Tubarões, submarinos e o poço sem fundo da vergonha que viraram os canais discovery.

E houve um tempo em que eu adorava a ‘Semana do Tubarão’, mesmo com os exageros e o certo sensacionalismo típico dos canais Discovery, mas desde que para eles a realidade (mesmo exagerada) passou a não bastar mais, e começaram a produzir pseudo-documentários após pseudo-documentários, não consigo nem mais sintonizar na maldita semana do tubarão.

Agora, dando continuação aquela coisa ridícula sobre o Megalodon, vai passar aqui no Brasil outra pérola, desta vez sobre os famigerados ‘submarinos’, tubarões brancos bem acima dos maiores tamanhos registrados; verdadeiras lendas marítimas ou urbanas, como preferir. É na mesma linha dos programas sobre as sereias e dragões e do pouco conhecido aqui no brasil Animal Palnet ‘Lost tapes‘, que pendiam mais para o terror e sobrenatural e faziam o estilo ‘filmagem encontrada’.

A diagram from the Shark Week show “Shark of Darkness: Wrath of Submarine,” which shows how big the fabled mega-shark would be if it existed. (Pilgrim Studios)

Entendam. Não é que seja um programa especulativo nos qual os documentaristas crédulos vão atrás de alguma criatura lendária ou criptídeo, daqueles que os caras terminam com um tufo de pelos (que mais tarde descobrem que é de um animal comum) ou uma imagem borrada e ambígua, como na série Animal X. Não, não é isso. Não se trata deste tipo de programa, que também é bem ruim.

Este programa da semana do tubarão do ano passado segue o mesmo gênero dos programas sobre dragões, sereias e sobre o megalodon. São pura ficção, mas apresentada desavergonhadamente como um documentário e, caso você não preste atenção nos alertas e desmentidos, quase escondidos e super rápidos que aparecem no meio ou ao final, você pode ser enganado e acabar achando que aquilo é um documentário mesmo, já que, em tese, é para isso que canais como o Discovery Chanel e Animal Planet serviriam. Claro, você pode concluir que há algo de muito errado simplesmente por causa dos problemas de produção, cada vez mais desleixada, e por causa da canastrice dos ‘participantes’ (atores) e no diálogo esquisito (roteiro ruim).

Para maiores detalhes, veja os comentários da zoóloga marinha sul africana Michelle Wcisel sobre o programa aqui no qual ela relata os furos e inconsistências dele. Cada vez mais ficção (ruim) e menos informação.

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24 Responses to Tubarões, submarinos e o poço sem fundo da vergonha que viraram os canais discovery.

  1. isaac says:

    Eu terminei de assistir agora o “documentario” e vim na internet pesquisar para realmente saber se era verdade e me deparo com sua postagem.
    Mas esses comentarios da zoologa realmente são fieis?

    • rodveras says:

      Olhe só a que ponto chegamos. Para começar Michelle Wcisel é uma pessoa de verdade e uma cientista de verdade que trabalha com o tema (tubarões brancos) e na mesma área (África do Sul) na qual se passa o programa do Animal Planet. Sobre ela podemos facilmente achar várias informações acadêmicas e profissionais relevantes que atestam sua especialização e sua identidade de maneira geral. Ela é uma pessoa com a qual você pode até, em tese, se corresponder porque ela escreve em um blog, no qual você pode deixar comentários, e possui um e-mail institucional. Além disso, no texto linkado no meu post, ela dá links (fontes) e propõem testes que você pode fazer usando o google earth para checar as informações geográficas dadas no programa do AP que entram em conflito com a realidade. Você pode achar até os artigos científicos co-escritos por ela nas revistas acadêmicas onde ela e seus colaboradores os publicaram.

      http://scholar.google.com/citations?user=8fP7NVUAAAAJ&hl=pt-PT
      http://www.dict.org.za/blogs/tag/michelle-wcisel/
      http://www.dict.org.za/researchers.php
      http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0066035
      http://www.dict.org.za/research%20posters/michelle.pdf
      http://www.sharkwatchsa.com/en/saving-the-ocean/our-marine-biologists/?crew-member=765
      http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=10&cad=rja&uact=8&ved=0CEwQtwIwCQ&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Doh58xLJGT2E&ei=APqzVNeXNMW1ggS56IHYAQ&usg=AFQjCNEfUhgLHfz6p8ykaX5Hx2Dg6irGGg&sig2=QL_IyyoY7Ov_BouxNDhsUw&bvm=bv.83339334,d.eXY
      http://www.yourwildlife.org/2014/08/before-they-were-scientists-michelle-wcisel/
      http://aduweb.uct.ac.za/adu/httpdocs/staff_page.php?staff_id=282

