Combatendo a ciência de má qualidade: A importância da publicação dos resultados negativos

Para variar, mais duas excelentes palestras do médico psiquiatra e epidemiologista, e eterno garoto, Ben Goldacre. Estas duas TEDtalks “Combatendo ciência ruim” e “O que os médicos não sabem sobre as drogas que prescrevem”.

Além do habitual sensacionalismo da mídia com relação a pesquisa médica e biomédica, que alterna entre a propagação do terror e a venda da panaceia, os absurdos das terapias alternativas e complementares, com sua base pseudocientífica e ausência de evidência clínica rigorosa, a própria medicina convencional pode ser vítima de más práticas de investigação e, portanto, tornar-se má ciência. Goldacre nos alerta para o fato das grandes companhias farmaceuticas estarem escondendo dados relevantes para a avaliação crítica da qualidade e segurança dos fármacos, infelizmente, com a a anuência dos órgãos regulatórios. Não se faz ciência de qualidade suprimindo dados. Precisamos do conjunto das informações para podermos tirar conclusões e decidirmos qual o melhor curso de ação. Veja também esta sessão de P&R com ele após a primeira das conferências.

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Referências:

  • Goldacre, Ben ‘Bad Pharma: How drug companies mislead doctors and harm patients.’ Fourth Estate, 2012. 448 p.
  • Goldacre, Ben ‘Ciência da Treta’ Bizâncio editorial, 2009. 336 p.

About rodveras

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One Response to Combatendo a ciência de má qualidade: A importância da publicação dos resultados negativos

  1. QUALIDADE DE CENTROS DE PESQUISA CLÍNICA PRECISA MELHORAR

    É consenso entre os pesquisadores que a qualidade de grande parte dos Centros de Pesquisa brasileiros, seja nas indústrias ou nas Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (ORPCs), ou CRO (Contract Research Organization) ainda não é a ideal, nem atingiu a excelência profissional. Um dos fatores está relacionado à incapacidade e imperícia profissional, formação inadequada, falta de conhecimento técnico etc., princípios que têm comprometido as pesquisas clínicas feitas no país.

    É imprescindível a busca incessante pela excelência na qualidade dos Centros de Pesquisas. Para ser um pesquisador qualificado, além de uma graduação na área de saúde, deve ter formação específica e de qualidade em pesquisas. Dominar as diretrizes das Boas Práticas Clínicas e os preceitos da Bioética, dentre outros, são fatores críticos que definem o sucesso ou o fracasso de um estudo clínico.

    Só para dar uma ideia do que o país perde no segmento, um levantamento conduzido pelo ViS Research Institute mostra São Paulo na nona posição entre as cidades com maior número de polos de pesquisas clínicas do mundo, à frente inclusive de Paris e Londres. Entretanto, a despeito do grande número de centros de pesquisa, apenas 1% dos estudos clínicos mundiais é desenvolvido no Brasil, enquanto os Estados Unidos abocanham 44,1% da fatia mundial.

    São várias as ações que colocam o país nesse déficit em pesquisas, mesmo tendo um ambiente propício para estudos de qualquer natureza, devido à sua rica diversificação étnica. Além dos acima citados, a burocracia é outro gargalo no prazo de liberação dos testes clínicos pelos órgãos regulatórios. Cerca de 30% dos processos encaminhados para aprovação são devolvidos para revisão e retrabalho, colaborando sobremaneira com a morosidade. O mercado brasileiro de pesquisa oferece significativo potencial de crescimento, porém, acaba sendo preterido devido à demora na realização de pesquisas, inviabilizando novas patentes, prejudicando médicos e pacientes.

    É preciso profissionalizar o setor. Nossa experiência na formação de centenas de alunos nos permite reconhecer e avaliar a importância da boa formação profissional como fator de sucesso. A carreira na área é promissora, desde que atinjamos a excelência profissional.

    Dra. Conceição Accetturi é Médica Infectologista, Presidente da Sociedade Brasileira de Profissionais em Pesquisa Clínica (SBPPC) e Diretora Médica da Invitare Pesquisa Clínica.

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