso alcance, por enquanto, e sinceramente espero que nunca estejam, pois o ser humano já fez estragos suficientes.
      Obviamente não espero que ninguém concorde com a minha opinião, apenas quis dar mais uma vertente.”

      Não se preocupe, Ana. Muita gente vai concordar com você. Muitas pessoas preferem acreditar em fantasias mesmo quando não existem evidências rigorosas para as mesmas; algumas acreditam nelas mesmo quando existem amplas evidências de que elas não são reais. [E aí refiro-me aos programas do AP, que fique bem claro.] Infelizmente, muitas destas mesmas pessoas preferem acusar aqueles que vão mais fundo no assunto – investigando os argumentos e as supostas evidências com o olhar mais crítico – de serem ‘cabeça fechada’ ou de ‘não estarem abertos a outros pontos de vistas’, quando, na verdade, muitas vezes foram exatamente estas pessoas que não se fecharam ao questionamento e foram atrás de informação de qualidade e resolveram compartilhá-la.

      Se ainda não está claro, quero enfatizar que minha intenção não é demovê-la (ou qualquer outra pessoa) de sua crença em sereias – ou pelo menos da crença na simples possibilidade de que elas (ou outros seres considerados fantásticos e mitológicos) – existirem. Por mim, você pode continuar acreditando o quanto quiser nelas. Só gostaria que você (e as outras pessoas que pensam como você e que comentaram coisas bem similares as que você comentou) lê-se (relê-se) os meus posts sobre os programas do AP com a atenção devida, tentando perceber por que afirmo que os programas em si não trazem quaisquer evidências confiáveis e muito menos científicas (novas ou velhas) de que estes seres de fato existiriam. Esse é o único objetivo do meu post, pelo qual você e outras pessoas, infelizmente, passaram batidas. Eu não sei se sereias existem ou não. Não afirmo enfaticamente nada a este nível, mas muita gente me acusou disso, dando claras mostras de não terem prestado atenção no que escrevi. Embora obviamente ache que a existência de tais seres seja tremendamente improvável (portanto, mantendo-me muito cético sobre esta questão), reconheço que posso estar enganado e, consequentemente, posso mudar de ideia caso evidências realmente rigorosas sejam apresentadas, mas este não foi o caso, como procurei mostrar nos posts e respostas aos comentários. Este é o ponto, o único que deveria ser relevante.

      Praticamente tudo que você escreveu já havia sido escrito por outros e eu já as havia respondido, sem falar que muitas destas questões/objeções já são ‘respondidas’ no meus próprios posts. Isso é bem frustrante. Então, peço desculpas pela minha rispidez, mas minha paciência tem sido forçada ultimamente. Recebi muitos comentários muito parecidos com o seu, que, embora claramente bem intencionados (e no seu e de alguns outros, bem respeitosos. Ao que agradeço muito), parecem partir de pessoas que realmente não leram ou pelo menos não refletiram sobre o que escrevi e não conseguiram captar minhas intenções, enveredando por questões secundárias e mesmo sem sentido, deixando de lado todas as evidências e argumentos que realmente importariam.

      “Boa noite a todos!
      Cumprimentos”

      Boa noite e tudo de bom pra você, Ana.

      Rodrigo

  24. O ”Documentário” Pode Não Ser Uma Verdade Absoluta, Mas O Assunto Central ,Sereias, Pode Não Ser Uma Mentira Absoluta Também, Pois Me Recuso Totalmente Negligenciar, Ignorar ou Desprezar O que As Pessoas que Habitaram Nesse Mundo em Épocas Imemoriais (Imemoriais Porque Já Vi que Quase Toda Datação que Cientistas e Estudiosos dão Para os Períodos de Diversos Povos São Altamente Contraditórios e Por Isso São Incorretos. E Já Vi em Documentários e Li em Livros Eles Aceitarem que O que Antes Pensavam Ser Uma Verdade Infalível Com O Tempo e Reavaliações Viram que Foram Cometidos Erros e Assim Empurrando Os Acontecimentos Ainda Mais Para Trás no Tempo) e que Tinham Culturas Diferentes, Falavam Línguas Diferentes e Viviam em Continentes Diferentes Falavam Sobre Tudo Isso, Não dá Para Acreditar que Foi Tudo Uma Invenção de Toda Essa Gama de Povos e Culturas que Estiveram Aqui Muito Antes de Nós. Se é Pela Questão Macaco Aquático Eu Não Sei, Mas Pode Ter Sido Outra Coisa, que Com O Tempo, Venha A Revelar Isso Outras Coisas Mais, Pois O Tempo É A Melhor Resposta Para Tudo. Pena que Talvez Não Estejamos Mais Por Aqui Para Saber!

    • rodveras says:

      Como já havia dito antes para outras pessoas, você pode acreditar no que quiser, esta não é a questão. O problema gira em torno das evidências para alimentar tais crenças que, por sinal, não são fornecidas pelos programas do AP. Este foi meu ponto, Estes programas são puramente ficcionais, como expliquei e forneci evidências para corroborar, sendo simplesmente baseados nas lendas de sereias misturadas a alguns fatos (bastante exagerados), história natural dos mamíferos aquáticos e na hipótese (altamente especulativa) do macaco aquático.

