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Por que sempre antes de uma vem a outra, não é?

9 Responses to About

  1. Gerson B says:

    “Do Bule Voador, Rodrigo, em 26 dezembro 2010 às 22:18
    “Há visões espiritualistas que não são incompatíveis com modelos do inconsciente. Não estou usando este têrmo no sentido freudiano.”

    Gerson, vc tem as fontes? Fiquei bem curioso.

    Abraços,

    Rodrigo”

    O livro mais interessante sobre isso é o Milagres da Ciência Secreta de Max Freedom Long (The secret science behind miracles). Ele tenta montar uma visão geral de fenômenos paranormais e níveis da consciência através de uma interpretação da magia dos feiticeiros havaianos. O trabalho dele é cheio de furos, mas apresenta uma tentativa de interpretação de fenômenos variados.

    O budismo tambem parece considerar níveis de consciência, mas não conheço muito sobre isso. Eles inclusive aceitam a ideia do Eu humano se dividir, pelo que vi no filme O Pequeno Buda. É uma visão que difere da do kardecismo, típicamente ocidental, onde o alem é só uma projeção do nosso mundo.

    • rodveras says:

      Valeu pelas dicas, mas em relação ao budismo e a partir do pouco que conheço dele (tirando as deturpações e adereços típicos das culturas em que ele se instalou como a do Tibete, por exemplo) o conceito de “eu” para os budistas é de uma ilusão, na realidade seria uma forma de “agregado psicofísico” descontínuo, bem na linha de algumas abordagens modernas.

      O problema é que as tradições de fundo das culturas em que ele floresceu (Índia, Tibete, China, etc), como culto aos mortos, metempsicose e outras superstições, acabaram por se atrelar ao budismo moderno (talvez sempre tenha estado presente, para falar a verdade), mas elas são penduricalhos desnecessários (na minha opinião, claro) que só acrescentam confusão, não sendo conceitos dos quais dependa toda a visão de mente do budismo, diferente do espiritismo, dos monoteísmos abraâmicos e de outras filosofias dualistas e sobrenaturalistas que dependem de alguma forma de “consciência não-física” ou “substância lógica pensante pura”. Se vc ainda não leu, experimente ler “A Mente Incorporada” ou mesmo alguns dos artigos e livros de Susan Blackmore, e o “Tratado do desespero e da beatitude” e “Uma Educação Filosófica” de André Comte-sponville, especialmente quando ele fala de Nagajurna:

      Comte-Sponville, André (2001) Educação Filosófica, Uma Editora Martins Fontes 1º Edição ISBN : 8533614683 ISBN 13: 9788533614680 -http://www.livrariamartinseditora.com.br/descricao.asp?cod_livro=CO0550

      Comte-Sponville, André (2006) Tratado do desespero e da beatitude Editora Martins Fontes 1º Edição ISBN : 853362283X ISBN 13: 9788533622838 – http://www.livrariamartinseditora.com.br/descricao.asp?cod_livro=AN5658

      Blackmore,S.J. (2002) There is no stream of consciousness. Journal of Consciousness Studies, 9, 17-28 -http://www.susanblackmore.co.uk/Articles/jcs02.htm

      Blackmore, S. (2005) Conversations on Consciousness, Oxford, Oxford University Press, hb ISBN 0 19 280622-X and New York 2006 hardback ISBN 0-19-517958-7.

      Blackmore, S. (2005) A Very Short Introduction to Consciousness, Oxford, Oxford University Press, paperback 0 19 2805851.

      Blackmore, S. (2003) Consciousness: An Introduction, London, Hodder & Stoughton, pb ISBN: 0340809094. and 2004 New York, Oxford University Press, hb ISBN 0195153421 pb ISBN 019515343X.

      Varela, Francisco J., Thompson, Evan & Rosch, Eleanor A Mente Incorporada Ciências Cognitivas E Experiencia Humana Editora artmed isbn: 8573074957.

      Abraços,

      Rodrigo

  2. Maxwell Morais de Lima Filho says:

    Por favor, qual é o seu e-mail de contato?
    Um abraço,
    Max.

  3. Raphaella R. says:

    Oi Rodrigo,
    Depois de ver o tal documentário ”mermaids – the body found” e a continuação ”mermaids – the new evidence” , resolvi procurar no google por mais evidencias referentes ao fato e aos tais cientistas neles citados, dentro de vários links acabei vindo parar aqui no teu blog e li o que postasse sobre os mesmos documentários, e percebi que além de contestares o tal documentários também falas sobre vários outros, longe de mim tira-lo desse direito, achei interessante tanto o relato no programa do AP quanto o que publicasse aqui, mas uma coisa me intrigou em relação a ti, o que te leva a ser tão cético em relação a tais documentários? Digo, fiquei pensando se és um biólogo ou algo do gênero pra ter tais opiniões, e assim como estou a procura de mais coisas em relação aos tais documentários, queria essa sua resposta.

    Obrigada desde já pela atenção.