      Por outro lado, as pessoas ‘citadas’ no programa do AP (que disse e repito, não é um documentário) nem ao menos existem. Não constam nas páginas das instituições de pesquisa que deveriam relacioná-las, caso existissem. Sobre elas não se consegue muita informação relevante (Cuidado! Vc pode até encontrar homônimos, mas não irá encontrar pessoas com aquelas descrições e características específicas). Não precisa de muito mais para concluir que isso acontece porque essas ‘pessoas’ são personagens de ficção, vividas por atores contratados para isso. No entanto, são as informações da pesquisadora de verdade (Michelle Wcisel) é que são questionadas e não as dos personagens de ficção de um canal de TV que há muito tem preferido fazer este tipo de pseudo-documentário (vejas as minhas postagens sobre os programas dos dragões, sereias e megalodon). Para negar essa conclusão é preciso enveredar por teorias conspiratórias que demandam uma vontade muito grande de querer acreditar e suspender nossas faculdades críticas e a constatação que certos tipos de veículos de mídia estão mais interessados na audiência e não em divulgar e informar com precisão e seriedade.

      Entende o que eu digo? Wcisel, claramente, é uma fonte muito mais confiável do que o tal programa do AP ao qual ela se deu ao trabalho de assistir e comentar, mas mesmo assim é questionado este fato simples e fácil de verificar. Note bem. Isso não é culpa sua, pois deveríamos esperar que um canal que tradicionalmente se notabilizou por exibir documentários sobre a vida animal não fizesse esse tipo de coisa, mas esse não é mais o caso do AP e do Discovery Channel. Cada vez mais eles preferem focar-se na audiência e no sensacionalismo usando de estratégias como essa, ou seja, deixar turvas as fronteiras entre documentários e programas de ficção. Essa é uma estratégia triste e enganosa, pois enquanto eles poderiam sem dúvida usar esse formato, mas deixando muito claro que aquele programa é puramente ficcional (uma exploração de possibilidades usando o formato de documentário), eles preferem deixar que muitas pessoas pensem que eles estão apresentando algo real, sem terem explicitamente que afirmar isso, usando, para tanto, de alertas (disclaimers) e desmentidos curtos, quase não identificáveis, e ambíguos que podem ser interpretados dubiamente e que servem de proteção para os produtores e responsáveis pelos canais, caso alguém queira processá-los. Quando até os antigos canais que se dedicaram uma vez a divulgação científica e ao jornalismo começam a fazer isso, temos que redobrar nossos esforços críticos e ter muito mais cuidado com as informações que recebemos.

      Por isso, diante desse tipo de informações conflitantes, procure as fontes e busque informações múltiplas que as legitimem. Então, se aparece em um programa que o cientista fulano de tal afirmou tal coisa, primeiro, veja se ele existe. Veja se existem outros traços claros de sua existência. Por exemplo, verifique se ele escreve em blogs, se participou de outros documentários em outros canais mais confiáveis (NatGeo, BBC, etc) etc. O principal, entretanto, é você confirmar as credenciais acadêmicas e profissionais da pessoa. Veja se ela trabalha na instituição acadêmica na qual, no programa, afirmaram que essa pessoa trabalhava e se fazia pesquisa com o tema. Tente identificar se ele tem artigos técnicos sobre o tema em questão publicados em revistas cientificas indexadas revisadas por pares que possam ser encontradas via googleschorar, pubmed, webofscience etc. Outra coisa, desconfie de alegações extraordinárias, principalmente as que não chegam ao nosso conhecimento por artigos técnicos de periódicos respeitados (Science, Nature, etc) e que não são cobertas pelos cadernos e sites especializados em múltiplos meios de comunicação támbém confiáveis (BBC, NatGeo etc). Fatos extraordinários em histórias, sites, livros ou programas soltos de TV são sempre sinal de que algo está errado. Cuidado!