      É importante aqui lembrarmos que o simples fato de existirem lendas sobre seres fantásticos, como as sereias, não é, por si só, uma boa evidência de que tais seres existam, especialmente depois de tanto tempo sem que evidências físicas consistentes e robustas tenham surgido (principalmente em tempos mais modernos) para corroborar as lendas e relatos.

      As lendas podem simplesmente indicar erros de identificação (como os derivados do avistamento de sirenídeos, pescadoras de pérolas etc), ilusões perceptivas, alucinações e estórias inventadas pela vontade de que criaturas assim existissem ou de pregar peças em companheiros. Todos estes fatores podem alimentar-se mutuamente uns aos outros e contribuir na criação de tais lendas. Não podemos nos esquecer que apesar das culturas serem distintas, o cérebro, e portanto a mente humana, por trás delas é basicamente o mesmo e estímulos semelhantes podem suscitar respostas cognitivas e culturais equivalentes que tornam-se ainda mais parecidas após haver contato entre as culturas e a tentativa deliberada de encontrar paralelos que facilitem a tradução, como a busca de analogias e redefinição de termos.

      Então, este até pode não ser o caso e, quem sabe, podem haver criaturas fantásticas o tipo das sereias espreitando os seres humanos que ainda não foram identificadas pelos cientistas, mas sem evidências mais sólidas, acreditar que tais seres existem fica só no domínio do desejo que de eles existam, ou seja, basicamente, na fé pura.

      Obrigado por ter comentado.

      Grande abraço,

      Rodrigo

    • BiduBr says:

      As Fox network… The Swimming dead…kkk

  25. crash over says:

    Nem tudo é mentira no documentario http://www.sofadasala.com/historiaearqueologia/sereias03.htm, gostei deste link que analisou nem desmentindo nem comprovando tudo e sim explicando que a tentativa do documentario é chamar atenção do público para às sereias mais de fato não é este o objetivo é chamar atenção da pesquisa da Noa e de que forma está matando baleias….eu mesmo nem sabia dessa NOA e suas ações se não fosse o documentario o Dr Paul realmente existiu e seu site foi bloqueado por tentar denunciar os USA, porém no documentario foi um ator que representou ele ator chamado Andre Wendman algo assim..

    • rodveras says:

      E minha frustração só aumenta. Mais uma pessoa que não parece ter lido o que escrevi, mas mesmo assim resolveu comentar.

      Repito. Veja os link, as minhas respostas a comentários anteriores neste mesmo post e os outros posts que escrevi neste blog sobre o assunto. Boa parte do que você escreveu já foi respondido neste mesmo texto no qual você resolveu postar seu comentário. Outros já afirmaram o mesmo e já respondi neste mesmo post na sessão de comentários. Considero, um certo desrespeito alguém vir aqui criticar sem nem ao menos ler o que eu escrevi com o mínimo de atenção.

      Para começar, o próprio NOAA fez um desmentido sobre o assunto e nenhum dos pesquisadores apresentados nos programas das sereias, como sendo membros do NOAA, existem. São todos personagens ficcionais, vividos por atores. Como expliquei em outro post, dois atores vivem o Dr. Paul Robertson, um deles é realmente é o tal Andre Weidmann – que aparece no primeiro programa (fazendo a ‘encenação’ do Dr Robertson)-, mas outro chama-se David Evans (que aparece em ambos, comentando no primeiro e sendo o principal foco no segundo, vivendo o ‘próprio’ Robertson). É isso que dá a sensação de realidade.

      Aliás, Evans, já fez outras peças de ficção semelhantes, como o ‘Homem Goblin da Noruega’, e trabalha com a criação de jogos virtuais. Estas estratpegias são típicas dos ‘mockumentaries’ e ‘docufições’.

      http://www.linkedin.com/pub/david-evans/13/a90/a80

      Veja a sessão de atualização no final deste mesmo post ou então vá direto para:

      https://calmariatempestade.wordpress.com/2013/10/25/sobre-sereias-goblins-de-metal-e-jogos-de-pimballrpg-as-muitas-vidas-do-dr-paul-robertson/

      O site supostamente fechado pelo FBI ou NSA também é falso (domínio do próprio Animal Planet) e faz parte da campanha de marketing dos programas. Note bem que é bem mais fácil criar um ‘site fechado’ do que criar um site de verdade com ‘conteúdo original’ e ‘evidências científicas’. Repito: Não há quaisquer registro de trabalhos científicos em artigos em periódicos técnicos, posters e anais de congresso de nenhum dos ‘cientistas’ apresentados nos dois programas. Não existem menções a estes supostos cientistas em nenhuma das instituições que teria participado do exame das carcaças etc. Isso deveria ser suficiente para levantar suspeita sobre a ideia de acobertamento e conspiração, pois uma conspiração tão eficiente que some com cientistas, currículos, trabalhos e consegue fechar sites, mesmo assim deixa passar dois programas de incrível audiência? Isso no minimo é estranho, a menos que já se tenha um viés conspiracionista que faz com que qualquer evidência de implausibilidade da conspiração uma evidência de sua existência, mas aí abandona-se o discurso racional e passa acreditar nas coisas simplesmente por que elas vão ao encontro de nossas expectativas e toda evidência negativa é descartada ou presumida como tentativa de acobertamento.