    • rodveras says:

      Sim, sou biólogo e tenho feito divulgação científica há alguns anos, especialmente sobre biologia evolutiva, um dos campos das ciências da vida pelo qual sou mais fascinado. Além do mais, sempre tive grande interesse por organismos marinhos. Por exemplo, mamíferos aquáticos e tubarões, desde a minha infância, são grandes paixões. Por isso procuro manter-me bem informado sobre eles, mesmo quando enveredei para áreas bem diferentes da biologia. Então, quando assisto tais programas e vejo atores posando de cientistas (nenhum dos cientistas citado nos programas do AP, por exemplo, existem, mas as pessoas acham que eles são genuínos) falando sobre supostas evidências fantásticas, mas que não foram publicadas em nenhum periódico científico revisado por pares e nem ao menos foram apresentadas em congressos científicos, de modo a serem verificadas e discutidas por outros especialistas como se faz habitualmente na comunidade científica, eu realmente fico bem frustrado. Aí, para piorar a situação, vejo os atores que posam de cientistas, no mesmo documentário, falando da ‘teoria do macaco aquático’ – uma ideia especulativa que não é levada a sério na comunidade científica e para a qual não temos nenhuma evidência crível e cuja defesa baseia-se na distorção do que sabemos sobre biologia comparativa e paleoantropologia – como se desse base a premissa do programa. Essas coisas me deixam ainda mais frustrado e preocupado. Eu estou assistindo áreas do conhecimento científico com as quais tenho certa familiaridade, e sobre as quais sempre tento me manter informado, serem completamente distorcidas em uma caricatura do que é o processo científico.

      Minha reação aos programas do AP e do DC é motivada, portanto, por uma preocupação com a qualidade das informações científicas sendo divulgadas por aí, principalmente, pelos meios de comunicação que deveriam ter mais cuidado, evitando induzir seus telespectadores ao erro, como é o caso dos dois pseudo-documentários do AP sobre as sereias e o novo do DC sobre o Megalodon. As pessoas que vão assistir a esses programas esperam receber as informações mais mastigadas mais ainda assim fiéis as fontes científicas, elas, em geral, não tem o tempo, o conhecimento e o acesso para verificarem por elas mesmas cada detalhe apresentado. Por isso, quando o DC e o AP fazem programas como este – sem deixarem claro que são exercícios de imaginação e que estão sendo usados (pelo menos em tese) para explicar alguns temas, princípios e métodos científicos – sinto-me na obrigação de desmistificá-los e explicar o que, de fato, foram esses os programas, ou seja, simples pseudo-documentários.

      Não me entenda mal. A ideia de usar histórias ficcionais para apresentar aos telespectadores informações sobre ciência é interessante e louvável, mas fazer uma produção desse tipo sem deixar claro que é uma obra de ficção [na qual até os desmentidos são tão ambíguos e passados tão rapidamente, ou somente no final do programa, que a maioria das pessoas nem percebe] já me parece falta de seriedade e oportunismo.

      Separar mito da realidade é uma das funções mais importantes das ciências que dependem de uma boa dose de ceticismo para a equilibrar nossa admiração com a beleza do mundo natural e a busca pelo novo. Existem muitos mistérios e muitas coisas incríveis imediatamente a nossa frente, como são os próprios organismos marinhos que tanto gosto e com os quais e sobre os quais ainda temos por aprender. Este tipo de programa, infelizmente, acaba não ajudando a entendermos melhor sobre estas incríveis criaturas e nem mesmo ajuda aos leigos compreenderem como as ciências normalmente funcionam. No contato que tive com as pessoas que acharam que o programa era baseado em descobertas verdadeiras, percebi que elas nem ao menos lembravam dos argumentos comparativos (com a evolução dos cetáceos) usados pelos atores passando-se por cientistas. O que essas pessoas lembava, em geral, era de terem ouvido uma história que trazia provas convincentes da existência das sereias ou algo do tipo. Ou seja, exatamente, a parte ficcional. O resultado que me parece advir deste tipo de programa é apenas a criação de mais mitos, o turvamento da capacidade das pessoas de exercerem seu senso crítico (já que elas muitas vezes dependem de canais como o AP e o DC para separarem as informações científicas das lendas e boatos), além de não ajudá-las em nada a compreender como a ciência funciona e como elas podem fazer para aprender mais sobre os temas pelos quais elas se interessam.

      Outro problema é que muitas pessoas parecem preferir perseguir mitos do que propriamente descobrirem de maneira crítica se eles são reais ou não. Tendem a aceitar passivamente tudo que é favorável ao que já acreditam, mesmo que a qualidade da informação seja ruim, além de desconfiarem das intenções dos que as alertam para os erros e distorções das informações que elas aceitam acriticamente, quando não revoltam-se com que quem enfatizam a natureza ficcional da narrativa apresentada, o que nem ao menos é contestado pelos canais.

      Parece que não bastam as incríveis demonstrações de inteligência e integração social de baleias e golfinhos. Não basta conseguirmos descobrir fósseis de uma criatura que se extinguiu há mais de 2 milhões de anos e, ainda assim, sermos capazes de propor modelos de sua mandíbula e estimar o seu tamanho, além de podermos investigar quais deveriam ser as suas presas e, assim, tentar reconstruir sua ecologia e seu habitat. Não, muitas vezes parece que as pessoas querem mais do que isso. Elas querem que hajam seres mitológicos e que as gigantescas criaturas ainda existam e aterrorizem os mares, mesmo sem evidências para isso e com várias razões para que a existência de tais seres seja implausível. Aí chegam estes programas, turvando ainda mais as coisas e, em busca de audiência, induzem as pessoas a acharem que, de fato, existiriam evidências para estas tais criaturas vivendo hoje em dia e que estas mesmas evidências teriam sido acobertadas de uma maneira extraordinária, mas que mesmo assim estes canais conseguiram acesso as informações que outros cientistas e interessados no assunto não conseguem nem se quer encontrar vestígios delas. Isso para mim é profundamente desrespeitoso com os telespectadores e com os cientistas e demais pessoas que querem divulgar as ciências.

      Grande abraço,

      Rodrigo

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