      Grande abraço,

      Rodrigo

  2. rodveras says:

    Antes que eu me esqueça. Aconselho também o post de outra pesquisadora, a bióloga marinha e blogueira da Discover Magazine (sem ligação com os canais Discover), Christie Wilcox, que comenta e crítica a desinformação cada vez maior que tem sido veiculada pelos canais Discovery, não só através desse pseudo-documentários, mas dos próprios documentários.

    http://blogs.discovermagazine.com/science-sushi/2014/08/16/sharkageddon-vies-worst-shark-week-show-time/#.VLQDOvgju1E
    http://blogs.discovermagazine.com/science-sushi/2013/08/05/shark-week-jumps-the-shark-an-open-letter-to-discovery-communications/#.VLQD7_gju1F
    http://blogs.discovermagazine.com/science-sushi/2014/07/18/fraud-deception-lies-discoverys-shark-week-became-greatest-show-earth/#.VLQD-fgju1E

    Vários cientistas que trabalham com biologia marinha têm ficado cada vez mais irritados e decepcionados com os canais Discovery por esses motivos.

    http://deepseanews.com/2012/05/rip-science-on-tv/

    Grande abraço,

    Rodrigo

  3. Marcos Lima Filho says:

    parabéns pelo texto e comentários esclarecedores.

  4. Juliano says:

    Documentary Huge Shark “Submarine”
    Gostaria de saber sobre o titulo acima do animal planet

    • rodveras says:

      Oi, Juliano. Pelo que pude conferir, via google, o título que vc mencionou refere-se ao mesmo pseudo-documentário do qual meu post trata, “Shark of Darkness: Wrath of Submarine”. Este é mais um dos programas do Discovery Channel e do Animal Planet que apresenta ficção disfarçada de documentário sobre história natural. Como nos casos dos programas sobre dragões e sereias, nele não são relatados fatos reais e nem são apresentadas as opiniões de cientistas de verdade. São todos atores que fazem o papel de sobreviventes, testemunhas e cientistas e todas as imagens são criadas por CGI ou efeitos práticos. É tudo encenado e o desmentido/alerta que eles dão ao final é, mais uma vez, extremamente ambíguo, não deixando claro a natureza ficcional do programa ao mesmo tempo que, a posteriori, pode ser utilizado para evitar qualquer responsabilidade caso alguém resolva acioná-los legalmente.🙂

      O mais interessante,porém, é que no site news.discovery, que é do mesmo conglomerado responsável pelo Discovery Channel e pelo Animal Planet, está disponível uma pequena reportagem onde a lenda dos chamados ‘submarinos’ é analisada de maneira mais crítica. No artigo são apresentadas as informações e opiniões de pesquisadores de verdade, inclusive Sul Africanos, que trabalham com tubarões brancos. Eles explicam que estas histórias são muito provavelmente simples histórias de pescador produzidas tanto pela própria dificuldade de estimar os tamanhos de tubarões brancos na água como da tendência geral das testemunhas exagerarem. Não há ali, no artigo, qualquer menção a qualquer um dos supostos fatos que são mostrados no pseudo-documentário do Animal Planet.

      http://news.discovery.com/animals/sharks/submarine-any-truth-to-the-legend-140714.htm

      Informações sobre os pesquisadores que são citados no artigo podem ser encontrados nestes sites, algo que não pode ser feito no caso dos ‘cientistas’ do pseudo-documentário do AP:

      http://www.sharkwatchsa.com/en/saving-the-ocean/our-marine-biologists/?crew-member=763
      http://www.rsmas.miami.edu/people/faculty-index/?p=neil-hammerschlag
      http://www.calacademy.org/explore-science/john-mccosker

      Grande abraço,

      Rodrigo

  5. Mauro SF says:

    E pior, ainda tem gente que não vê nada de errado em canais de documentário passarem esse tipo de programa, acham as críticas são “frescura”. Deve ser gente que prefere viver inteiramente na fantasia, talvez por não suportarem a realidade. Realmente, o mundo do cinema e tv acaba liberando o pior das pessoas.

    • rodveras says:

      É Mauro. Às vezes tenho a mesma impressão. Muitas pessoas parecem não estar aí para a distinção entre realidade e fantasia, ou pelo menos entre informação embasada e pura especulação.

      Obrigado por comentar.