      Além disso, os fenômenos reais mencionados no programa (encalhamento de baleias e o ‘Bloop’), na realidade, são bem diferentes do que foi ali apresentado. Nos programas nos são apresentadas versões fictícias dos eventos reais, bem mais exageradas para criar a base da narrativa. Por fim, o próprio criador dos programas, Charlie Foley, admite que é tudo ficção, mesmo que ele mesmo pareça dar valor a hipótese de que os mitos das sereias possam ter um pouco mais de plausibilidade, mas ele nada do que é apresentado ali em termos de evidências físicas é real. É essa ambiguidade e o fato dos desmentidos serem sutis e ficarem pouco tempo no ar que trouxe a revolta, não das autoridades, mas dos pesquisadores de oceanografia e biologia marinha que tentam fazer um trabalho sério. Isso está neste mesmo post que você resolveu comentar.

      Se você ler os artigos que escrevi neste blog e for verificar os links e referências vai constatar isso. Estes mesmíssimo artigo têm vários dos links relevantes e linka para todos os outros artigos que escrevi. Se você está interessado no assunto, deveria primeiramente ter examinado todos eles com o mínimo de atenção.

      Concluindo, se a tentativa era chamar a atenção para a exploração desenfreada dos recursos marítimos e alertar para a nossa responsabilidade com as criaturas marinhas, especialmente as mais inteligentes e sensíveis, como os cetáceos, os programas foram um completo fracasso, pois todo o foco é desviado para a história de ficção.

      Peço a todos que se quiserem comentar criticamente que pelo menos leiam com atenção o que escrevi, visitem os links e avaliem os argumentos e evidências que apresentei. Simplesmente expressar divergência é completamente improdutivo e quando isso não é feito examinando argumentos e evidências é sinal de, no mínimo, desrespeito com o tempo que gastei.

      Vejam, por favor, também a atualização deste post no final dele que fala sobre David Evans, o nosso querido DR Robertson.

      Rodrigo

  26. Bom, na verdade as pesquisas não foram ignoradas pela Ciência acadêmica e sim suspensas a força pelas ordens governamentais como sempre, e a pergunta é por quê? O que o governo quer esconder das pessoas? O que é tão terrível que ninguém possa saber? Por quê não deixariam os cientistas trabalharem em suas teses e pesquisas?

    • rodveras says:

      Não, Rafael. As pesquisas não foram nem ignoradas pela ‘ciência acadêmica’ e nem suspensas por uma conspiração governamental. Elas simplesmente jamais existiram. O programa todo é ficção. As pessoas que aparecem como cientistas são atores. Paul Robertson não existe e a página dele boqueada pelo NSA e FBI é apenas um domínio comprado pela companhia produtora do Animal Planet, como parte do material de marketing dos programas. Por favor, leia o post e confira as fontes e links.

      Rodrigo

      Rodrigo

  27. E ae, ótimo texto cara, acabei de ver o documentário, trabalho no meio acadêmico, chega a ser muito engraçado a hora que o Drº considerando verídico aquele vídeo na praia do menino cutucando com uma vara a mão da criatura , e a criatura dando um grito, velho, ali para mim se foi minha pouca credibilidade no vídeo…

    Gostaria de por em um adendo na sua resposta ao primeiro comentário , o do Fábio, onde se lê:
    “Fábio: ‘Teoria da Evolução é teoria.’
    A teoria da gravidade também é teoria ….”

    Cara a gritação é Lei, não teoria, tem toda uma definição da filosofia da ciência que faz distinção entre, lei, teoria, teses e teoremas, a lei é empírica, matematicamente verdadeira, comprovada por experimentação desde que o resultado seja verdade considerando todas as variáveis externas do meio da observação. Se for levar a sério a lei da gravitação tem desvios de resultados em escalas grandes (tipo de grandeza de galaxias) e pequenas ( nível atômico). Mas filosoficamente a ideia é lei. A teoria da relatividade ou da evolução é teoria, ou seja tem fatos comprovadamente falseáveis, não -verdades ou exceções que falseiam a própria teoria, mas se é comprovada por lógica e experimentação são aceitas com este nome “teoria” , e ficam famosas em caso de utilidade cientifica, antigamente uma teoria era muito aceita, final do seculo XlX, inicio do XX a teoria do éter cósmico, que o universo era feito de um tipo de solvente, coloide ou gelatina, ela caiu por um fato apenas o da refração da luz, usando a teoria da relatividade, que era nova… Só descobriríamos por experimentação ao lançar os primeiros satélites nos anos 40 ou 50 heheh, a teoria que provou outra teoria ser falsa teve uma boa aplicação aqui..