      Abraços,
      Rodrigo

  6. flavia says:

    Realmente uma vergonha o que a Discovery channel e o animal planet vem fazendo na sua programação. As pessoas de um modo geral são muito impressionáveis e dão mais valor ao sensacionalismo e à ficção do que para a realidade, e os caras se aproveitam disso fazendo esses pseudodocumentarios so pela audiência.

  7. leandro says:

    concordo com tudo mas também é muita pretensão ter certeza de que não existe tal fera sendo que o homem não conseguiu e nem vai conseguir explorar todo o universo submarino.existem oportunistas que querem sempre se dar bem mas enquanto não se prova nada é melhor ficar com o bom senso.

    • rodveras says:

      Oi, Leandro. É exatamente o bom senso que nos alerta para implausibilidade e portanto improbabilidade da existência deste tipo de criatura, mesmo que não possamos excluir completamente essa possibilidade. Esta é a conclusão mais apropriada, mesmo que provisória e eventualmente revisável. Então sem evidências concretas de que estes seres existem nós deveríamos nos manter céticos em relação a esta possibilidade. Caso não tenhamos bem claro em nossas mentes esta simples e importante constatação podemos incorrer em uma falácia, o ‘argumento de ignorância’ – ou seja, só porque não reviramos cada centímetro cubico dos Oceanos e é sempre possível especular que os tais supostos seres teriam o desejo e todo tipo de capacidades de evitar que fossem detectados, além de podermos sempre alegar que houve algum tipo de conspiração para supressão da verdade, então isso deve implicar que deve haver ‘alguma coisa lá’. Essa conclusão é totalmente inapropriada. É amontoar especulação em cima de especulação, improbabilidade em cima de implausibilidade.

      A mera possibilidade lógica (especialmente quando ela é tão remota assim) não é um bom argumento para levarmos a sério este tipo de lendas. O problema com este raciocínio é que ele inverte o ‘ônus da prova’, não reconhecendo que mesmo que não consigamos provar algo em sentido absoluto, ainda assim podemos reunir evidências suficientes e argumentos bons o bastante para chegarmos a conclusões bem sólidas, que devem só serem desafiadas quando surgirem evidências e argumentos ainda mais sólidos e portanto convincentes. Claro, como seres humanos, somos seres falíveis, portanto mesmo nossas mais bem substanciadas conclusões científicas podem mostrar-se incorretas, mas até que evidências solidas surjam de que esse á o caso, não há boas razões para dar muito crédito a estas possibilidades remotas. Isso é exatamente o que nos dita o bom senso.

      Obrigado por comentar e grande abraço,

      Rodrigo

  8. Natanael Neves says:

    Olá acho um absurdo vc duvidar do tubarão submarino ele existe vc não viu tantas fotos e vídeos que aparecem ele ele afundou um navio veja o documentário no animal planet ele existe e vc aí com dúvidas

    • rodveras says:

      Caro, Natanael. Partindo do princípio que você não está simplesmente trollando, aconselho que vc leia o meu post (e os links e referências que forneço nele) e os demais posts sobre os outros programas deste tipo exibidos pelo Animal Planet.

      O AP e o Discovery Channel há muito perderam a credibilidade, inclusive com o novo CEO do grupo afirmando que devem deixar de fazer este tipo de programa, que seriam apenas para ‘entretenimento’, ‘maravilhamento’ e ‘encantamento’ dos telespectadores, mas não para informar e educar os mesmos. Esse e os outros programas (sobre dragões, sereias e o megalodon) são pura ficção, com poucos fatos reais sendo introduzidos para dar uma sensação de documentário. Esses programas não são documentário, mas pseudo-documentários.

      O programa portanto não apresenta fotos ou filmagens reais, mas encenações e efeitos especiais. Os próprios programas deste tipo admitem (ainda que meio veladamente isso), em seus desmentidos/alertas (‘disclaimer’). Não existem relatos e confirmações independentes das tais ‘fotos’ e ‘filmagens’, sendo os supostos fatos e histórias relatadas ali completamente desconhecidas dos pesquisadores de verdade que trabalham na área, publicam artigos técnicos, possuem páginas, vinculação institucional e os quais você pode até contactar.

      Por outro lado, as pessoas que aparecem no programa posando de cientistas, testemunhas e membros de equipes de resgate são atores representando personagens, simplesmente isso. Para confirmar isso basta procurar informações sobre essas ‘pessoas’ (personagens) em outros veículos de mídia, por exemplo, como sites jornalísticos da África do Sul onde certamente, caso os ataques fossem reais, eles teriam contado suas histórias, exibido as fotos e filmes. Procure no youtube por estas ‘filmagens’ e veja se encontra algum vídeo que tenha sido postado antes do programa do AP ter sido exibido na TV pela primeira vez, já que muitos dos casos teriam ocorrido nos ultimos 10 ou 20 anos. Vc não vai encontrar este tipo de coisa, o que mostra q

      Repito. Não há nenhuma evidência que corrobore estas histórias, além de haver o reconhecimento tácito, como disse (por parte da produção do programa) de que aquilo tudo é ficção. Além disso, o tamanho e comportamento da suposta criatura vai contra tudo que conhecemos sobre os Tubarões brancos. Por fim, as ‘explicações’ apresentadas ali para esses ‘comportamentos’ bizarros são completamente absurdas (Sério que vc acha mesmo que os Tubarões aprenderam a ficar paradinhos de butuca e atacar sorrateiramente assistindo às Orcas, como em um momento do programa é afirmado?).

      Caso queira encontrar informações reais sobre grandes tubarões brancos procure fontes confiáveis, como o belíssimo vídeo recentemente filmado em que uma enorme tubarão branco fêmea, de cerca de 6 metros (provavelmente o maior animal deste tipo já filmado, e não criado por CGI em um computador) foi registrada pela câmera, nadando tranquilamente perto de um mergulhador. Confie em pesquisadores de verdade e não em personagens de ficção.

      http://news.nationalgeographic.com/2015/08/150814-sharks-great-whites-animals-science-biggest/?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_content=link_fb20150815news-greatwhite&utm_campaign=Content&sf11975245=1

      Abraços e obrigado por comentar,

      Rodrigo

  9. eu says:

    se o documentário do tubarão submarino é falso ,na trilha dos Hobbies também é

    • rodveras says:

      Oi. Obrigado por comentar por aqui.

      Olha, eu ainda não tinha ouvido falar deste programa e ainda não o vi, mas procurando um pouco na internet achei o “Na trilhas dos Hobbits” [http://filmow.com/na-trilha-dos-hobbits-t129055/ficha-tecnica] que acho que é o programa que vc tinha em mente. Sim, ele é ficção. Parece seguir a mesma linha dos programas sobre dragões, sereias, tubarões gigantes do Animal Planet. No site que linkei o programa é até listado como ‘mockumentary’.

      O titulo original é ‘THE CANNIBAL IN THE JUNGLE’ e no próprio site do canal (Animal Planet) eles dão a entender que não se trata de outra coisa diferente de um docuficção, mas, como de costume, eles usam um eufemismo para não dizerem explicitamente que é simplesmente mais uma peça de ficção. Eles chamam de ‘scripted feature’, algo como a ‘atração roteirizada’, o que é um sinônimo de obra de ficção.

      http://www.animalplanet.com/tv-shows/cannibal-in-the-jungle/about-the-film/

      Nesta mesma página, seus responsáveis, pelo menos, deixam claro que a ta ‘história dramática’ é apenas BASEADA em fatos reais, mas os fatos em questão são simplesmente a descoberta científica, muito bem conhecida e divulgadas pela mídia, de fósseis de pequenos hominines (Homo floriensis), nossos parentes, na Indonésia, que teriam vivido lá até cerca de 20000 anos atrás. Só isso.

      http://www.bustle.com/articles/84792-is-the-cannibal-in-the-jungle-a-true-story-animal-planets-new-movie-combines-legend
      http://www.smithsonianmag.com/history/were-hobbits-human-14768/?no-ist
      http://humanorigins.si.edu/research/asian-research/hobbits

      Portanto, a história toda da expedição é uma completa ficção. A única coisa real é que naquela região foram achados os tais fósseis que viveram ali até cerca 20000 anos atrás. Não há evidências de que essa espécie tenha sobrevivido até os dias de hoje e muito menos qualquer registro documental de um expedição cujos membros tenha sido canibalizados na região, nos anos 70, e cujo suposto perpetrador de tal ato tenha alegado que quem devorou seus companheiros foram na verdade os tais pequenos hominines, os tais ‘Hobbits’.🙂