    A teoria da evolução ou evolutiva é muito boa para começarmos a desvendar a origem das espécies, infelizmente poucos biólogos entendem de química, e físico-química, digamos que existam vários, eu conheço alguns, mas não a nível de destrinchar níveis de energia em reações nas proteínas, amino ácidos, calculando cinética de reação, afinidade estática , forças de ligação que ocorrem dentro de nós, bom nem entre os químicos os que manjam de bioquímica, raramente gostam de físico química, e os físico-químicos, acabam indo mais para o lado da física de materiais , ou industria. Assim um dia podendo ter uma visão de toda a química da mutação, usando os cálculos físico químicos, talvez a teoria da evolução, vire Lei, e certo que não será a mesma coisa que aceitamos hoje, mas o mérito vem da ideia inicial. Vem do Darwin. Ano passado eu li no original a ” A Viagem do Beagle” pelo próprio Darwin, é muito massa, além de fazer as ‘pazes’ com a figura do Darwin, fiquei com vontade de conhecer a terra do fogo. Fazer as pazes é modo de dizer, achava quando novo que tinha muitos furos na teoria da evolução, e ele era ‘Estrelinha’, na verdade ele foia mente genial que juntou os pontos disponiveis, e claro assim que como com a figura do Einstein, tem muita gente ganhado rios de $$ falando do Darwin… O Einsten é tri mas o Poincaré é mais heheh.

    A evolução tem algumas contradições inclusive com a 2ª LEI da termodinâmica, que é uma lei sem exceções, tudo deriva dela em termos de demostração, a gravitação(mesmo sendo mais antiga), leis do magnetismo, reações químicas afinal somos feitos disso….moléculas

    Se um dia a quem interessar dar mais uma aprofundada em termodinâmica, verão o que digo, não é só troca de calor aqui, é o conceito, e as ferramentas matemáticas que estão a disposição.

    Mas fala sério, seria tri massa se esse papo de sereias fosse verdade, mas la fora da bola azul certo que tem mais criaturas, estatisticamente falando ehhehe

    Abração

    • rodveras says:

      Obrigado por comentar, Paulo.

      “E ae, ótimo texto cara, acabei de ver o documentário, trabalho no meio acadêmico, chega a ser muito engraçado a hora que o Drº considerando verídico aquele vídeo na praia do menino cutucando com uma vara a mão da criatura , e a criatura dando um grito, velho, ali para mim se foi minha pouca credibilidade no vídeo…”

      Realmente em muitas partes do programa, eles perdem completamente a mão na parte dramática.🙂

      “Gostaria de por em um adendo na sua resposta ao primeiro comentário , o do Fábio, onde se lê:
      “Fábio: ‘Teoria da Evolução é teoria.’ A teoria da gravidade também é teoria ….” Cara a gritação é Lei, não teoria, tem toda uma definição da filosofia da ciência que faz distinção entre, lei, teoria, teses e teoremas, a lei é empírica, matematicamente verdadeira, comprovada por experimentação desde que o resultado seja verdade considerando todas as variáveis externas do meio da observação. Se for levar a sério a lei da gravitação tem desvios de resultados em escalas grandes (tipo de grandeza de galaxias) e pequenas ( nível atômico). Mas filosoficamente a ideia é lei.”

      Aqui vou ter que discordar de você. A questão é bem mais nuançada do que você parece acreditar e, na verdade, muitos destes termos são usados de maneira mais flexível e até intercambiável, mesmo entre os cientistas e filósofos da ciência. Filósofos da ciência debatem estas questões veementemente, como alguns dos artigos linkados abaixo deixam claro.

      http://philoscience.unibe.ch/documents/kursarchiv/SS07/bunge_criteria.pdf
      http://sas-space.sas.ac.uk/968/1/N_Cartwright_Laws.pdf
      http://www.geosociety.org/educate/NatureScience.pdf
      http://joelvelasco.net/teaching/120/giere-nolaws.pdf

      Porém, feita essa ressalva. Concordo que existe realmente um certo acordo mínimo que toma a forma de um consenso operacional em relação aos usos mais frequentes destes termos pela comunidade científica. Contudo, creio que este uso mais consensual difere um pouco do que você descreveu e é sobre isso que quero chamar a atenção. Por exemplo, o termo ‘Lei’ (no sentido de ‘leis naturais’ ou, talvez melhor dizendo de ‘leis científicas’) é mais empregado como sinônimo de generalizações descritivas de regularidades observadas na natureza que podem (como é comum na física e na química) serem expressas de maneira matematicamente mais rigorosa (como através de fórmulas e equações, por exemplo) e que, nestes casos, refletem certas relações associadas entre certas quantidades mensuráveis de certos sistemas e fenômenos naturais. Sim, essas generalizações são altamente corroboradas e têm, normalmente, um alto grau de validade em certas circunstâncias específicas, mesmo que hajam desvios em certas condições mais extremas. É neste sentido que falamos da ‘lei da gravidade’, ou seja, que ‘quaisquer dois corpos no universo atraem-se mutuamente com uma força que é diretamente proporcional ao produto das suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas’.

      http://en.wikipedia.org/wiki/Newton%27s_law_of_universal_gravitation
      http://physics.about.com/od/classicalmechanics/a/gravity.htm
      http://www.universetoday.com/57713/gravity-formula/
      http://www.physicsclassroom.com/class/circles/u6l3c.cfm
      http://thehappyscientist.com/science-experiment/gravity-theory-or-law

      Teorias científicas, por outro lado, são corpos conceituais e matemáticos mais amplos que visam unificar uma série de observações empíricas de modo coerente e assim explicar os fenômenos que subjazem a essas observações. Teorias científicas, portanto, devem incorporar, além das evidências observacionais diretas, modelos, hipóteses, as leis que são inferidas a partir dessas observações. É neste sentido que falamos em teoria universal da gravitação de Newton ou na teoria de relatividade geral de Einstein. Portanto, leis’ não são necessariamente hierarquicamente superiores às teorias científicas e não há necessariamente uma progressão entre hipóteses → teorias → leis, como alguns clamam, pelo menos neste sentido mais restrito, que é o mais comum de ser usado.

      http://www.ias.ac.in/resonance/Volumes/03/12/0055-0061.pdf
      http://ncse.com/evolution/education/definitions-fact-theory-law-scientific-work
      http://undsci.berkeley.edu/article/0_0_0/howscienceworks_19
      http://undsci.berkeley.edu/teaching/misconceptions.php#a2
      http://undsci.berkeley.edu/teaching/misconceptions.php#b12
      http://dels.nas.edu/resources/static-assets/materials-based-on-reports/reports-in-brief/role_of_theory_final.pdf
      http://www.gly.uga.edu/railsback/1122science7.html
      http://web.missouri.edu/~hanuscind/8710/NSTA_Science101theorylaw.pdf

      No link abaixo tem uma boa compilação de várias definições:

      http://evidence-based-science.blogspot.com.br/2008/02/what-is-scientific-law-theory.html

      Mas, além disso, o termo ‘teoria’ pode ser usado de forma mais ampla (mesmo dentro da pesquisa cientifica) para descrever fenômenos inferidos a partir de outros fenômenos diretamente observados. É neste sentido que a gravidade, assim como a evolução, são ‘teorias científicas’. Ou seja, não observamos diretamente a gravidade. Nós observamos as maçãs caindo, os projeteis seguindo trajetórias parabólicas e os planetas percorrendo as suas órbitas. A gravidade ou gravitação – tanto como o fenômeno da atração dos corpos que possuem massa, como a lei associada a intensidade dessa atração que varia com o quadrado da distância – não são observadas diretamente, mas inferidas a partir de várias observações e experimentos através dos quais as derivamos. O mesmo vale para o átomo e para a evolução (em ampla escala temporal), entidades e fenômenos que fogem de nossa capacidade direta de observação, mas que, mesmo assim, podemos detectar ou inferir a partir de uma ampla gama de observações e experimentos independentes. É, portanto, neste sentido que afirmo que a gravidade (assim como a evolução) é uma ‘teoria’. Simplesmente por que não as observamos diretamente. Este uso é mais comum quando essas conclusões são inicialmente apresentadas, mas acabam por cair em desuso, quando as incorporamos a nossas descrições gerais do mundo a nossa volta. Claro, como as evidências são esmagadoras, todas muito consistentes e persuasivas, podemos considerar que, em sentido mais amplo do termo, a gravitação e a evolução são ‘fatos’, uma vez que são fenômenos cientificamente corroborados consensualmente pela comunidade cientifica, não existindo boas razões para duvidarmos deles, mesmo que ainda haja muito para entender sobre COMO estes fenômenos se dão e sobre os detalhes de seus padrões.

      “ A teoria da relatividade ou da evolução é teoria, ou seja tem fatos comprovadamente falseáveis, não -verdades ou exceções que falseiam a própria teoria, mas se é comprovada por lógica e experimentação são aceitas com este nome “teoria” , e ficam famosas em caso de utilidade cientifica,”

      Isso que você afirma é consistente com o sentido mais convencional de ‘teoria cientifica’ que eu mencionei primeiro e que tem como objetivo dar coerência e unificar uma série de observações e assim ajudar na explicação os fenômenos.

      “… antigamente uma teoria era muito aceita, final do seculo XlX, inicio do XX a teoria do éter cósmico, que o universo era feito de um tipo de solvente, coloide ou gelatina, ela caiu por um fato apenas o da refração da luz, usando a teoria da relatividade, que era nova… Só descobriríamos por experimentação ao lançar os primeiros satélites nos anos 40 ou 50 heheh, a teoria que provou outra teoria ser falsa teve uma boa aplicação aqui.. “