      Grande abraço,

      Rodrigo

  10. Um tubarão grande é possível, canibais nas selvas também, mas nada exagerado como as histórias acima. Mas absurdo que isso só o caso do Monstro do Pantano do history, foi de cachorro grande a espírito que possuía pessoas mortas, aff, infelizmente a história da Dilma levar o Brasil pro fundo junto com ela é verdadeira

    • rodveras says:

      Lembre-se que a questão não é a simples possibilidade de existirem ‘tubarões grandes’ ou ‘canibais’. O problema é apresentar ficção como se fosse realidade através de pseudo-documentários. Pior, fazer isso em um canal que supostamente deveria primar por informar com o mínimo de seriedade e que, ao mesmo tempo, veicula documentários reais, colaborando para turvar a distinção entre ficção e realidade e, com isso, acaba por confundir os telespectadores desavisados. Não conheço o tal programa do History ao qual vc se refere. Entretanto, o ‘Monstros da Montanha’ do AP leva tudo isso a patamares ainda mais alarmantes.

      Grande abraço,

      Rodrigo

      • Decepção says:

        Cara existe coisas que estavam extintas e não estão ex: celacanto,baleia franca pigmeia (que é bem grandinha),lula colossal(que é bem grandinha) então só pq não vemos algo não significa que não existe agora com relação ao megalodonte fica complicado dizer.A ciência toma teorias como verdades sendo que são teorias e acho que muita gente fica na torcida esperando aparecer so pra gritar na cara deles “e agora seus m@#% explica isso agora?tipo como se os ciêntistas não tivessem o direito de errar e pela prepotencia de alguns eles não tem esse direito mesmo não.

      • rodveras says:

        Não sei se entendi onde você quer chegar com suas afirmações, mas o que posso dizer é que muita gente faz uma grande confusão com o uso da palavra ‘teoria’ no contexto da investigação científica. As teorias científicas não são meras especulações, nem mesmo simples hipóteses. Normalmente a expressão ‘teoria científica’ é usada para referirmo-nos a explicações de caráter bastante geral (que podem envolver leis matemáticas, modelos computacionais, princípios gerais, mecanismos causais etc) que são muito bem corroboradas por uma grande e sólida gama de evidências empíricas e que são construídas tendo como base argumentos bem encadeados e cogentes calcados em premissas bastante sólidas. Portanto, a ciência (ou melhor dizendo, os cientistas) não tomam simplesmente teorias como verdades, pelo menos não em nenhum sentido absoluto do termo. Elas são o ápice do processo de investigação científica que tem como principal objetivo compreender a realidade. Os cientistas têm total noção que qualquer afirmação sobre a realidade envolve algum grau de incerteza, mesmo que na prática ele possa ser ínfimo, no caso das teorias e ideias mais bem corroboradas.

        O ponto fundamental é que os cientistas, ao reconhecerem a falibilidade humana, estão abertos a revisarem suas ideias e até os ‘fatos básicos’ que as dão suporte, já que, mesmo as observações empíricas, podem estar sujeitas a erro, distorção e viés. Claro, as teorias mas bem estabelecidas demandam uma quantidade (e qualidade) enorme de evidências em contrário, bem como a proposta de uma teoria alternativa que dê conta do recado, para que os cientistas as abandonem.

        Deixado bem clara a questão das teorias, gostaria de fazer também algumas correções. Primeiramente, vários dos exemplos que você citou não são espécies que estavam extintas e não estão mais. Entendo que o que você quis dizer é que são espécies que julgava-se estarem extintas, mas depois descobriu-se que ainda existiam espécimens remanescentes. Mas mesmo isso não está completamente correto para vários dos exemplos. Em vários casos as espécies conhecidas do registro fóssil ainda estão extintas, o que foi encontrado em tempos modernos são espécimens de espécies próximas as extintas, ou seja, da mesma linhagem (grupo taxonômico mais amplo) que se julgava extinta. Por exemplo, tecnicamente os Celacantos (Coelacanthus spp) ainda estão extintos.🙂 O que foi encontrado a partir do final da década de 1930 foram peixes ‘celacantiformes’ do gênero Latimeria: Latimeria chalumnae e Latimeria menadoensis. São espécies diferentes, apesar de do mesmo grupo dos Coelacanthus spp., mas que têm várias características bem particulares. São tão diferentes dos Celacantos originais que as espécies que estão vivas hoje (Latimeria chalumnae e Latimeria menadoensis) foram classificadas em um gênero diferente (Latimeria) de uma subordem diferente (Latimeriforme); que só após a descrição das espécies viventes é que foram descobertos representantes fósseis delas. Infelizmente, estes detalhes importantes são deixados de lado ao se falar sobre estas espécies, sendo muito comum as pessoas usarem o termo ‘celacanto’ de maneira muito ambígua para referir-se a todas espécies deste grupo os Celacantiformes que é uma ordem particular de peixes ósseos sarcopterígeos.

        https://en.wikipedia.org/wiki/Coelacanth

        http://vertebrates.si.edu/fishes/coelacanth/coelacanth_wider.html

        Outra correção importante é que não se julgava que a lula colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni) estava extinta. Assim como a Lula gigante (Architeuthis dux), ao longo dos últimos 100 ou 200 anos, vários espécimens (ou partes deles) já haviam sido identificados. A filmagem de animais deste tipo é que é algo bem recente, além de nas últimas décadas vários espécimens terem sido encontrados e estudados por especialistas, graças a pesca internacional e a preservação dos mesmos nos freezers deste barcos. Além disso, os cientistas procuram ativamente identificar outros animais marinhos como estes. O que eles demandam são evidências reais para reconhecer sua existência.

        https://www.tonmo.com/community/pages/giantsquidfactsheet/
        http://tolweb.ordg/Mesonychoteuthis+hamiltoni/19556

        Veja bem que em nenhum destes casos estamos falando de ‘teorias científicas’, mas de descobertas de animais e de julgamentos sobre o status (extinto ou vivente) de certas linhagens específicas, sejam elas espécies, gêneros, famílias, ordens etc. É importante que compreendamos que nestes casos, obviamente, a confiabilidade dos julgamentos científicos pode variar bastante. Por exemplo, enquanto linhagens de tamanho menor, populações pequenas, que sempre foram pouco abundantes no registro fóssil e que viviam em habitats pouco acessíveis podem realmente permanecer desapercebidas por muito tempo (e isso nos deixa bem mais incertos sobre seu status), em outros casos, como o de linhagens cujos representantes possuiam grandes dimensões e dependiam de presas também de grande porte e que sempre foram bem abundantes no registro fóssil nossa confiança no julgamento de estarem extintas ou não pode ser muito maior, ainda que sempre potencialmente revisável. Esse, como você parece compreender, é o caso dos Megalodontes. Porém, o ponto para o qual eu queria realmente chamar gostaria de enfatizar é o que importa para os cientistas, mais do que a possibilidade de algum tipo de criatura existir ou não (baseado em argumentos e indícios), são as evidências apresentadas em favor desta possibilidade.

        Grande abraço,

        Rodrigo

  11. Decepção says:

    Em resumo, gostaria de saber se a filmagem do resgate aqui no brasil onde mostra uma sombra na agua é falsa pq o que mais nos deixa na duvida não é o dialogo ou teorias em si mais sim as supostas filmagens ou fotos tiradas a filagem da plataforma o transmissor que colocaram nele?
    sereias eu sei que é falso mas os restos encontrados na barrigua de um tubarão aquilo tb e falso?pergunto pq não e pq acreditei mas sim pq poderia ser uma nova espécie de qualquer outro animal por ex.
    obs:Cara esse monstro do pantano do history foi ridiculo consegui assisitir 1 epi ainda no segundo parei,mostros da montanha do AP ta dificil tb,na trilha do hobbit descobri hoje que o tal dr nunca existiu.O nivel desses canais que eu considerava como minha principal fonte de conhecimento e entreterimento está em queda livre começo a suspeitar que o Bear grylls filmou tudo do quintal da casa dele.Cara que tristeza 50% do tempo que fico na frente da tv e destinado ao discovery,history,Ap e quase nada de natgeo que tinha como fonte confiavel(Monstro do pantano estava claro que era falso nem precisei procurar mas vi sabendo que era fantasio).O que dá raiva é como foi dito aqui o problema não ser fantasioso em si mas sim divulgar aquilo como sendo verdade os tais avisos do megalodonte avisando que tudo era falso eu nem vi e eu meu primo divulgamos aquilo pra rua inteira como verdade eu acreditei que era verdade até hoje quando vi vários sites principalmente americanos revoltados com esse “documentário”.Pior sem acesso a BBC e sem assitir discovery não sei o que assistir! obs² Faustão nunca mais e esquenta? o vida cruel.