      Neste sentido mais restrito é que falamos em ‘Darwinismo’, ‘Neo-Darwinismo’, ‘Teoria sintética’ etc. Estes termos (que podem causar uma certa confusão aos leigos) referem-se a versões da teoria evolutiva que visam explicar os mecanismos e destrinchar os padrões da evolução biológica. Porém, é preciso de um pouco de cuidado aqui, pois este não é o mesmo sentido que muitos falam da ‘Teoria da evolução’, que muitas vezes é usado no segundo sentido que expliquei, ou seja, como referindo-se aos fenômenos da ancestralidade comum e da descendência com modificação, que envolvem o fato das populações de seres vivos mudarem ao longo das gerações, subdividirem-se, divergirem umas das outras (dando origem a novas linhagens), o que resulta no parentesco entre todos os seres vivos. Então, a evolução é tanto um ‘fato’ (fenômeno cientificamente corroborado) como uma teoria (que visa explicar os mecanismos e padrões destes fenômenos).

      http://www.talkorigins.org/faqs/evolution-fact.html
      http://www.actionbioscience.org/evolution/lenski.html
      http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12052-007-0001-z
      http://www.stephenjaygould.org/library/gould_fact-and-theory.html
      http://www.chd.ucsd.edu/_files/fall2008/Weber.2007.BT.pdf

      “A teoria da evolução ou evolutiva é muito boa para começarmos a desvendar a origem das espécies, infelizmente poucos biólogos entendem de química, e físico-química, digamos que existam vários, eu conheço alguns, mas não a nível de destrinchar níveis de energia em reações nas proteínas, amino ácidos, calculando cinética de reação, afinidade estática , forças de ligação que ocorrem dentro de nós, bom nem entre os químicos os que manjam de bioquímica, raramente gostam de físico química, e os físico-químicos, acabam indo mais para o lado da física de materiais , ou industria.”

      Desculpe, mas aqui você faz uma grande confusão, especialmente por que em muitas dessas áreas existem muitos físicos (além de químicos e bioquímicos) trabalhando com essas coisas e que conhecem muito bem estas questões.

      ‘Assim um dia podendo ter uma visão de toda a química da mutação, usando os cálculos físico químicos, talvez a teoria da evolução, vire Lei, e certo que não será a mesma coisa que aceitamos hoje, mas o mérito vem da ideia inicial.’

      Como eu tinha dito antes, é um equívoco achar que há uma progressão necessária entre hipóteses -> teorias -> leis. Este é uma confusão comum, mas não tem respaldo no que se discute na filosofia da ciência e nem mesmo na prática dos cientistas.

      “Vem do Darwin. Ano passado eu li no original a ” A Viagem do Beagle” pelo próprio Darwin, é muito massa, além de fazer as ‘pazes’ com a figura do Darwin, fiquei com vontade de conhecer a terra do fogo. Fazer as pazes é modo de dizer, achava quando novo que tinha muitos furos na teoria da evolução, e ele era ‘Estrelinha’, na verdade ele foia mente genial que juntou os pontos disponiveis, e claro assim que como com a figura do Einstein, tem muita gente ganhado rios de $$ falando do Darwin… O Einsten é tri mas o Poincaré é mais heheh.”

      Só para deixar claro. Assim como o estudo da gravidade não parou em Newton e nem em Einstein, o estudo da evolução não parou em Darwin. A biologia evolutiva e a moderna teoria evolutiva estão em constante avanço e refinamento, como podemos perceber pela enorme quantidade de material científico publicado em periódicos científicos. A biologia evolutiva é um campo multidisciplinar e a moderna teoria evolutiva é uma teoria muito sofisticada e altamente matematizada, principalmente nas áreas de genética evolutiva (de populações e quantitativa) e na inferência filogenética.

      “A evolução tem algumas contradições inclusive com a 2ª LEI da termodinâmica, que é uma lei sem exceções, tudo deriva dela em termos de demostração, a gravitação(mesmo sendo mais antiga), leis do magnetismo, reações químicas afinal somos feitos disso….moléculas Se um dia a quem interessar dar mais uma aprofundada em termodinâmica, verão o que digo, não é só troca de calor aqui, é o conceito, e as ferramentas matemáticas que estão a disposição.”

      Esse é outro grande equivoco. A evolução dos seres vivos não viola a segunda lei da termodinâmica. Os sistemas biológicos são sistemas abertos, ou seja, que trocam matéria e energia com seu em torno. Portanto, a entropia pode decrescer localmente (nos seres vivos e em seus ecossistemas) às custas do aumento da entropia do sistema como um todo, que em última instância podemos considerar o universo como um todo. Temos uma fonte de energia fantástica que é o nosso sol, cuja luz é convertida em energia aproveitável (de baixa entropia) pelos sistemas biológicos (por meio da fotossíntese), e que, ao entrar na cadeia alimentar, é em parte dissipada (em formas de energia de alta entropia) pelo ambiente, contribuindo assim com o aumento total de entropia de nosso planeta e do universo como um todo. Isso é bem conhecido pelos químicos e físicos. Existem muitos trabalhos sobre o assunto que corrigem o equivoco comum (muitas vezes disseminado por criacionistas) de se pensar que existiria uma contradição entre a evolução e a segunda lei da termodinâmica, quando na verdade não há.

      http://www.talkorigins.org/faqs/thermo.html
      http://evolucionismo.org/profiles/blogs/termodinamica-e-evolucao-o
      http://www.if.ufrgs.br/cref/?area=questions&id=28

      Referências adicionais e mais aprofundadas:

      Schreiber, A., & Gimbel, S. (2010). Evolution and the Second Law of Thermodynamics: Effectively Communicating to Non-technicians Evolution: Education and Outreach, 3 (1), 99-106 DOI: 10.1007/s12052-009-0195-3

      Bunn, E. (2009). Evolution and the second law of thermodynamics American Journal of Physics, 77 (10) DOI: 10.1119/1.3119513

      Styer, D. (2008). Entropy and evolution American Journal of Physics, 76 (11) DOI: 10.1119/1.2973046

      Atkins, P. & de Paula, J.(2008) Físico-Química Biológica editora LTC ISBN: 9788521616238.