    • rodveras says:

      Não sei como deixar mais claro. Os programas são totalmente ficcionais. As imagens são encenadas ou CGI. São pseudo-documentários. O que existe de verdadeiro nos programas sobre o Megalodonte e ‘Submarino’ é simplesmente que o C. megalodon existiu, tendo sido extinto por volta de 3 milhões de anos atrás, e o fato pessoas relatarem avistamento de tubarões brancos com mais de 8 metros de comprimento. O resto que é ali apresentado é fantasia, baseada em fósseis, lendas, mitos e especulação.

      Grande abraço,

      Rodrigi

  12. xyko74 says:

    Isso é sua opinião lógico ?

    • rodveras says:

      O que exatamente você quer dizer com “Isso é sua opinião lógico?”?

      Partindo do princípio que não é só uma pergunta retórica sem sentido, vou tentar responder a ela: Caso você tenha em mente apenas o fato de eu não gostar desses programas e, portanto, desse caminho que os canais Discovery tomaram, sim, essa é minha opinião. O que é óbvio. Porém, se você está se referindo a minha afirmação de que esse programa é completamente fajuto – um grande pseudo-documentário -, então, não, essa não é só ‘minha opinião lógico’.

      As evidências são claras, como você pode ver pelo link da zoóloga Michelle Wcisel, disponível na minha postagem, que trabalha na mesma área onde se passou o programa, e através das minhas outras postagens sobre programas semelhantes da mesma rede de canais, onde enfatizo os próprios ‘alertas’ (quase escondidos) contidos nos programas, que expõem a natureza ficcional dos mesmos, e os comentários do próprio produtor responsável por vários deles, que confirma que eles são ficção científica. Os ‘cientistas’ que aparecem nos programas simplesmente não existem. São atores fazendo o papel de especialistas. Só isso. As ‘notícias’ sobre ataques a seres humanos, as grandes carcaças ‘encontradas’ nas praias com marcas de ataque desse predador e as ‘pesquisas’, que aparecem no programa como sendo fatos, são todas inventadas. Um pouco de pesquisa na web deixa isso claro.
      Como eu disse, existem, sim, alegações de avistamentos de grandes tubarões brancos que, segundo algumas testemunhas, mediriam mais de 8 metros, mas isso é até onde os fatos vão: Alegações e estimativas arbitrárias. A questão é que não há corroboração desses relatos por fontes confiáveis. Como é muito comum que as pessoas exagerem (consciente ou inconscientemente) nas estimativas dos tamanhos dos animais nessas circunstâncias, os pesquisadores não as consideram confiáveis [Lembrando que os maiores animais dessa espécie, cujas estimativas são relativamente confiáveis, teriam entre 6 e, talvez, pouco mais de 6,5 metros de comprimento. Portanto, embora animais com pouco mais de 7 metros sejam plausíveis, ainda que raros, qualquer coisa além disso seria muito exagerada e demandaria muita evidência para ser aceita]. Muito menos confiáveis ainda são os relatos de supostos encontros com tubarões brancos com mais de 10 metros de comprimento, que aparecem em algumas histórias mais exageradas. E é em cima dessas histórias que o programa foi criado. Só isso.
      Os ‘terríveis incidentes’ narrados nesse programa são completamente fictícios. É tudo um grande faz de conta, mas que usa da credulidade das pessoas para se propagar como verdade, abusando assim da confiança dos telespectadores e contribuindo para disseminar a desinformação sobre criaturas tão fantásticas como os tubarões – que, aliás, muitas espécies encontram-se ameaçadas de extinção.

      https://www.wildlife.ca.gov/Conservation/Marine/White-Shark
      https://en.wikipedia.org/wiki/Great_white_shark
      http://news.nationalgeographic.com/2015/08/150814-sharks-great-whites-animals-science-biggest/
      http://news.nationalgeographic.com/news/2011/05/110506-biggest-great-white-sharks-apache-caught-animals-science/
      http://www.businessinsider.com/discovery-channels-fake-documentaries-2014-9
      http://gawker.com/shark-week-returns-with-its-lies-1619356593
      http://www.snopes.com/critters/malice/megalodon.asp

      Rodrigo

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