      Nelson, Philip Física Biológica – energia, informação, vida (2006) editora Guadabara Koogan ISBN 8527712091.

      “Mas fala sério, seria tri massa se esse papo de sereias fosse verdade, mas la fora da bola azul certo que tem mais criaturas, estatisticamente falando ehhehe Abração”

      🙂 Verdade. Seria uma descoberta fantástica.

      Abraços,

      Rodrigo

  28. Marquinho says:

    Acreditei no documentário e achei aqui todo tão convincente….. Obrigado Rodrigo , temos que prestar atenção antes de acreditar em documentários desse tipo….( o que não é errado, é uma estratégia de audiência muito boa) conhecemos apenas 10% dos mares, com certeza deve ter criaturas desconhecidas…

    Abraço

  29. susana says:

    eu acredito que existem sereia sim, e um dia vamos provar isso, existem sereia assim como Dinosauros, mas com o passar do tempo eles foram ficando extinto,

    • rodveras says:

      Tecnicamente os dinossauros não foram completamente extintos, já que as aves são considerados dinossauros terópodes avianos, mas nada nem parecido com evidências científicas de sereias já foram encontradas. E foi basicamente isso que tentei explicar com o meu post, deixando claro que os programas do Animal Planet sobre o assunto são pura ficção, escorada em especulação pseudocientífica e em alguns fato reais, mas bem exagerados sobre certos fenômenos misteriosos, como o bloop. Mas caso realmente existam sereias também espero que as encontremos, já que esta seria uma descoberta impressionante, mas eu não prenderia minha respiração até lá.🙂 Obrigado por ter comentado.

  30. Ta…eu li tudo, mas, afinal, se o tal cientista é um ator, qual o nome do ator em questão? quero pesquisar sobre ele.

    • rodveras says:

      Não, acho que vc não leu tudo. Além do fato, de no final deste post específico, eu ter um link para o post sobre o Dr ‘Paul Robertson’:

      “Atualização do dia 27 de janeiro de 2014:

      Aos desaviados, que caíram neste post de para-quedas ou após uma procura no google motivada pela exibição de um dos programas do AP sobre sereias, existem outros posts sobre o tema, neste mesmo blog (sigam os links) e, principalmente, escrevi um post mais recente do que este sobre o ator principal do segundo programa. Vejam “Sobre sereias, goblins de metal e jogos de Pimball/RPG: As muitas vidas do ‘Dr Paul Robertson“.”

      Nos comentários cito explicitamente o nome do ator, Dave Evans, tanto em resposta ao Izaías como ao Victor:

      “Vc é outro que não deve ter lido os outros posts e demais links que estão aí neste texto, não é?

      Sua objeção é ridícula e simplesmente não funciona. A resposta é simples e clara, mas você não a quer. Neste e em outros posts que escrevi sobre o tema examinei as evidências, algumas delas bem claras e óbvias, como os avisos que constam nos programas (que estão lá para todos lerem), mas também as próprias entrevistas com o criador e descrições dos programas nos sites dos canais, além de ter descoberto quem são os atores (especialmente Dave Evans que interpreta o Dr Robrtson); sem esquecer que verifiquei que os cientistas citados são todos fictícios, não possuindo registros em universidades e institutos de pesquisa alegados e nem publicações, algo que todos podem fazer.

      As pessoas que continuam acreditando que os programas são reais são aquelas que querem muito acreditar nisso, já tendo propensão a acreditar em teorias conspiratórias e que, infelizmente, nem ao menos esforçaram-se para uma verificação básica, do tipo da que eu fiz.

      Não são minhas palavras meramente que contam, portanto, mas as informações veiculadas por elas e os links com as declarações do criador, do NOOA e para os sites de alguns dos atores, por exemplo. Portanto, o problema está claramente em sua preguiça de seguir os links e referências ou fazer sua própria verificação na internet.

      Tudo que escrevi pode ser facilmente verificado. Forneço as referências e links. Faça o seu dever de casa e depois tire suas conclusões.”

      ”🙂 Fiz um post sobre o Dave Evans e sobre esta outra encarnação do Dr Paul, desta vez com outro nome (‘Mark Hoyt’) e pagando de geomorfologista.

      https://calmariatempestade.wordpress.com/2013/10/25/sobre-sereias-goblins-de-metal-e-jogos-de-pimballrpg-as-muitas-vidas-do-dr-paul-robertson/

      Grande abraço,

      Rodrigo

  31. Amanda Alves says:

    Olha,as “sereias” do programa foram montadas,como eles supostamente pensam que sao! Mais vc nn pode simplesmente falar que e tudo mentira,algum cientista encontrou sim aquelas evidencias,e vc falar das mãos,sabe nos evoluimos de proconsul(nn sei cono escreve certinho) nada impede de eles terem evoluido de outro primata,afinal,vc tentou explicar sua teoria atraves de chimpanzes e gorilaz,mas eles estao aqui hoje,e aquele suposto primata,não,claro que algumas coisas podem não ter sido contadas ao todo,mais me deixou irritada,o fato de vc simplesmente,ir criticando,eu realmente espero que vc seja algum tipo de biologo(a) ou alguma coisa do tipo,pq eu ja estou estudando a muito tempo essa teoria!!
    Pode nn ser do jeito que mostram no programa,todos vivendo em “bando” e aqueles olhos grandes etc…. Mais existe sim as supostas ” sereias” ao meu ponto de vista se prefere se esconder achando que nn a nada que os humanos,os grandes cientistas nn sabem nesse mundo,abra seus olhos tem tanta coisa acontecendo,ainda mais nos oceanos,a muito a ser descoberto ainda,claro que vc tem direito de acreditar no que quiser,mais pense bem,encontraram evidencias em um dos lugares mais frios do mundo,e quase impossivel mergulhar ate tal profundidade,sem congelar,ou sofrer de uma hipotermia,e claro que essas “sereias” nn devem ser compleramente tontas,assim como a maior parte dos animais marinhos,e chegar com um submarino ia ser nada chamativo nn? So acho que deveria considerar algumas coisas que disse,e pensar melhor sobre o assunto,como o da mão,do esqueleto(afinal eles nn viram uma viva ainda),os cientistas,enfim tudo! Porque,sim algumas coisas podem ser mentiras mesmo,ou nn contaram tudo sobre o assunto,mais nn jogue simplesmente tudo fora,obrigado pela atenção,e espero que pense sobre o assunto!

    • rodveras says:

      Amanda, sim sou biólogo e tenho boas noções de biologia marinha e biologia evolutiva, tendo, desde a primeira vez que esses programas foram ao ar (na verdade já desde o programa sobre dragões), me debruçado sobre eles, já que me interesso por divulgação científica e educação. Infelizmente, você foi mais uma que não leu e não gostou do meu post, pois caso vc tivesse lido com atenção os posts que escrevi sobre o assunto teria percebido que eu não só ‘acho’ ou ‘critico’, mas realmente apresento evidências e argumentos para apoiar o que eu escrevo, coisa que vc não faz. Siga os links e demais bibliografias. Vc, pelo contrário, apenas reclama e exercita seu ‘wishfull thinking’ sem oferecer argumentos ou evidências, apenas exercita seu direito de acreditar, como se eu fosse contra ele (algo que jamais afirmei, mas que muita gente parece ter concluído, sabe-se lá como) em qualquer coisa sem quaisquer evidências sólidas, que não está em discussão, como já expliquei várias vezes nessa sessão de comentários.

      Repito, caso vc não tenha compreendido, não é que eu desconfio que o programa é falso. Não é isso. O programa não é um documentário é pura ficção que se baseia em uma hipótese especulativas pseudocientífica e usa alguns fatos conhecidos (encalhe de baleias, bloop etc) e os exagera e distorce para criar uma narrativa ficcional, cheia de teorias conspiratórias, montada na forma de documentário, ou seja, é um ‘docuficção’ ou ‘mockumentary’. Isso sem é inédito, como já havia comentado em outras ocasiões.

      Então entenda. Não há portanto quaisquer evidências científicas das tais sereias e os próprios produtores dos programas reconhecem que eles são só ficção especulativa. Não há artigos científicos publicados sobre o assunto, não existem amostras dos tais seres em nenhum laboratório ou museu do mundo e nem ao menos nenhum dos cientistas ali apresentados existem, são atores, como documentei em outros posts.

      Concluindo. Você pode acreditar no que quiser, inclusive que sereias existem, o que fiz nos meus posts foi simplesmente mostrar que estes programas do Animal Planet não são evidências para elas e nem se propunham a ser, mas por causa da vontade de aumentar a audiência, os responsáveis por eles preferiram se esconder na ambiguidade dos alertas para conseguir mais atenção, não deixando clara a natureza ficcional dos programas, mas sem jamais afirmar sua realidade. Leia os links e as referências.

      Atenciosamente,

      Rodrigo

  32. niskki says:

    nada a ver com o ”documentário” das sereias. mas você chegou a ver um que eles se propoem a falar sobre o misterioso caso da passagem de dyatlov? basicamente eles encerram o programa concluindo que a equipe de montanhistas foi na verdade atacada por um yeti russo. e há quem acredite piamente apenas por se tratar de um programa do DC.

  33. Pingback: Meias verdades, constroem grandes mentiras | Zambukaki

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